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  • AdC entrevista Edson Barbero e Rodrigo Fadelli da FECAP

    A Aventura de Construir desenvolveu, junto com a Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP, um projeto para envolver os alunos da instituição em empreendedorismo social. Com apoio do professor Edson Barbero e de Rodrigo Fadelli, foi criada uma atividade complementar voluntária para os alunos do curso de administração, para que os estudantes do primeiro semestre produzissem textos relacionados ao trabalho da AdC. O objetivo foi aproximar esses alunos de experiências da vida real, em situações de vulnerabilidade. Os textos foram revisados junto com os professores e serão publicados no nosso blog de forma periódica. Para contar um pouco mais sobre esse projeto, Silvia Caironi, Coordenadora-geral da AdC, entrevistou Edson e Rodrigo sobre as expectativas e impressões que tiveram durante esta experiência. Confira! Silvia Caironi – O professor Edson da FECAP e seu assistente, Rodrigo desenvolveram um projeto bem interessante, com o objetivo de favorecer uma geração de interesse, empatia e conhecimento nos alunos sobre temas ligados ao desenvolvimento econômico e a microempreendedores de baixa renda. Por isso, esse projeto foi desenvolvido em conjunto com a Aventura de Construir. Primeiro, gostaria que eles se apresentassem. Edson Barbero – Eu sou professor da disciplina de Fundamentos da Administração da FECAP. Por meio desta posição que conseguimos desenvolver juntos – a Aventura de Construir e a FECAP – um projeto tão interessante, que acho que deve dar frutos tanto atualmente quanto no futuro. Rodrigo Fadelli – Além de outras atividades, eu estou auxiliando o professor Barbero na disciplina da FECAP. Em meio às atividades da disciplina, ele me fez o convite para tocar esse projeto junto com os alunos e a AdC. Isso tem sido muito interessante para mim, profissionalmente, e tenho visto que é muito interessante também para os alunos. É com prazer que a gente desenvolveu esse projeto, que estamos finalizando. Silvia – Professor Edson, como nasce o projeto e quais são os objetivos? Edson – Na FECAP sempre temos o objetivo de transformar as disciplinas em disciplinas com conteúdos que tenham um significado. Isto é, que a gente consiga não apenas transmitir conteúdos aos estudantes, mas também que eles percebam a razão, os impactos e a verdadeira mobilização daquele conteúdo. Para isso, é necessário que a universidade faça aproximações com a sociedade, e ainda mais particularmente com a sociedade brasileira, para mobilizar recursos diante dos desafios que a gente vive no mundo. Neste sentido, a Aventura de Construir é para nós uma parceria particularmente interessante e particularmente rica em termos de trocas. E pela qual nós temos uma grande admiração. O objetivo concreto do projeto é que, em uma disciplina bastante introdutória de Administração, com alunos do 1º semestre letivo, se proporcione a esses estudantes a possibilidade de dialogar, desde o início do seu curso, com a sociedade. No caso específico, compreender o universo do empreendedorismo social, compreender o universo dos problemas que a sociedade vive e entender como a gestão de empresas pode auxiliar nesse sentido. É um projeto em que os alunos participaram de maneira autônoma e voluntária, isso também é importante. A gente não trabalhou, neste caso em particular, com uma relação de avaliações da disciplina, ou seja, com as famosas notas. Procuramos incentivar os estudantes a autonomamente buscar esse espaço e acho importante que a universidade oferte esses incentivos, não necessariamente os obrigando. Também, nós consideramos que haja aí uma ponte que as organizações de terceiro setor vejam como positiva. Os estudantes podem trazer conteúdos interessantes das universidades, podem fazer trabalhos voluntários e, digamos, oxigenar as visões interiores das organizações. Esperamos que este projeto tenha frutos para a sociedade brasileira, mais particularmente a paulistana, para a AdC, para nós da FECAP e para eles, estudantes, pessoalmente. Silvia – Rodrigo, o que comentaria em relação ao desenvolvimento do projeto? Como você viu estas expectativas citadas pelo professor Edson acontecerem durante o desenvolvimento do projeto? Rodrigo – O que é interessante na condução do projeto, que eu acabei acompanhando de forma mais próxima com o auxílio do professor, foi o interesse dos alunos de participar de forma voluntária do projeto. É interessante também perceber, já de primeira, o entusiasmo deles em entender e conhecer a Aventura de Construir. Tanto é que teve um caso de uma aluna que procurou a Silvia, porque ela quer aprofundar o que ela trabalha e possíveis projetos com a AdC. Então é como o professor falou, a questão de relacionar esses alunos com a sociedade e com o que acontece ao redor deles. Não devem ficar apenas dentro da universidade, mas se relacionar com o que tem no entorno. Acho que esse é um papel que o projeto começa a fazer, e de forma interessante já que eles estão iniciando no curso. E acredito que, depois desse deslumbre inicial, também é interessante o quanto eles tiverem a oportunidade de trabalhar a questão da escrita, de estudar os temas. Eles foram em diversas temáticas, buscaram o que era do interesse deles, olharam os conteúdos que já aprenderam com o professor Barbero e fizeram uma conexão com o mundo real. Houve também a questão de eles trabalharem com organização, com planejamento. Por mais curto que seja o prazo, é um projeto com etapas, com datas. E, finalmente, eles vão ter uma oportunidade muito interessante de, ainda tão novos, ter conteúdos de autoria própria publicados, impulsionados pela AdC. Isso forma uma espécie de portfólio deles no mundo digital, o que é muito importante pois cada vez mais a nossa marca pessoal é algo que nos vende. Então está sendo muito rico para os alunos e para mim também, nessa condução. Silvia – Para mim, foi interessante ver que vocês aproveitaram o projeto também para fortalecer estes aspectos, como a escrita em português, ou para mostrar o valor de uma comunicação através das redes sociais. O que vocês enxergaram como sendo o maior aprendizado para os alunos? Edson – A educação brasileira muito frequentemente se baseia, de modo equivocado, numa linha demasiadamente diretiva, demasiadamente baseada no esquema do conjunto de conceitos, teorias, com o professor cobrando, com o estudo para a prova. É claro que esse ensino clássico tem o seu papel, mas nós sabemos que a gente aprende muito frequentemente por meio de mecanismos menos formalizados, mais autônomos. Essa última palavra para mim é muito central. O aprendizado deve ter um espaço de autonomia em relação ao que eu desejo ver, minhas preferências, aquilo que eu estou fazendo não porque existe um requerimento formal e alguma obrigação, mas porque eu sinto uma motivação intrínseca sobre aquele ponto. Para mim, é uma grande avenida para desenvolvimento humano. A gente precisa na educação compreender a diferença dos aspectos da escolarização mais formalizada e este espaço que os humanos precisam para se desenvolver. Eu acho que a aproximação de escolas, notadamente escolas de negócios como é o caso da FECAP, com organizações do terceiro setor como a AdC é um grande espaço para isso. O Brasil é um país que apresenta problemas sociais extremamente complexos, que todos nós vemos. E os estudantes serem estimulados e terem a autonomia de tentar se aproximar desses problemas, apresentando resultados, é um espaço de vivências extremamente importante. No mercado de trabalho, falando de uma parte mais utilitária, isso é muito valorizado. Se eu vou contratar uma pessoa, não contrato apenas porque ela estudou em uma boa escola e teve boas notas. Isso tem a sua importância, mas considero sobretudo o que ela fez, o legado que ela deixou, a diferença que ela provocou no mundo a sua volta, a relevância dos impactos que ela causa em seu entorno. Nós precisamos criar espaços para que os alunos possam fazer isso, de forma orientada. Nesse sentido, foi um trabalho magnífico que o Rodrigo fez, porque autonomia não é a mesma coisa que independência pouco orientada, acredito que autonomia precisa ter alguém mais sênior para que possa haver uma troca, uma orientação. Então eu acho que esse foi o principal ponto: como eu posso aprender não somente repetindo os padrões, mas tendo a vivência autônoma de gerar ideias diferentes, perceber os meus erros, perceber o outro e gerar essa empatia. Silvia – Nós vivemos em uma sociedade líquida, uma sociedade com um processo de transformação muito rápido, e o Covid até acelerou tudo isso. Então, o que significa formar esses estudantes em um ambiente acadêmico, normalmente mais estruturado e formal, levando em conta estas mudanças dessa sociedade cada vez mais rápida nas transformações? Este projeto pode ser uma resposta a isso? Rodrigo – A FECAP já é uma instituição que busca não ter tanta rigidez como o mundo acadêmico às vezes tem. Eu sou um ex-aluno que agora está voltando a se relacionar com a Instituição e quando eu vi, recentemente, o quanto o curso de Administração se alterou, eu fiquei muito feliz. Isso porque percebi que a FECAP realmente caminha para ser moderna, uma instituição que está muito atrelada ao que vem acontecendo no mundo corporativo, que é o que eu vivo no dia a dia. Então, acho que os alunos acabam não enfrentando tanto essa rigidez, mas é muito importante, como nós já falamos, a relação com o mundo externo. E o projeto é um desses casos. Ele possibilitou aos alunos essa relação com o empreendedorismo social, que a AdC faz e, a partir da AdC, se relacionar com os problemas que acontecem na sociedade, que são enfrentados pelo mundo. Eu vi que durante o projeto os estudantes acabaram desenvolvendo e trabalhando questões com criatividade, que é uma característica cada vez mais cobrada no mundo corporativo. Vi eles trabalhando com negociação, durante a discussão das temáticas e em relação às alterações nos textos. Eu gostei muito da forma como eles apontavam a opinião deles dentro dos textos, eles não encaravam o meu direcionamento como imposições, mas como sugestões. Alguns estão trabalhando em grupo, então a gente vê algumas questões de liderança, com negociação entre eles. Tiveram que dialogar as disciplinas com problemas reais, o que desenvolve o pensamento crítico. Enfim, vi uma série de questões que os alunos desenvolveram ao decorrer do projeto. Silvia – Você comentou sobre criatividade e negociação. De acordo com um trabalho realizado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, foram identificadas 10 soft skills consideradas mais importantes para encarar esse mundo em contínua transformação. Vocês acham que houve também o desenvolvimento de outras habilidades durante o projeto, como flexibilidade, iniciativa, resiliência, capacidade de estar aberto a novas oportunidades e competências informáticas de base? Edson – Faço uma conexão com a pergunta anterior. Você coloca muito bem o fato de que a sociedade líquida, conforme descrita pelo Zygmunt Bauman, realmente requer pessoas de natureza adaptativa e flexível. Essas 10 soft skills não são as únicas necessárias, e também não representam uma redução da importância das questões teóricas e técnicas. É uma adição e não um porém. Isto é, agora além de ser necessário conhecimentos técnicos, são importantes também as soft skills. E como a gente desenvolve essas coisas? O Rodrigo coloca muito bem que a FECAP há muitos anos vem se transformando para ser essa escola conectada com o mundo real. Para isso, eu vou ter que discutir com as pessoas, criar novas soluções, ser flexível com realidades imprevistas. Apesar de ser um projeto localizado, discutindo textos, está ali encapsulado a negociação do tema, a autonomia por aprender a aprender, também denominado Life Long Learning. Então, tenho muita certeza que esse projeto veio de encontro dessas soft skills. Devo destacar talvez a característica mais importante de todas: a ética, a moralidade. Muitas vezes, na educação, se isolou esse tema. Ficamos aqui dentro das escolas e esquecemos de todos os problemas do mundo. Este projeto fez, no mínimo, que os alunos olhassem a uma certa realidade, que é muito clara no Brasil. São pessoas de baixa renda, com dificuldades sociais, com grandes dramas que vivem na nossa cidade. E não é nada longe daqui, me refiro à cidade de São Paulo. Isso tudo para que eles possam desenvolver esse olhar sensível, compromissado com os problemas do Brasil. Acho que este é só um pequeno passo, mas vamos seguir adiante. Silvia – Rodrigo, você que acompanhou de perto a experiência desses alunos, o que mais chamou a atenção na forma na qual os alunos vivenciaram esta experiência? Rodrigo – Venho comentando com o professor desde o início que o envolvimento deles com o projeto chama muito atenção. Além das questões que são desenvolvidas, acho que a intensidade com que eles se envolveram é muito marcante. Sendo um projeto que trata de empreendedorismo social, que visa impactar a nossa sociedade de forma positiva, eu fico muito esperançoso sobre os próximos profissionais de administração que estarão no mercado. Além de ter profissionais tecnicamente preparados, com as soft skills do futuro, é mais importante que tenhamos seres humanos para transformar a nossa sociedade em um lugar melhor, para transformar as formas como fazemos negócios. Eu percebi que eles esperavam realmente poder contribuir com a AdC, com a sociedade e com os empreendedores que a AdC acompanha. Silvia – Para dar alguns números, quantos alunos participaram dessa matéria complementar? Rodrigo – No projeto são nove alunos envolvidos, mas a produção final será de seis artigos, pois alguns estão trabalhando em grupo. A princípio, o professor direcionou para que eles trabalhassem em grupo porque eles são alunos iniciantes, mas a maior parte dos alunos quis trabalhar individualmente. Achei muito interessante a atitude deles. Silvia – Professor Edson, os resultados, as vivências e as experiências desta matéria complementar podem orientar projetos futuros de outras disciplinas? Edson – Sem dúvida. Esses são os nossos primeiros produtos minimamente viáveis desta iniciativa de aproximação da AdC com a FECAP. Eu acho que a gente pode fazer bem mais do que isso. Então, por exemplo, podemos estender este mesmo tipo de abordagem da construção textual, que é uma construção baseada em pesquisa, em entendimento da realidade, um trabalho de equipe que envolve o aprimoramento da linguagem escrita, da linguagem digital. A gente pode estender também essa parceria para outras questões, como o trabalho voluntário, que acho muito importante. Podemos pensar juntos em um modelo em que os alunos ajam diretamente na realidade, de alguma forma, que aprendam a partir dessa ação. Então é apenas um exemplo de uma estrada possível, viável e interessante para todas as partes. Tudo com muita gestão cuidadosa, com garantia de qualidade. Isso é o nosso jeito de ser, tanto da AdC quanto da FECAP. Silvia – Eu queria fazer uma última pergunta: O que vocês enxergam que esses alunos esperam, além da publicação, da Aventura de Construir? Tem algo que nós podemos propor para eles? Edson – Acho que é um caminho amplo. O principal ponto para jovens neste momento é a aprendizagem e experiências que levam a ela. O aprender vem da ação, mas não somente disso. Há autores que apontam que as experiências não necessariamente levam ao aprendizado, à internalização de novas competências, a novos olhares do mundo. Então, quem sabe, a gente possa conversar sobre projetos que envolvam o voluntariado e pensemos juntos em como esses alunos vão fazer o Sensemaking. É preciso realizar ações com a orientação de pessoas mais seniores, para avaliar as lideranças, a gestão de processo, a mensuração dos resultados e a questão ética que envolve as ações. Neste sentido, o professor Rodrigo acompanhou os alunos neste projeto, e também a professora Angélica, doutora na área de Letras, contribuiu com os aspectos da língua portuguesa. O que quero dizer, em outras palavras, é que a gente pode pensar em projetos juntos, com a clareza que esses dois pontos aconteceram. Primeiro a ação, que inclusive pode gerar impacto social concreto. Nós queremos que isso aconteça, que a Universidade melhore o seu entorno. A FECAP é uma instituição muito Paulistana, no centro da cidade, e nós temos uma responsabilidade muito grande para a metrópole que vivemos, inclusive para as pessoas excluídas da educação mais estruturada. E também o segundo ponto: queremos que eles tirem para suas vidas um  aprendizado significativo, transformador. A partir de Julho, confira aqui no blog os textos produzidos pelos alunos da FECAP.

  • HISTÓRIAS DE RESILIÊNCIA E CRIATIVIDADE EM MOMENTOS DE CRISE  (PARTE 2)

    A Jornada de Sustentabilidade deste mês finaliza a história de três empreendedoras do projeto Sustentabilidade Financeira. Em abril, a experiência compartilhada foi da Franciele, e agora vamos finalizar com: 2. Elaine, trabalha atualmente de forma temporária como conselheira tutelar e durante o projeto começou comercializar açaí, em Cajamar, SP. 3. Mayara, co-proprietária do Burguer at Home em Jundiaí, SP. 2. ELAINE – A POSSIBILIDADE DE NOVOS COMEÇOS Elaine é mãe de dois filhos, mora em Cajamar, SP, onde trabalha temporariamente como conselheira tutelar. Tem tentado diferentes formas de empreender e gerar renda para cuidar da sua família, porém, teve que desistir diversas vezes dos seus negócios, porque não davam certo. No ano passado, 2020, ela estava sem emprego e, para poder sustentar sua família, ela teve que recorrer a empréstimos. No começo, com familiares e amigos, e depois, com uma pessoa conhecida, mas não do seu círculo de amizades. O PLANEJAMENTO EM SANAR AS DÍVIDAS Hoje a Elaine está realizando um trabalho temporário por seis meses, no qual trabalha 3 dias por semana e realiza manicure para 3 pessoas conhecidas. Durante as assessorias, ela percebeu a necessidade de administrar de forma adequada e eficiente o seu salário desses cinco meses para pagar as suas dívidas e manter uma estabilidade financeira. Ela está ciente de que o trabalho é temporário. Por isso, quer aproveitar este momento para organizar as suas finanças, reduzir suas dívidas, e ter uma estabilidade financeira quando o trabalho finalizar. A Elaine não tinha claro quanto e quais eram suas dívidas, seus gastos mensais, e junto com o acompanhamento de AdC, ela elaborou: O orçamento familiar, no qual identificou a renda e gastos fixos, e uma previsão dos gastos variáveis que têm durante o mês. Elaboração de uma lista de dívidas identificando: a quem deve? quanto é? quantas parcelas ainda faltam para pagar? Durante as assessorias a Elaine junto com a AdC, realizou um planejamento do pagamento das suas dívidas. De acordo com a realidade financeira da Elaine foi preciso considerar um tempo de 8 meses para que fosse viável e possível realizar o pagamento integral. OUTRAS FONTES DE RENDA Considerando que teria emprego por mais cinco meses, foi identificada a necessidade de ter uma fonte de renda adicional, como um empreendimento, que inclusive possa ser a renda principal quando o contrato de trabalho finalizar. Nesse sentido, a Elaine começou a revenda de Açaí, por ser um produto que pode comprar pronto para a sua venda e realiza a divulgação por meio das redes sociais, além de contar com a ajuda da sua família na entrega do produto, enquanto ela estava no trabalho. Além das atividades anteriores com o fim de poder pagar as dívidas mais urgentes – ou seja, as que estavam gerando juros e aumentando o valor a pagar a cada dia – a Elaine recorreu à venda de alguns itens da sua casa. Em resumo, a Elaine decidiu seguir três atividades para o pagamento das dívidas: Executar o planejamento mensal de pagos das dívidas; Criar um empreendimento, a revenda de açaí; Venda de itens da sua casa; Elaine demonstrou que está tomando a oportunidade de emprego que mesmo sendo temporário, pode gerar mudanças permanentes na sua vida, estabelecendo de uma forma organizada um planejamento de pagamento e criando novas fontes de renda para o sustento financeiro da sua família. Registro fotográfico da primeira assessoria realizada com a Elaine. Registro fotográfico da segunda assessoria realizada com a Elaine. 3.MAYARA – DO RISCO AO PLANEJAMENTO! A Mayara mora em Jundiaí, SP, e é uma empreendedora que num momento crítico, decidiu empreender arriscando o que tinha. No começo da pandemia, Mayara estava enfrentando alguns problemas em seu trabalho, como atrasos em seu pagamento. Seu marido trabalhava na Uber, mas a renda não era suficiente, o capital da família era de apenas R$200 reais. Mesmo assim, decidiram buscar uma solução financeira e criar um negócio de venda de burgers, chamado Burguer at Home Jundiaí. Eles pensaram em produzir e comercializar hambúrgueres, pois o marido da Mayara tem experiência na elaboração de comidas. Devido ao pouco capital que tinham, começaram a produção na sua casa e a comercialização era feita para amigos do casal. Depois de ter criado o empreendimento, seu principal objetivo era poder alugar um espaço próprio para o seu negócio. E, para isso, analisaram os custos e as necessidades do estabelecimento. Assim, entenderam que durante uma pandemia, o estabelecimento pode ser fechado a qualquer momento. Desta forma, perceberam que precisavam apenas de um pequeno espaço para produção das hambúrgueres, cumprindo com todos os padrões de qualidade. A entrega poderia ser feita por meio de aplicativos de delivery e com um motoboy contratado no negócio. Seguiram essa estratégia e, assim, conseguiram ter um estabelecimento, com baixo custo e ajustado às necessidades e contexto da pandemia. AS FUNÇÕES: A divisão das tarefas do negócio são específicas e claras. A Mayara cuida das atividades administrativas, como o controle financeiro, a divulgação e a comercialização, enquanto o seu marido é o responsável pela produção diária dos alimentos e pela busca das compras nos fornecedores. No momento em que a Mayara começou participar das assessorias, manifestou a sua preocupação com o pagamento de algumas dívidas e o desejo de começar a pensar em opções de investimento para o seu empreendimento, pois está sempre pensando em como fazer para avançar a cada dia no seu negócio. Mesmo que durante as assessorias só participasse a Mayara, sempre perguntava e comentava para o seu marido quem estava por perto dela, evidenciando uma busca em conjunto de soluções e passos a seguir como família e sócios. O CONTROLE FINANCEIRO A Mayara começou a realizar um controle financeiro, registrando as entradas e saídas da família e do empreendimento. Na primeira vez que ela realizou o exercício, identificou a existência de um dinheiro que havia sobrado a cada mês, mas ela não sentia que este dinheiro realmente sobrasse, pois a cada mês só tinha o suficiente para pagar as despesas. No mês seguinte, Mayara voltou realizar o mesmo registro de uma forma mais disciplinada e detalhada, chegando a ter um fluxo de caixa diário e mensal. Neste, identificou que realmente o dinheiro que restava a cada mês não era tão alto, como o tinha percebido no anterior exercício. Porém, era o suficiente para realizar o pagamento das suas dívidas e para reinvestir no negócio na procura de aumentar a renda. Para isso, Mayara e seu marido investirão na elaboração e comercialização de marmitas. Mayara percebe a importância de obter educação financeira para poder ter sucesso no seu negócio. Seu trabalho é feito em equipe, juntamente com a sua família. Atualmente, ela encontra-se inscrita no curso Realidade Empreendedora II. TRÊS HISTÓRIAS Franciele, Elaine e Mayara são empreendedoras que demonstraram sua resiliência e criatividade em momentos de crise financeira, para criar soluções. São cientes da importância da educação financeira e de aplicar os conhecimentos adquiridos no dia dia, reformulando constantemente suas estratégias e escolhas de acordo com a realidade que vivem. Procurando a melhor forma de dar continuidade e crescimento aos seus negócios e estabilidade financeira às suas famílias.

  • Aupa Jornalismo entrevista Aventura de Construir

    O Blog AdC desta semana traz a entrevista realizada pela AUPA – Jornalismo de Impacto com Silvia Caironi e Raquel Santos, da Aventura de Construir. A entrevista, realizada pela repórter Angélica Weise, foi extraída do portal da Aupa e é reproduzida na íntegra a seguir. Confira! Com trajetória de 10 anos, a Aventura de Construir é um negócio social que capacita e acompanha o trabalho de microempreendedores das periferias de São Paulo. Até 2019, a organização já havia impactado indiretamente mais de 32.500 pessoas, segundo dados do relatório de atividades 2019. Mas como estão estes empreendimentos um ano após a pandemia? Como apoiá-los? Vale dizer que o Brasil atingiu a marca de 14,4 milhões de desempregados no primeiro trimestre de 2021, de acordo com pesquisa do IBGE. Neste cenário, muitos buscam pelo empreendedorismo. Foram 2,6 milhões de microempreendedores individuais (MEI) abertos em 2020 – um aumento de 8,4% em relação a 2019, segundo dados do Mapa de Empresas. Durante a crise advinda pelo novo coronavírus, 58,9% empreendedores interromperam o funcionamento temporariamente, afirma pesquisa realizada pelo Sebrae no início da pandemia. Todo este cenário fez com que a Aventura de Construir mudasse a forma de operação. Em 2020, o negócio social passou do presencial para o on-line. Antes eles trabalhavam, sobretudo, na periferia da Zona Oeste de São Paulo, e agora estão trabalhando em todo o Brasil. Para saber mais sobre a atuação da organização em meio à pandemia e tendo as mudanças diante do trabalho como tema principal, a Aupa entrevista Silvia Caironi, coordenadora geral da Aventura de Construir, e Raquel Santos, responsável pela área técnica de desenvolvimento Econômico e Social da ONG, sobre os desafios de quem mora na periferia, o empreendedorismo como fonte de renda, o aumento da informalidade e a queda de renda do trabalhador. AUPA – O empreendedorismo nasce com a falta de trabalho. Mas qual é o maior desafio desses trabalhadores? Silvia Caironi – A perda de trabalho tem várias declinações. Por exemplo, mulheres com filhos pequenos foram as mais afetadas pela pandemia. Nesse sentido, podem ser grandes empresas que fecham e não se preocupam com a recolocação dos próprios. Por exemplo, o banco Bradesco demitiu mais de sete mil pessoas em 2020. Porém, há várias empresas nessa mesma situação. Aliado a isso, há um embate político, como o caso das montadoras de carros. Muitas montadoras estão saindo do Brasil. Não há uma política de incentivos. Com isso, vemos que há aspectos que são da pandemia e a tecnologia está entrando com força. Mas há também uma miopia política. É isso que eu enxergo a respeito das causas da perda de trabalho. E quais são as pessoas desempregadas? São indivíduos de qualquer categoria. Pessoas que têm alto e baixo nível educacional. Então, os desafios desses trabalhadores dependem também dos níveis educacionais que detém. Na Aventura de Construir, trabalhamos com pessoas de baixa renda e baixo nível educacional. Percebemos que o maior desafio é a sustentabilidade desses microempreendedores. Eles podem ser empoderados e precisam de formação, mas não podem parar, pois precisam gerar renda para as próprias famílias. Raquel Santos – Além da perda de trabalho, é necessário observar como isso afeta a família. Por exemplo, uma pessoa casada perde o emprego. O cônjuge também começa a se movimentar. Pode ser que, até então, o parceiro ou, sobretudo, a parceira trabalhava com os afazeres de casa, o que já é árduo. Mas este cônjuge começa a querer ser um pequeno empreendedor para gerar renda. Nós trabalhamos também com a autoestima e com a valorização de pequenos passos. Obviamente, não há como dizer que está tudo bem para o empreendedor que está começando o negócio, senão quebramos a sustentabilidade financeira dos empreendimentos. Mas é preciso valorizar. Geralmente, quando começo uma capacitação, coloco o significado das palavras empreender e empreendedorismo. E um desses significados aparece no dicionário como travessia arriscada. Comento que empreender tem desafios e riscos. E é um desafio muito grande as pessoas se enxergarem como empreendedoras e recuperarem a autoestima – sobretudo quem está desempregado. Há ainda a infraestrutura. Muitos comentam que todo mundo pode virar empreendedor. E você vai perguntar para as pessoas como se faz isso e as pessoas não sabem. Estamos em um projeto que se chama Lamberti Transforma – financiado pela Lamberti, empresa do setor químico, de Nova Odessa (SP). O projeto é voltado àquela região, com foco nas mulheres. Você pergunta ao empreendedor “quantos clientes você tem?”, e a pessoa não sabe responder. E para nós, que estamos de fora e temos um olhar mais geral, se você disser que a pessoa está fazendo errado, você a destrói. O nosso método de construir é despertar o interesse da pessoa. Ou seja, despertar o interesse para que ela identifique quais são as necessidades. Não adianta eu dizer para o empreendedor que ele precisa ter um cadastro de cliente, se isso não faz sentido pra ele. Esse é um desafio do nosso trabalho. Costumamos pensar em degraus. Por exemplo, há um empreendedor, que é informal e ainda não é MEI. Eu vejo isso na primeira assessoria que fazemos na Aventura de Construir. Tenho que pensar se vale a pena sugerir que a pessoa ‘vire MEI’. Preciso pensar no planejamento dele e quais são as suas prioridades. Por isso, em toda a assessoria, passamos algumas pequenas metas e que sejam possíveis de serem realizadas. Raquel Santos – O número de informais aumentou com a pandemia. Mas, dentro do nosso universo, já trabalhávamos com várias pessoas que eram informais. O objetivo do nosso trabalho não é falar mecanicamente que essas pessoas precisam se formalizar. Contudo, todos os cursos e as assessorias que fazemos envolvem uma capacitação sobre os direitos e deveres do MEI. E, nesse movimento, mostramos o que faz sentido e que essa pessoa pode dar um passo para a formalização. Expomos quais são as ferramentas usadas e que poderiam despertar o interesse para fazer com que a pessoa veja que o MEI é uma necessidade concreta. Ao aderir à formalização, você terá direitos e deveres, além de pagar imposto. Colocamos isso de uma forma que faça sentido para essas pessoas – e este movimento está ligado à valorização. Ainda: há também alguns empreendedores que estão começando e não é possível saber se o negócio vingará. Portanto, é necessário um olhar crítico. Silvia Caironi – Um fator que levamos em conta no nosso processo de formação é o apoio à formalização. Em 2020, tínhamos desenhado um projeto que apostava na formalização. Mas decidimos, junto com o financiador, mudar e focar no tema da sustentabilidade. Em um momento como o que vivemos, com a pandemia, acredito que seja quase estrutural o aumento da informalidade. A preocupação maior não é a formalização, mas ter o mínimo de dinheiro para chegar ao fim do mês. Muda muito se o olhar é voltado ao micro ou ao macro. Quando a ênfase é no micro, há incentivos. Mas ao considerar também o macro, é preciso entender que no momento que vivemos há ainda outras prioridades. AUPA – Com a taxa média anual de desemprego no Brasil de 13,5% em 2020, a maior já registrada desde o início da série histórica em 2012, como a Aventura de Construir vê as perspectivas para os empreendedores nas periferias nos próximos anos? Silvia Caironi – Estou preocupada, pois o microempreendedorismo de periferia pode seguir existindo se houver um mínimo de poder aquisitivo no território. Contudo, o poder aquisitivo no território diminuiu muito. Já há pesquisas que comprovam que a classe média brasileira encolheu ao menor patamar em mais de 10 anos, em relação ao total da população. A classe média no Brasil também vive nas periferias. Então, se o poder aquisitivo diminui é complicado, porque o microempreendedor também não consegue gerar economia de escala – o que se consegue gerar em um grande mercado, por exemplo. Então, há um problema de economia de escala, pois é um desafio de poder aquisitivo no território. Por que coloquei os dois temas juntos? Porque se o poder aquisitivo diminuir, deveria haver esforços para que os preços não subam muito. E este é o tema da economia de escala. Vale dizer, o microempreendedor de periferia não é economia de escala. Se diminuir o poder aquisitivo, um consumidor comprará muitas vezes no grande mercado – e na quantidade que pode comprar. Ao mesmo tempo, enxergamos que não há muita possibilidade de desenvolver os territórios periféricos, senão tentando fortalecer aqueles que são os microempreendedores. Não há fórmula. E o que nós tentamos fazer? Pensar junto com eles negócios novos e criativos – ou seja, trabalhar juntos. Nesse sentido, fazemos um trabalho muito profundo de fortalecimento da rede de microempreendedores. É uma rede que não é necessariamente física, é também virtual, com diferentes lugares do Brasil se apoiando. Raquel Santos – É fundamental o fortalecimento do comércio local. Muitos empreendedores periféricos relatam situações como: “Meu vizinho compra um produto no centro e não aqui [na periferia], pois não confia na qualidade do meu trabalho”. Toda vez que os empreendedores relatam algo assim, eu pergunto para eles: “E vocês compram onde?”. Então, mais uma vez trabalhando com esse exercício de devolver a pergunta. Porque sem esse fortalecimento de rede não é possível fortalecer a economia do seu bairro e nem difundir a qualidade do seu trabalho. Então, prestigie o comércio local, compre dos pequenos. AUPA – Gostariam de acrescentar mais algum comentário? Silvia Caironi – Eu entendo que o momento é de muitos desafios, para trabalhadores formais e informais. Ao mesmo tempo, exige que as instituições cresçam, mas não em quantidade. Só que crescer não é só no sentido de ter mais benefícios e mais projetos. É, principalmente, não perder a origem e a missão pela qual se luta. E, dentro desse contexto, é importante também entender como a experiência do Terceiro Setor pode ajudar as empresas, a partir da articulação e da coordenação, que, muitas vezes, as empresas não têm.

  • Responsabilidade Social: Se não for por consciência, que seja por rigor técnico.

    O que um consumidor leva em conta na hora de escolher um produto ou um serviço? A qualidade do produto ou os valores defendidos pela marca, como tradição e confiança? Mais do que isso, as novas gerações de consumidores exigem compromissos sociais das marcas, atitudes concretas, aplicadas na vida real. Práticas responsáveis por parte das empresas e instituições. Marketing Social e Responsabilidade Social, é sobre isso que escreve Percival Caropreso para o blog AdC de hoje. Era uma vez um tempo em que gerações de consumidores definiam sua preferência e faziam suas escolhas de compra a partir de atributos de superioridade funcional, de promessas objetivas. Os PRODUTOS criavam seu posicionamento, oferecendo desempenho mais competitivo. – De zero a 100km/h em apenas 8.3 segundos – Lava mais branco porque contém o exclusivo agente XYZPlus – Protege contra os odores da transpiração por 24 horas – Dentes mais brancos, hálito fresco – Duram 25% mais Num paralelo razoavelmente justo, essas promessas factuais de superioridade tinham a ver com a visão factual que tínhamos do Consumidor: apenas um personagem demográfico, também concreto e unidimensional (classe social, faixa etária, sexo, nível de escolaridade, localização geográfica). Era uma vez, mais recentemente, uma era em que as MARCAS se vendiam com outro tipo de promessa. – Qualidade que você conhece – Nesta você confia – A sua amiga de sempre – Aproxima as pessoas – Para compartilhar momentos – Revela quem você é Esse tipo de promessa, baseada em valores emocionais e comportamentos, se aproximava mais de uma visão expandida do Consumidor: um ser psicográfico, de carne, osso e alma, mais profundo e visto com alguma perspectiva, com vontades e ambições, com medos e angústias. Saíram Produtos, entraram Marcas. Saiu o Demográfico, entrou o Psicográfico. Saíram promessas concretas, entraram seduções abstratas. Evolução técnica, de um mundo em permanente mudança. Mudança sempre existiu, só que era lenta e gradual, dando tempo para nos acostumarmos: mudança geracional. De algum tempo para cá, o que mudou foi a velocidade com que as mudanças acontecem. Não mais mudamos DE alguma coisa PARA outra coisa. A mudança é o status-quo, é a realidade permanente, acontecendo dentro de uma mesma geração a cada 15 minutos. E o que as novas gerações de consumidores, essa moçada que chega ao mercado de consumo, espera que uma Marca ofereça? Atributos físicos e funcionais, superioridade no desempenho? Não, isso é o mínimo que um produto tem que prometer e entregar, se quiser ser competitivo para o consumidor escolado e exigente. Valores emocionais cativantes, mas inócuos porque se tornaram commodities prometidas por todo mundo? Como qualidade, tradição, confiança, compreensão, ser friendly, familiaridade, sociabilidade? Não, isso acabou virando um blábláblá que não distingue uma marca da outra, pois quase todas prometem a mesma coisa, cada uma à sua moda. Cada vez mais as novas gerações de consumidores exigem compromissos sociais das marcas, praticados de fato e comprovados na vida real. Mais do que atributos físicos ou valores emocionais, eles dão preferência a marcas com um propósito no mundo. Novos consumidores esperam que as marcas tenham ATITUDE e PRÁTICA responsáveis. É um processo irreversível. Além do ensino formal e do trabalho de catequese feito pela sociedade civil organizada, a grande Mídia dissemina Informação e forma opinião. Com o tempo e principalmente com o enfrentamento da vida real, constrói-se uma CULTURA SOCIAL nas novas gerações: consciência. Hoje, vemos um consumidor se tornando cidadão, cada vez mais rico como ser humano e como ser de consumo, mais exigente. É para esse cidadão-consumidor que as Marcas têm que forjar suas imagens. Imagens que têm que se comprovar na prática, transformadas em reputação demonstrável e auditável. Agregar traços de responsabilidade social a uma marca não é tarefa para gente apenas de boa-vontade. Não se limita a ações pontuais de boa fé, beneficentes, mecênicas, assistencialistas. A tarefa também não pode ser entendida como um ponto da agenda da Presidência ou da Vice-Presidência Corporativa, uma atividade institucional da empresa. O Marketing Social deve ser parte integrante da estratégia de business e de marketing da empresa. São programas, projetos ou mesmo ações com foco estratégico maior. Partem da visão, missão, valores da empresa. Inspiram-se e respeitam a vocação, o core-business da empresa. E têm que ser auditados, têm que apresentar resultados tanto para os negócios como para o social. Se não impregnarmos uma marca e sua imagem com ações de responsabilidade social por uma questão de consciência, então que seja por interesses de negócios. Se não for por bom-mocismo, modismo politicamente correto ou incentivos fiscais, que seja por profissionalismo, por critérios e rigor técnicos. De uma forma ou de outra, é irreversível. Prefiro de uma forma do que da outra. Setor 2½ Percival Caropreso

  • HISTÓRIAS DE RESILIÊNCIA E CRIATIVIDADE EM MOMENTOS DE CRISE (PARTE 1)

    Em parceria com a United Way Brasil, a AdC desenvolveu o projeto “Sustentabilidade financeira”, que iniciou em janeiro e finalizou em abril de 2021.  O objetivo foi: Produzir pílulas de conteúdo a serem disseminadas por WhatsApp para famílias em vulnerabilidade socioeconômica. Com foco em educação financeira e formas alternativas de obtenção de renda, o conteúdo abordou aspectos em prol de maior independência e sustentabilidade dos participantes. Foram selecionadas, após uma profunda análise sobre quais eram os desafios e necessidades cotidianas do público-alvo, 20 famílias para uma jornada de assessorias personalizadas. OS NÚMEROS DO PROJETO: 20 famílias foram assessoradas; 34 assessorias individuais; 1 assessoria em grupo sobre Marketing com participação de 6 famílias; AS HISTÓRIAS DO PROJETO: Ainda que cada processo empreendedor das participantes, reflete diversas conquistas realizadas por elas mesmas, gostaríamos de apresentar a história de três participantes do projeto: Franciele, empreendedora de Coisas da Dinda, onde produz e comercializa chocolates, brigadeiros e produtos congelados, em Jundiaí- SP. Elaine, trabalha atualmente de forma temporária como conselheira tutelar e durante o projeto começou comercializar açaí, em Cajamar, SP. Mayara, co-proprietária do Burguer at Home em Jundiaí, SP. Nesta Jornada de Sustentabilidade do mês de abril, vamos apresentar a primeira da lista: Franciele, e em maio, vocês vão conferir a história de Elaine e Mayara! 1.FRANCIELE – O OLHAR ATENTO E A VONTADE EM AJUDAR! A Franciele, empreendedora de Coisas da Dinda em Jundiaí-SP, é um claro exemplo de uma empreendedora que procura o conhecimento e que tem como propósito trabalhar e ajudar mutuamente os outros, o que reflete diretamente no cotidiano do seu trabalho e na relação com o público. Franciele gostava de fazer doces para as festas de casa, encontrando a oportunidade de produzir e comercializar brigadeiros, percebendo a importância de se especializar no assunto fez um curso certificado sobre o processo de produção. Quando a Franciele estava voltando do seu período de licença maternidade, tinha poucas encomendas de brigadeiros e sua irmã, que tinha perdido o seu emprego no período de pandemia, estava realizando um curso sobre a elaboração de chocolates. Momento este no qual decidiram unir forças para trabalhar em sociedade e aumentar a quantidade de produtos oferecidos no empreendimento Coisas da Dinda. A produção é feita na casa da Franciele e a divulgação é feita boca a boca no condomínio onde elas moram. AS FINANÇAS: Franciele mostrou uma clara preocupação e interesse em ter uma adequada administração financeira, ainda mais por ter um negócio em sociedade, pois precisavam realizar uma divisão dos gastos e das receitas. Com as orientações da AdC, a Franciele identificou alguns custos de produção que antes não eram considerados, como por exemplo: Gastos de serviços como: energia, gás e água. Desgaste dos produtos utilizados (fogão, panela, etc). As assessorias foram direcionadas em capacitar a Franciele sobre como realizar uma melhor administração das finanças da família e do empreendimento. De acordo com os conhecimentos adquiridos, Franciele e sua sócia determinaram o salário (pró-labore) que cada uma deveria receber. A partir disso, Franciele começou a ter um registro, à mão, das finanças familiares e do negócio, para assim poder ter um controle financeiro. A GESTÃO DO TEMPO: Outro desafio enfrentado pela empreendedora foi o acúmulo de tarefas e a falta de um planejamento para definir a ordem de prioridade e o tempo destinado a cada atividade. Franciele e a sua irmã tem filhos pequenos que nos tempos de pandemia, estão o dia todo sob o cuidado das mães, demandando tempo e atenção, pelo que realizar a produção, comercialização, divulgação, administração do empreendimento e o cuidado dos filhos, estava sendo uma grande complicação para a Franciele, até o ponto dela pensar em desistir de empreender. Nesse sentido, AdC sugeriu e assessorou a Franciele sobre como realizar um planejamento do seu tempo. A empreendedora organizou e dividiu as atividades e tarefas a serem realizadas no lar e no empreendimento, estabelecendo horários para sua execução, e inclusive como disse a Franciele ter um tempo para descansar. A DIVULGAÇÃO: Durante o projeto, Franciele identificou outro eixo a ser melhorado no empreendimento: a divulgação correta dos produtos. Conversou e explicou a situação para a sócia, e juntas, elaboraram um plano para mudar a forma de divulgação e entrega dos produtos. Hoje a divulgação dos produtos é feita com um cardápio no qual descreve os produtos e o preço de cada um e as vendas são sob encomenda, evitando ter perdas de produtos, como já aconteceu no passado e conseguindo ter uma organização do tempo necessário para a produção. ENVOLVER A FAMÍLIA: Respeito, às entregas no condomínio são feitas pelo seu filho de 7 anos, para quem ela realiza um pagamento simbólico pelo seu trabalho, como ela disse nas suas palavras: “Meu filho está super feliz com isso, ele se ofereceu me ajudar, pois mostrei para ele o dinheiro que o trabalho nos traz, mesmo ele não tendo noção de valor, ele se animou”, ensinando desta forma á seu filho a ser protagonista e ajudar no desenvolvimento familiar. Durante as assessorias e outros contatos com a Franciele, foi possível perceber que um dos seus objetivos é se tornar uma empreendedora cada vez mais profissional. E para tornar esse objetivo possível, Franciele colocou a mão na massa, realizou uma reflexão honesta, identificando seus erros e aos poucos, tentando superá-los, e ela não o trabalha sozinha, ela tenta ajudar e ensinar a sua família a gerar soluções e trabalhar em equipe, pelo bem-estar da mesma. Registro fotográfico da segunda assessoria realizada com a Franciele. Instagram: @coisas.de.dinda

  • Lamberti e Aventura de Construir, Parceria Transformadora

    O projeto Lamberti Transforma, parceria da corporação química internacional Lamberti e da Aventura de Construir, começou visando fortalecer de forma sustentável o protagonismo de mulheres mães, duramente afetadas pela pandemia. Com foco inicial na região de Nova Odessa, sede da Lamberti Brasil, hoje o projeto abrange muito mais. Através de tutoriais, acompanhamento e ideação de soluções micro empresariais, se estão identificando e desenvolvendo negócios tradicionais e sociais comandados por estes microempreendedores. No dia 23 de março de 2021, o diretor-geral na América Latina do grupo Lamberti, Leonardo Valentinis, e a coordenadora-geral da Aventura de Construir, Silvia Caironi, tiveram uma conversa mediada por Alannah Guerrero sobre a parceria que originou o projeto Lamberti Transforma! Confira os principais assuntos extraídos dessa interessante conversa: Como tudo começou: Leonardo conta que conheceu Silvia através de um amigo em comum e foi convidado para fazer parte do Conselho Consultivo da ONG dirigida por ela, a Aventura de Construir (AdC). Leonardo nunca buscou diretamente o trabalho voluntário, e nunca desejou para si a imagem de “Bom Samaritano” que permeia os estereótipos relacionados a esse tipo de atividade, mas, ao conhecer o trabalho da AdC decidiu fazer parte, como relata em suas palavras: “Percebi que é uma coisa boa, conduzida por pessoas que fazem isso realmente se dedicando, se doando ao que estão fazendo e que não tem um discurso ideológico por trás, sendo realmente uma iniciativa cujo objetivo é gerar participação, gerar condições para que as pessoas possam viver melhor, então eu gostei da proposta” (Leonardo Valentinis) Início do Projeto Lamberti Transforma: Sobre o surgimento da ideia de um projeto em parceria com a Lamberti, Leonardo Valentinis relata que, ao acompanhar o desenvolvimento da proposta de sustentabilidade do grupo Lamberti e a produção de seu primeiro relatório de sustentabilidade em 2019, sugeriu essa parceria ao Conselho Diretor do grupo Lamberti, informando que, se eles pretendiam realmente iniciar projetos de cunho social, tínhamos uma ótima oportunidade aqui no Brasil! E como ele bem disse “Tudo que gera bem nasce de uma pessoa, não nasce de uma ideologia nem de uma definição “a priori” de alguma instituição…nasce da vontade de uma pessoa, e comigo foi assim também.” (Leonardo Valentinis) Conhecendo o trabalho da instituição, sua seriedade e a dignidade com que conduzem o trabalho, Leonardo acreditou ser um projeto que a Lamberti pudesse abraçar como companhia, não para colocar “medalhas no peito” ou criar qualquer imagem de benfeitores e sim por enxergar uma afinidade entre a visão das duas empresas, como ele relata: “O objetivo é criar riqueza no sentido de criar trabalho, então existe uma afinidade aí […] a gente gera valor, e valor não é algo que acaba em si…valor gera valor, gera crescimento e a AdC atua assim também. […] Você pode fazer o bem de várias maneiras: dar 5 reais à alguém no farol, doar pacotes de fraldas, doar cestas básicas (como fizemos doando 200 cestas à prefeitura de Nova Odessa), tudo isso é fazer o bem, e não é questão de melhor ou pior, é questão de maior afinidade com o método. Eu achei que participar de alguma coisa que não é puramente assistencial, mas que dá ferramentas para as pessoas caminharem com as próprias pernas seria algo mais afim à nossa maneira de ser (no grupo Lamberti). Para mim, as duas iniciativas tem valor, […] você pode dar assistencialismo ou realizar um projeto como o Lamberti Transforma…por isso não existe esquema à priori, as coisas acontecem conforme a necessidade e o entrosamento dos envolvidos. Minha contribuição foi sugerir essa parceria e através de minha rede de contatos abrir caminho para que mais empresas façam o mesmo.” (Leonardo Valentinis) Criando Valor Compartilhado: Na visão de Silvia Caironi o principal diferencial de se trabalhar em parceria com uma empresa privada, como a Lamberti, ao invés de contar com recursos públicos ou de outras fontes é a criação de valor compartilhado: “Empresa privada precisa ver um dinamismo, […] uma flexibilidade, é nesse sentido que introduzo o conceito de valor compartilhado. Trata-se de construir um valor, que não é só para a ONG ou para os beneficiários, e sim para todos os stakeholders do projeto. Se define junto, se enxerga junto…aí está a maior diferença entre trabalhar com empresas privadas e contar com financiamento de outras fontes. É partilhar uma visão e construir juntos uma proposta que responda a esta visão! Por exemplo, quando eu conheci o Leonardo, me impressionou muito quando fomos encontrar alguns microempreendedores e ele me falou “ – Você entende a diferença entre nós, que conseguimos estudar em boas universidades, e essas microempreendedoras? A diferença são as oportunidades que nós tivemos e elas não, não é caso de falta de potencial.” (Sílvia Caironi) O método adotado no projeto Lamberti Transforma para gerar valor compartilhado é olhar primeiro para a pessoa e para a sua realidade, então entender aquilo que pode gerar um diferencial nesse contexto e o que se deve fazer para construir oportunidades melhores para essa pessoa e para seu micro empreendimento. Assim, se unem os aspectos técnicos e humanos na construção dessas oportunidades para que a iniciativa seja realmente transformadora para todos os envolvidos desde as microempreendedoras que fazem parte do projeto até os consultores da AdC e os voluntários da Lamberti, como comentam Leonardo e Silvia: “Se não tem o aspecto pessoal envolvido fica meramente protocolar, […] antes de cumprir normas, somos pessoas. Quando trabalhamos, às vezes, é como se uma parte de nós ficasse para fora…mas nesse projeto, se não fosse o aspecto pessoal, não teria vingado, […] não teríamos nos envolvido. […] E o valor compartilhado que isso gerou foi acionar as energias das pessoas dentro de nossa empresa, enxergamos um profissionalismo nos voluntários que de outra maneira não teríamos percebido […] é uma retroalimentação que gera um crescimento e que […] abre espaço para outra maneira de enxergar o relacionamento entre as pessoas dentro da empresa, (Silvia: E de descobrir novos talentos!), isso, descobrir novos talentos, e isso são coisas que […] ocorrem de maneira inesperada, mas que geram diferencial! Percebi nas nossas pessoas envolvidas a generosidade e a entrega com que […] se prontificaram a fazer isso…eu não fui pressionar ninguém, foi livre…então acho que isso é um caminho que está levando a uma direção boa.” (Leonardo Valentinis) Responsabilidade Social com Pessoas Integrais: “Toda empresa chega a um momento, e eu acho que esse momento chegou para nós, em que é necessário assumir sua responsabilidade não só na geração de riqueza (como produtos, bens e serviços), mas uma responsabilidade também no contexto social. Por enquanto estamos vendo que iniciamos esse caminho com a AdC na direção certa[…], porque você cresce como organização, como pessoa e toma um caminho diferente […] não sabemos até onde ele chega e até onde vai mudar nossa maneira de ser e de trabalhar, mas já está trazendo mudanças…e isso é bom […], é uma mudança que permite que as pessoas possam ser elas mesmas dentro da empresa…eu diria que este é o ponto principal: estamos vendo que cada pessoa pode ser uma boa pessoa e um bom profissional, sendo uma pessoa integral…e não parcialmente ela mesma no ambiente de trabalho.” (Leonardo Valentinis) “O desafio de um projeto é aceitar que, apesar do planejamento, tem coisas que se conhecem e outras que não se conhecem […] e que podem gerar imprevistos, mas […] esses imprevistos são as reais surpresas de um projeto! O mais importante é (permitir) que o que fazemos possa nos surpreender…entendo que estamos no início deste projeto, porque só trabalhamos um mês com as beneficiárias … então não sabemos o que vai acontecer, mas se temos a tenacidade de manter a pessoa ao centro, de admitir que não sabemos o que é o melhor para os outros e damos a oportunidade dessas pessoas descobrirem quais são suas necessidades, pois isso se revela com o tempo …não é uma coisa que as pessoas já sabem antes…não sabemos antes, precisamos que as pessoas se sintam elas mesmas, num espaço seguro no qual podem comunicar tudo, dificuldades, dúvidas, problemas, coisas boas, isso se torna um ambiente de construção…de construção da pessoa e do empreendimento.” (Silvia Caironi) E assim teremos sucesso! Finalizamos a conversa com uma citação lembrada por Silvia e que resume as surpresas que podemos encontrar quando permitimos que as pessoas sejam elas mesmas e as mantemos no centro da construção: “Se você quer construir um navio, não chame as pessoas para juntar madeira ou atribua-lhes tarefas e trabalho, mas sim ensine-os a desejar a infinita imensidão do oceano.” (Antoine de Saint-Exupéry)

  • Como escolher panelas mais saudáveis para cozinhar

    Ao pensar em uma alimentação saudável, muitos se preocupam com os alimentos que são consumidos, mas ignoram os utensílios que são utilizados em seu preparo. Estes podem interferir diretamente na qualidade do prato, prejudicando ou agregando ao valor nutricional da preparação. Existem panelas e tecnologias desenvolvidas para atender um público que preocupa-se com a saúde. Materiais específicos são mais recomendados para a preparação de alimentos, enquanto outros podem soltar resíduos e comprometer o bem-estar. Saiba escolher as panelas mais saudáveis para cozinhar e inclua utensílios de qualidade em sua rotina alimentar. Confira: Por que devo escolher uma panela mais saudável? Dietas, prescrições alimentares e o cultivo de uma vida mais saudável têm sido preocupações frequentes de muitos brasileiros que anseiam por uma vida mais fitness. Com o incremento da ciência e tecnologia, diferentes marcas e produtos são lançados na linha de utensílios para cozinha que podem contribuir com esse cotidiano saudável, criando facilidade no manuseio combinado com a segurança para a saúde. Escolher uma panela mais saudável para a preparação de seus pratos, assim como praticar os cuidados necessários para armazenamento do material, é ideal para criar alimentos seguros à saúde. Deve-se atentar principalmente para que esses materiais não soltem resíduos no momento de cozinhar e possam afetar não somente o paladar, mas também a qualidade nutricional. Como escolher a panela ideal para preparar comidas mais saudáveis Tipos de materiais Alumínio As panelas de alumínio são consideradas as mais perigosas à saúde e deve-se evitar a compra e consumo de utensílios fabricados neste material. Ainda que sejam mais baratos, leves e ótimos condutores de calor, podem gerar mais desvantagens que benefícios ao longo de seu uso. O alumínio pode soltar-se na comida durante a sua preparação, deixando no alimento resquícios do material, que são rapidamente absorvidos pelo corpo. Estudos mostram que sua toxicidade pode estar relacionada com a doença de Alzheimer e possui propriedades cancerígenas. 2. Inox Panelas de aço inoxidável são fabricadas com uma combinação de crômio e níquel, ambos componentes que podem gerar uma série de problemas de saúde aos seus utilizadores nas preparações alimentares com esse equipamento. Ainda que essas panelas sejam resistentes e duráveis, seus resíduos podem causar dores de cabeça, problemas gastrointestinais, hipertensão, doenças cardiovasculares, problemas no fígado e/ou rins, complicações neurológicas e até mesmo apresentam componentes cancerígenos. 3. Cobre O poder de condução das panelas de cobre é muito potente, tornando-se um ótimo metal para esta finalidade, permitindo que a comida seja preparada de modo mais regular, porém seu contato direto com o alimento não é uma prática saudável. O metal diretamente conectado com a comida pode proporcionar a contaminação do prato a ser preparado, podendo causar os mesmos problemas que o crômio e o níquel citados acima. 4.Teflon antiaderente Panelas e frigideiras antiaderentes são ótimas opções para a saúde e preparação de pratos com utensílios deste material, pois o teflon é quimicamente inerte e, ainda que hajam resquícios do material, este não é absorvido pelo corpo, sendo rapidamente eliminado pelo organismo. 5. Ferro fundido Panelas de ferro fundido, como muitas panelas de pressão, são indicadas à saúde, além de serem materiais bastante resistentes e que suportam altas temperaturas. Durante a preparação com panelas de ferro fundido, algumas partículas do material desprendem-se e enriquecem o alimento, tornando-se uma forma natural de ingestão de ferro que pode combater algumas doenças como a anemia. 6. Cerâmica ou vidro temperado Ainda que sejam materiais mais frágeis, as panelas de cerâmica ou vidro temperado são opções mais saudáveis para cozinhar, pois são inócuos, sem a liberação de qualquer tipo de partícula ou resíduos que possam afetar nutricionalmente as preparações, garantindo a integridade dos alimentos. 7. Pedra sabão Ainda que seja pouco comum, panelas de pedra sabão também são bastante recomendadas para a preparação de alimentos favoráveis à saúde. Não há a liberação de resíduos ou partículas do material durante a preparação dos pratos, proporcionando comidas íntegras e com valor nutricional de origem, também sem afetar o sabor dos alimentos. É necessário adaptar as receitas que serão preparadas ao tipo material das panelas que serão utilizadas, sendo que cada opção mais saudável possui suas limitações e indicações. Em panelas de teflon antiaderente, podem ser preparados pratos sem grudar no material, principalmente carnes e legumes sem o uso de óleo. Carnes e frituras podem ser preparadas mais facilmente em panelas de ferro fundido. O vidro temperado ou cerâmica não devem ser levados diretamente ao fogo, sendo ideais para preparações no forno. Já as panelas de pedra sabão normalmente são utilizadas acima de grelhas para preparar carnes e churrasco. Escolher panelas mais saudáveis para cozinhar pode contribuir para o bem-estar e saudabilidade dos alimentos, contribuindo para o valor nutricional e também para o sabor original dos alimentos, valorizando as preparações. Panelas que liberam resíduos nocivos à saúde devem ser evitadas, enquanto materiais como teflon antiaderente, vidro temperado, cerâmica, pedra sabão e ferro fundido podem ser apostas para pratos mais saudáveis. Autora: Beatriz Crinha Organização: Cozinha Profissional – Este conteúdo foi produzido pela autora Beatriz Crinha em uma parceria realizada entre a Aventura de Construir e o Cozinha Profissional

  • A Síndrome do Zorro

    Entre as lacunas do terceiro setor e a ambição dos profissionais de marketing, Percival Caropreso, membro do nosso Conselho Consultivo e grande inspirador, encontrou um plano onde fazer o que faz de melhor: comunicar a responsabilidade socioambiental para empresas e organizações do terceiro setor. Neste artigo, por mais antigo que seja, Percival remonta os obstáculos encontrados na construção de uma equipe vocacionada a comunicar causas socioambientais! Um tema abordado de uma forma tão atual quanto a causa em si. O vilarejo em apuros, a comunidade em pânico. Vilões assaltam o único banco, saqueiam as lojas, põem fogo nas casas. Surram os homens, desorganizados, sem liderança e sem uma defesa articulada. Espancam as crianças, estupram as mulheres. Os vilões atuam livremente, diante das forças policiais inoperantes, porque incompetentes ou despreparadas ou apenas desinteressadas, talvez corruptas. Mas eis que chega o Zorro e faz a sua parte. Afugenta os bandidos, mata alguns. Recupera o dinheiro do banco, devolve as mercadorias das lojas, apaga os incêndios. Salva as mulheres e as crianças. O Zorro atua diante do olhar passivo das forças policiais inoperantes, porque incompetentes ou despreparadas ou apenas desinteressadas ou talvez corruptas. Para falar a verdade, muitas vezes o Zorro atua também contra as forças policiais inoperantes, que teimam em atrapalhar seu trabalho em defesa da comunidade. Final feliz. Todos se abraçam, todos se emocionam, dão graças aos Céus e voltam-se para agradecer àquele mascarado maravilhoso. Cadê o cara? Do alto de uma colina, contentando-se com a sensação egocêntrica de quem acredita ter cumprido com o seu dever imediato, Zorro empina o cavalo e se despede. Egoisticamente feliz, como quem cumpriu com sua obrigação, não fez nada de mais. Afinal, é da sua índole, é da sua natureza ser discreto. Ele tem lá seus problemas. Por quê? O Zorro é sinceramente tímido? Orgulhoso, pero encabulado? Falsomodesto, aguardando a multidão gritar “Fica! Fica! Fica!”. Herói cheio de complexo de culpa, que se envergonha dos aplausos? Celebrar não faz parte do core-business do Zorro? Será falta de tempo? Será falta de verba? Será falta de um trabalho consistente? De qualquer forma, o Zorro é um herói mascarado maravilhoso, mas nada exemplar. Por que ele não trabalhou estruturalmente com a comunidade, depois que sua ação emergencial resolveu aquele problema pontualmente? Por que ele desperdiçou seu carisma, não reuniu o povo agradecido e discutiu o ocorrido, pedagogicamente? Por que ele não se preocupou em identificar os líderes naturais daquela gente e não os mobilizou para serem protagonistas? Por que ele não ensinou o vilarejo a se organizar para um próximo ataque? Por que ele não usou sua competência para capacitar a população nas artes da defesa coletiva? Por que ele não aprofundou sua ação, não buscou formar uma estrutura que permitisse à comunidade construir sua própria auto sustentabilidade (ou autodefensibilidade, no caso)? Por que ele não ensinou aquela gente a se unir com outras comunidades próximas, vizinhos também expostos às mesmas ameaças, para formar uma rede solidária de defesa? Por que ele só teve um gesto salvador de bravura momentaneamente e não construiu algo que permanecesse pra sempre naquele vilarejo? Uma nova consciência, por exemplo Este é o sintoma número 1 da Síndrome de Zorro: contentar-se com a ação em si, que se esgota nela mesma, com seus efeitos imediatos e efêmeros. O sintoma número 2 da Síndrome de Zorro começa na própria máscara: o Zorro não mostra a cara. O Zorro não divulga seus atos. O Zorro omite suas ideias. O Zorro esconde seu jogo. O Zorro acredita que sua ação social será reconhecida espontaneamente e, se isso não acontecer, tudo bem, não lhe fará falta. Este tipo de comportamento calado e inseguro é natural, consequência da Síndrome número 1 (atuar isolada e pontualmente). Pode parecer arrogância ou inocência, que são irmãs de pecado. Mas, no caso do Zorro, é falta de foco mesmo. Ele não se sente responsável pelo que acontece com o povoado. Ele é apenas um assistencialista caridoso. Ele só ampara, socorre. O Zorro não comunica o que faz, porque não o faz estrategicamente. Porque sua atuação social é tática e errática. Ela não está integrada a um pensamento corporativo ou a um plano de negócios de longo prazo, em parceria comprometida com o Terceiro e o Primeiro Setor. Porque sua atuação social não faz parte do negócio em si. Portanto, nada é planejado, nada é auditado, os resultados são pequenos e ao acaso. O Zorro trava batalhas avulsas, não uma guerra pensada. Com o seu silêncio, o Zorro perde a chance rara de fazer uma bela campanha de divulgação, séria, responsável. Sem comunicação, o Zorro não presta contas de seus feitos, não aumenta sua credibilidade, não recruta adesão, não gera engajamento, não constrói sua imagem de marca, não se diferencia dos heróis concorrentes. E o pior de tudo: sem comunicação, o Zorro despreza sua força inspiradora. Zorro não estimula o surgimento de novos Zorros, que se entusiasmem com seu sucesso, repliquem seu trabalho e atuem em rede com ele. O Zorro não entende nada de exemplaridade. Tem gente que diz que o Zorro é assim mesmo, solitário e na dele, prefere atuar sozinho e sem alarde. Dizem que ele acha cabotino e oportunista, que é muito feio se promover às custas de suas ações a favor do Bem. Sei lá, para mim o Zorro é um tonto. Setor 2½ Percival Caropreso

  • AdC Entrevista: David Maderit

    David dos Santos – de nome artístico David Maderit – é um rapper criado na Brasilândia, periferia da zona norte da cidade de São Paulo. Desde o segundo semestre de 2019, acompanhamos sua trajetória empreendedora. Possui um estúdio de música chamado Beat Orgânico, um empreendimento de impacto social que estimula os jovens da comunidade a buscarem uma vida mais digna e cientes da sua cidadania. Nesses quase dois anos de relação, David participou de momentos marcantes na Aventura de Construir, como o evento ProtagonizAí e os projetos Fortalecendo Protagonistas e Crescendo em Rede. Quer conhecer um pouco mais deste protagonista? Então confere a entrevista realizada com ele! Para iniciarmos nosso bate-papo, o David compartilhará um pouco da sua trajetória na Brasilândia. Minha mãe era líder comunitária na Brasilândia. Nós viemos para cá, por volta de 1988. Fomos uma das primeiras famílias, de um total de 400. No espaço no qual estamos conversando aconteceram várias coisas: aula de idiomas, também foi creche comunitária. Ela criou uma associação de mães chamada “Associação de Mães Santa Luzia” e trabalhou nesse espaço cuidando das crianças. Muitas pessoas que estão fazendo projetos, passaram pelos projetos daqui. Tem um menino chamado Marcelo Louzada, ele assina Mano Louzada, ele fez curso de espanhol aqui e hoje trabalha com iluminação de eventos, é bastante conhecido. Tem outra pessoa, ele se chama Leandro Léo e fez a novela “Rei Davi” na Record, fez “Vidas Opostas” e várias outras novelas, fez uma música com a Maria Gadú, “João de Barro”, ele também era daqui. Ele morava no Rio de Janeiro e veio para São Paulo, encontrei com ele no dia 25 de janeiro do ano passado e ele estava fazendo show com a Filarmônica de São Paulo, no Ibirapuera. Eu fiquei pra conversar com ele e ele disse: “Porra, David! Eu quero ir lá pra ver como está! Vamos voltar! Vamos fazer alguma coisa lá!”. Só que aí veio a pandemia e ele não conseguiu vir ainda. Ele queria vir tocar, né?! Mas aí também não deu. Desde esse tempo, esse pessoal vem vindo. Filho de projeto. Gente que participou de projeto social. Teve também um tempo em que o pessoal daqui precisava comer e minha mãe começou a fazer um evento que consistia em um almoço de Natal para todo mundo, a favela inteira, no dia 24 de dezembro, e movimentava tudo nesse almoço de Natal. Esse almoço aconteceu por 10 anos seguidos. O último foi em 2006, pois minha mãe pensou: “talvez não precise mais” que as coisas vão seguir de forma tranquila. Minha mãe faleceu em 2007, mas a gente conseguiu resgatar muitas das mulheres que trabalharam com ela naquela época. Então toda essa gratuidade, esta generosidade nasce como um legado da sua mãe? Sim. Ela fez parte do MDF (o Movimento de Defesa dos Favelados), porque isso aqui não era tudo assim. Era tudo barraquinho. Meus irmãos, os dois, um que tá aqui e outro que tá morando em outro lugar, foram DJ’s nas equipes de baile de São Paulo. Então eu ia nas lutas de movimento com a minha mãe, porque não tinha com quem ela me deixar. Tinha que ir com ela no final de semana. Quando você era criança? Sim, eu tinha uns 8 anos. Aqui dá para ver, foi para um evento de uns americanos que vieram. Deram como presente pra eles levar embora, então a gente escolheu essas fotos. E aí a minha influência é essa, né?! Porque eu já vim desse movimento de moradia com a coisa da música. Aí fui pro RAP e estou desde 90 e poucos Em 2001, eu trabalhei na Escola Aprendiz, que é uma das maiores, com Rubem Alves e Gilberto Dimenstein. E eu aprendi a fazer projeto lá com eles. Então tudo o que sei de projeto vem de lá. Mas passou pela Ação Educativa também. Já vinha escrevendo desde aí, pois aprendi a escrever com eles e venho seguindo desde aí. Então tem uns 20 anos que você está envolvido, né? Mais ou menos. Eu passei pela Cidade Escola Aprendiz, passei pela Ação Educativa, passei pelo Sou da Paz, passei pelas católicas, quase todas. Os franciscanos, jesuítas, Lar de Maria, passei pela maioria delas. Acho que a maioria das coisas foram assim, e aí você vai aprendendo, né?! Eu tinha essa coisa de escrever pra tudo. Eu escrevo pra tudo. Às vezes vem, às vezes não vem. Nessa trajetória tem VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), acho que têm 4 ou 6. Têm dois ProAC (Programa de Ação Cultural). Você conseguiu alguns projetos VAI? Quase todos. O “Beat” é do VAI, durou 2010/2011. Em 2012, a gente colocou o “De Fio a Pavio”, que durou 2012/2013. Já em 2014, eu não fiz nada. Em 2015, também não. Em 2017, veio o coletivo “Nóis da Viela”. O coletivo se chama “Nóis na Viela”? É. Coletivo “Nóis da Viela”. Foi o “Nóis da Viela” que eu escrevi também. Fora isso tem o prêmio “Sabotagem”. Eu sempre montei uns fiozinhos para fazer som, gravar meus próprios RAPs, produzir minhas próprias coisas. Só que em 2009 perdi alguns trabalhos, saí do trampo e peguei o dinheiro para investir em conhecimento. Trabalhava com o quê? Ainda numa ONG. Eu trabalhei no ProJovem também dando aulas de qualificação profissional para lá, depois saí do ProJovem e estava começando numa ONG. Peguei o dinheiro e investi em um curso, onde eu já saí empregado. E aí fui pro Clube da Turma no M’Boi Mirim, saindo da Brasilândia e indo trabalhar lá na zona sul. E o Clube da Turma do M’Boi Mirim, na época, era quando o “Criança Esperança” tinha acabado de sair de lá. Eles devolveram o espaço do Clube da Turma do M’Boi Mirim e vieram para Brasilândia (pro Espaço Fazendinha). E aí tinha um menino que morava lá no Jardim Ângela e trabalhava aqui. E eu que morava aqui, trabalhava lá e uma hora a gente resolveu trocar. Aí vim pra cá pra Brasilândia, meu estúdio veio também. Do lado de uma biblioteca a gente conseguiu fazer um estúdio com caixa de ovo, isopor e espuma e gravando de graça. Por isso quando eu falo que metade do rap da Brasilândia passou na minha mão, foi aí. Fiz também uns estágios, uns trampos pro CCJ (Centro Cultural da Juventude). Na verdade, minha mãe foi uma das pessoas que pensaram para aquilo ser aquilo. Eles reuniram as lideranças e perguntaram o que ia fazer. A ideia era ser um sacolão ou uma ETEC, se não me engano. Na verdade, naquele tempo era FATEC. A ideia era uma FATEC ou ser um centro cultural. Ela foi uma das pessoas que brigou para ser um centro cultural. Então você se enxerga aqui como um articulador, uma pessoa que ajuda, tem essa sensibilidade e, ao mesmo tempo, esta capacidade de articular? Sim, a gente nunca quer ser. É uma responsabilidade grande. Essa ideia do coletivo foi isso, eu passava na rua e as pessoas falavam “David, tem muito lixo!” ou “David, estão roubando aqui!” e eu pensei que a gente precisava fazer alguma coisa e foi onde eu fiz o grupo do WhatsApp com todas as pessoas que vinham falar comigo. Depois que o grupo foi montado, a gente precisava pensar no que fazer, enquanto umas pessoas entravam e outras saiam do grupo, acabou formando o coletivo. Sobre o lixo de lá, ainda estamos brigando em relação a esse problema. Tem várias brigas que a gente luta, e não sei como resolver. Representatividade política é o que falta! Pode falar um pouco mais sobre como você enxerga as questões de articulação política? Nunca pensei que precisasse, pois a gente sempre conseguiu coisas de outras formas. Mas atualmente eu percebo que isso está começando a se tornar mais necessário. Ano passado a gente apoiou os candidatos que queriam vir e mostramos os problemas, pois a gente quer construir e não adianta simplesmente pegar alguém e apenas apoiar. Esses tempos passou uma adutora por lá, quebraram a viela inteira, a SABESP (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) disse que era para passar mais água por um cano maior e avisou que era para cada um comprar seus cavaletes e relógios. O pessoal comprou tudo e nunca mais voltaram. A gente vai na SABESP e não acha, então o descaso com o público é muito grande. A única coisa que a gente não reclama é o transporte público, temos 8 linhas de ônibus, mas de resto… Você já tem uma bela trajetória, né?! Por que você foi procurar a Aventura de Construir? E o que a Aventura de Construir trouxe para você depois de toda essa jornada que você estava desenvolvendo? Nunca levei muito a sério essa questão do estúdio, então acho que esse negócio de me formalizar me fez vir para a Aventura de Construir. Eu conheci vocês lá na Associação de Moradores da Cleusa. A minha companheira já participava e ela perguntou se eu poderia ir, pois ela não podia, e eu disse: “claro, não estou fazendo nada”. Eu fui na reunião e ouvi a Raquel falar. Não consegui falar com ela quando terminou. Mas ela disse: “depois a gente conversa”. No final do ano encontrei a Taynara e ela me disse que achava os meus projetos legais e que a gente podia tentar escrever. Foi importante a Aventura de Construir porque eu gravei muito pouco ou nada durante a pandemia e o que me ajudou muito foi o carro do ovo (ICE e AdC juntos para enfrentar a pandemia!), fazer as vinhetas e correr com ele. Daquilo que a gente começou com a Aventura de Construir, rendeu mais parcerias com o pessoal daqui, além de outros projetos; a gente fez o carro do ovo e o pessoal estava pagando para pegar umas cestas orgânicas lá na Freguesia do Ó para trazer e poder distribuir. Pensei o seguinte: “O carro do ovo tá aí, vamos fazer porque a gente tem 3 carros para ir buscar”. Por semana a gente carregava mais de 150 kits de saúde e cestas básicas. No carro só vinha eu e mais 22 cestas, que era uma cesta grande de orgânico, aí vinha o Brava, o Corsa e o Pálio cheio de cesta. A gente fazia esse rolê toda sexta-feira. Fora isso tinha o projeto da Companhia Teatro da Laje, que a gente também começou a fazer essas coisas para pegar doação. Se desse para ir, a gente pegava sempre. Você que participou do projeto Crescendo em Rede, quando pensa em rede, o que te vem à cabeça? Uma rede onde todo mundo tá ligado de alguma forma. Eu acho que em uma rede, quando todo mundo tá ligado sempre, tem aquela questão de fidelidade e lealdade, sabe? Eu acho que sou muito mais leal do que fiel, entendeu? Então eu acho que é o que a gente está falando, cada um tá rodando no seu lugar, mas sabe da necessidade do outro e sabe que pode procurar a ajuda do outro. Isso para mim é lealdade. Por isso eu acho a lealdade mais valorosa. Para mim, rede é isso aí; fortalecer o vínculo com as pessoas até que chegue nesse nível de troca de todos os jeitos, seja informação, contato, grana… Quando a gente era colocado em grupos [de Whatsapp] menores e conversava sobre os problemas e dificuldades, acho que aquilo ali era uma afinidade. E aí cria pessoas que você pode procurar depois, né?! Tem uns nomes ali que eu guardei. E como você sente a relação com as pessoas dessa rede? Agora mais distante. Porque ali tinham pessoas que eram super estruturadas, outras que estavam se estruturando. Eu, nesse projeto, era uma pessoa que estava me estruturando. Eu escrevo muito para rede social, mas escrever sobre impacto social para mim é diferente. Toda vez que vai precificar, eu já tenho dificuldade. Para encerrar, nos conte sobre os seus projetos atuais. Eu estou com um projetinho que, na época, tinha 4 anos, e hoje tem 6. Eu tenho uma equipe que veio do coletivo e também não sei se vai seguir. Quando a gente montou a ideia, que seria doar um dia do mês – esse dia seria o primeiro sábado do mês – chegando no sábado, a gente já podia cobrar a pessoa porque é uma coisa que ela quer fazer. Estando em coletivo, a gente não tem hierarquia, lógico que tem aquela coisa de “vocês chegaram em mim primeiro”, então vou ter que dar uma palavra aqui. Eu falo pelo coletivo, não tem como.

  • Turismo que transforma: conheça o Roteiros Velho Chico

    A Jornada de Sustentabilidade do mês trás o empreendedor social Leidson Nunes e sua agência de turismo, a Roteiros Velho Chico , localizada em Itacarambi, ao norte de Minas Gerais, a agência oferece roteiros de ecoturismo aos visitantes e se envolve com a profissionalização da atividade turística nas comunidades locais, por meio de atividades como palestras, rodas de conversa, estruturação de conselhos e câmaras temáticas. Conheça mais sobre o empreendimento social nessa postagem e seus projetos criativos. “Nosso coração é a transformação de potencial turístico em produto turístico. Produto que vai gerar renda e valor para essas pessoas. Que construímos escutando as lideranças comunitárias.” É assim que Leidson Nunes, fundador do Roteiros Velho Chico, define a RVC (Roteiros Velho Chico). Localizada no norte de Minas Gerais, iniciou as atividades em 2012, especializando-se no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e tudo que a região, banhada pelas águas do Rio São Francisco, tem a oferecer aos turistas: a experiência de conhecer as maravilhas naturais enquanto imerso na cultura local. A articulação em torno do potencial turístico da região vem da paixão de Leidson pela região e seus encantos, que é muito diferente da imagem que persiste no imaginário geral de que seria uma região estéril, casa de pessoas em situação de miséria. Ao passo que quebra tais estereótipos sobre o local e seu povo, a RVC enfrenta o que entende como problema central para o desenvolvimento da região: a baixa renda da população e seus efeitos, como desvalorização do próprio trabalho e baixa auto estima. Paisagem do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu. Ao longo dos anos, Roteiros Velhos Chico mobilizou e mobiliza organizações locais de pequenos produtores, envolvendo-os na construção de roteiros turísticos que constituam um impacto real em suas rendas e produções. Hoje conta com sete principais associações parceiras de comunidades do entorno do Parque Nacional, que contabilizam mais de 40 pessoas impactadas. Desde 2012 a RVC já proporcionou a descoberta dos encantos do norte de Minas Gerais para mais de 900 pessoas. Oferecendo roteiros turísticos de 1 a 7 dias de duração, os visitantes adquirem uma média de 15 produtos locais em suas estadias, injetando dinheiro nas comunidades através de roteiros por elas pensadas e protagonizadas. Geração de renda e trabalho, estamos falando de um negócio de impacto social! Leidson Nunes participou conosco do projeto Crescendo em Rede, ao longo do qual compartilhou suas experiências empreendedoras de forma extremamente ativa e solicita, sendo o Roteiros Velho Chico um dos empreendimentos contemplados pelo capital-semente Crescendo em Rede. Ao longo das assessorias individuais, Leidson estruturou o Plano de Negócios do empreendimento. No ano de 2019 o faturamento da RVC possibilitou que o empreendedor criasse um caixa do empreendimento, guardando cerca de 20% do faturamento total. O que possibilitou a sobrevivência em meio à pandemia do empreendimento foi o protagonismo e planejamento financeiro de Leidson. Com a chegada do Covid-19, Leidson pode contar com o caixa que consolidou. O empreendedor vem se atualizando e aprimorando constantemente. Sempre antenado às tendências e necessidades próprias e de seus pares, prepara estratégias de captação alternativas em meio à pandemia. Leidson realizou estudos e ações de conscientização para capacitar as comunidades para a recepção de turistas quando em fases mais controladas da pandemia, o que possibilitou a recepção de mais de 50 turistas nos últimos 6 meses. Além disso, a RVC trabalhou criativamente em alternativas de complemento de renda com a venda de equipamentos de escalada e rappel que estavam parados e o novo serviço baseado na experiência turística de Leidson: a consultoria em Levantamento de Potencial Turístico. É feita uma prospecção das áreas de interesse turístico, avaliando o potencial das atrações para que sejam desenvolvidos produtos turísticos. A RVC entrega então um relatório do trabalho como forma de registro, organização das informações e recomendações de ações necessárias para a conversão do atrativo em produto turístico. Os valores ainda são pequenos se comparado com o percentual de faturamento da RVC de 2019. Foram 2 atividades realizadas no último semestre com o Levantamento, somados às vendas de equipamentos e à recepção de turistas no período, resultou-se no faturamento que possibilitou a continuidade das atividades da RVC. Uma empresa que mobiliza as comunidades de uma região preciosa, trazendo-as ao centro da elaboração dos produtos turísticos. Leidson assim garante que as comunidades e, mais importante, as pessoas se entendam como protagonistas dessa história, das vivências que turistas experimentam – e voltarão a experimentar -, no Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu e região. As comunidades são transformadas ao receberem esses turistas que se encantam com o estilo de vida local, artesanatos e quitutes. O principal: transformadas por elas mesmas. Fique por dentro das atividades da RVC pelas redes sociais! Siga no instagram o @roteirosvelhochico.rvc e Facebook na página do Roteiros do Velho Chico – RVC. Seu João, parceiro da RVC. Aventure-se Empreendedor! Tem interesse em participar dos projetos GRATUITOS da Aventura de Construir? Deixe suas informações e avisaremos quando abrir as inscrições para o próximo!Ative o JavaScript no seu navegador para preencher este formulário. Nome Completo * E-mail Telefone (com DDD) Cidade Enviar

  • AdC Entrevista: Raquel Simão

    Na entrevista de hoje, trouxemos um bate papo com Raquel Simão, responsável da área de Desenvolvimento de Projetos da Aventura de Construir desde 2019. Ela nos conta sobre sua história e o seu crescimento pessoal e profissional dentro da Instituição, além do novo projeto “Lamberti Transforma”, pensado para capacitar e acompanhar mulheres empreendedoras em Nova Odessa. Trata-se de um público muito afetado pela crise gerada pelo COVID e nós, em parceria com a Lamberti, queremos estar ao lado delas para gerar uma transformação que permita se reinventar neste momento! Confira abaixo o bate-papo que a AdC teve com ela. Raquel, conte-nos um pouco de sua história com a AdC e de seu papel como líder do projeto “Lamberti Transforma” dentro da AdC Entrei na Aventura de Construir em maio de 2019. Sou formada em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e no momento em que ingressei na AdC tive a oportunidade de unir o conhecimento técnico com a prática da realidade. O apoio e orientação da equipe foi e é fundamental para fortalecer o meu papel como coordenadora da Área de Desenvolvimento de Projeto. Entendo este processo como algo vivo e que a cada dia que passa pode ser aprofundado e melhorado. Hoje os meus desafios não são os mesmos de 2019, mas, é no processo da superação destas dificuldades que ganho fôlego e novas técnicas para enfrentar o que vem pela frente. Sempre levando em consideração a realidade de cada momento para identificar as reais necessidades dos beneficiários. O 1º método de trabalho do AdC é “Partir da realidade” e o 2º é “Gerar protagonismo acreditando na centralidade da pessoa”. Silvia Caironi, presidente da AdC, realiza cotidianamente um intenso trabalho para que estes métodos sejam vivenciados dentro da instituição, no relacionamento entre equipe e beneficiários e, sobretudo, no desenho e implementação de um novo projeto. Ser linha de frente no projeto “Lamberti Transforma” é um enorme desafio no qual eu me lanço com profundidade, unindo as experiências concretas vivenciadas em outros projetos realizados pela AdC em 2020 com o frescor do que é novo e exige criatividade. O meu papel e de minha equipe pode ser visto como algo muito simples: criar conteúdos, multiplicá-los, entrar em contato com as participantes, facilitar aulas, montar cronogramas, entre outras atividades. Mas existe algo sutil que venho aprendendo na AdC: despertar o interesse nas pessoas para que elas aproveitem ao máximo o projeto e consigam identificar suas reais necessidades e formas de superá-las. Eis, ao meu ver, um dos maiores e mais empolgantes desafios. Como o contexto socioeconômico, percebido pela ONG através de seus membros e alunos, mudou durante a pandemia de COVID-19? Desde março de 2020, passamos a realizar nossas atividades de forma remota em decorrência da pandemia de Covid-19. Para tal, adotamos a estratégia de realizar ligações individuais para conscientizar nosso público sobre a pandemia, buscando compreender a situação de vulnerabilidade de cada um para fornecer orientações sobre como seguir trabalhando diante deste cenário ou mesmo como buscar outras oportunidades de trabalho, sempre lembrando da importância do autocuidado e do fortalecimento da economia local. Em abril de 2020, após a 1ª etapa de ligações e sistematização dos dados, contabilizamos que 46% dos empreendedores atendidos diziam ter recursos para se manterem por 3 meses e 23% que não conseguiriam passar mais de 15 dias com o orçamento disponível naquele momento. As orientações para enfrentar este cenário levou em consideração a realidade de cada beneficiário e os eixos de atuação foram: 1. Apoio técnico por meio de assessorias e capacitações on-line; 2. Atenção para novas oportunidades relacionadas ao público: plataforma de financiamento coletivo Matchfunding Enfrente, Fundo Emergencial Mulher Empreendedora (Fundação Casas Bahia), Empreendedoras Periféricas (Grupo Pão de Açúcar) e Plataforma LeVila. 3. Apesar de não ser a área de atuação da AdC, o cenário exigiu novos movimentos e a equipe entrou em contato com o Banco de Alimentos, sendo contemplada com a doação de 500 vouchers compras no valor médio de R$ 110,00 para serem distribuídos entre a rede de beneficiários e indicações dos mesmos. Em dezembro de 2020, contabilizamos mais de 30 empreendedores envolvidos em iniciativas de captação de recursos, chegando a mais de R$200.000,00. Com os cartões disponibilizados pelo Banco de Alimentos, 500 famílias foram beneficiadas e 8 microempreendedores da AdC atuaram como multiplicadores em seus bairros, identificando o público em vulnerabilidade social, sistematizando planilhas, efetuando registros fotográficos e por fim, realizando a distribuição dos cartões. Entendemos que a atuação da AdC contribuiu para que os beneficiários criassem suas próprias condições para enfrentar a crise. Muitos hábitos positivos adquiridos neste momento foram incorporados na rotina de muitos, como a utilização de ferramentas tecnológicas para participar de capacitações e assessorias. Essa transição não foi simples e nem deveria ser, afinal, lidamos com pessoas. Por isso, a equipe AdC precisou de muita criatividade e flexibilidade para conseguir encontrar formas de estar atenta aos sinais também pelo virtual, assim como para desenvolver novas estratégias que garantissem a presença de um “outro olhar” dentro deste “outro normal”. Neste contexto, por que decidiu-se trabalhar principalmente com mulheres? Durante a etapa de idealização do projeto, foi colocado por parte da Lamberti a importância em se trabalhar com o público feminino. A AdC mais uma vez partiu da realidade e a examinou profundamente para entender os caminhos possíveis desta nova jornada. Para além da evidente desigualdade de gênero no mundo do trabalho, a pandemia de Covid-19 acentuou ainda mais a diferença entre homens e mulheres neste campo. Conforme aponta o gráfico acima divulgado em matéria do G1 em outubro de 2020, um grande número de mulheres precisaram abrir mão de suas atividades profissionais para cuidar das crianças, as quais deixaram de frequentar creches e escolas. Na comparação, fica evidente como as mulheres foram mais afetadas em relação aos homens no 2° trimestre de 2020. Diante deste cenário, entendemos a necessidade ainda mais urgente em fornecer orientações para que mulheres possam realizar atividades empreendedoras partindo do uso da tecnologia e do universo digital nos próprios lares Quais são os objetivos do curso que será oferecido no projeto “Lamberti Transforma” e os principais tópicos que serão abordados? Desenvolver uma jornada híbrida de aprendizagem humana integral que prepare 50 mulheres microempreendedoras a usufruírem da realidade virtual, garantindo uma alfabetização em informática que seja eficaz e aplicável às ofertas de produtos e serviços num cenário de pandemia e pós-pandemia que nos impõe uma série de adaptações nos modelos de negócios e desafios para viver um “outro normal”. Para entender os temas mais necessários neste cenário, estudamos os conteúdos dos projetos desenhados em 2020 com o seguinte olhar: sobre quais eixos temáticos o público apresentou suas maiores dúvidas e dificuldades? Um dos métodos das capacitações da AdC é a Ficha de Avaliação: questionário (neste momento um Formulário Google) enviado ao término da semana de aula para avaliar a didática da equipe, mensurar as dificuldades do público e colher informações da realidade dos participantes para utilizar como ponto de partida das próximas aulas. Sabemos que cada público apresenta suas necessidades, porém a análise realizada sobre as Fichas de Avaliação nos mostraram algumas tendências que orientaram o desenho dos temas para as capacitações do projeto “Lamberti Transforma” e são eles: 1. Tutorial de acesso ao Zoom; 2. Ferramentas de produtividade para gestão pessoal e do empreendimento; 3. Finanças e contabilidade 4. Presença digital: Redes sociais e Marketing. Estes temas apresentam um desenho geral que será aprofundado posteriormente na etapa de assessorias (2ª etapa do projeto). Antes do início das aulas foi realizado um questionário com os inscritos para validar estas dificuldades e mensurá-las numa escala de 1 a 5, entendendo que 1 significa sem dificuldade e 5 muita dificuldade. Uma média de 50% dos inscritos responderam e compartilho alguns dados: ● Mais de 60% dos participantes entendem que apresentam muita dificuldade sobre o tema de finanças e contabilidade; ● Mais da metade dos participantes entendem que apresentam muita dificuldade sobre redes sociais e marketing; ● A maioria dos participantes entendem que apresentam dificuldade média (3) sobre o tema de planejamento do negócio. Estas ferramentas servem para auxiliar o desenho das aulas, mas o olhar permanece sempre atento. Se for necessário alguma adaptação, estaremos abertos. Garantir o alcance do objetivo do projeto é uma meta! Metas apresentam prazos e planejamento, mas entendo também que estão repletas de expectativas. A maior delas é, de fato, democratizar o uso das novas tecnologias, pois elas são as ferramentas capazes de gerar oportunidades de renda e emprego para um público que ainda tem acesso restrito a este tipo de conhecimento. Além disso, promover uma real mudança de mindset me parece algo importante para que os participantes desenvolvam uma atitude flexível, proativa, colaborativa e aberta a aprender. Queremos ao fim, ter concretamente alguns novos modelos de negócio. Para além disto, uma expectativa que permeia sempre o meu trabalho é a criação de vínculos de uma forma natural. E não apenas entre equipe e participantes, mas entre os próprios participantes. Acredito que o vínculo dentro de um espaço virtual é ainda mais desafiador de acontecer, mas quando surge, gera uma potência transformadora. Outra expectativa que compartilho é que os participantes saiam do curso aprendendo a valorizar mais seus pequenos passos. Vivemos em um mundo em que muito se fala de metas inalcançáveis, mas estas só geram frustrações e nos paralisam. A partir da valorização dos pequenos passos, a força ganha forma e vamos além… Haverá um acompanhamento d@s alun@s após o término das aulas? Como será feito? Sim! Após a etapa de tutoriais em informática e empreendedorismo, entramos na etapa de assessorias. Antes de falar propriamente sobre ela, acho importante contextualizar um pouco. Desde 2013, a AdC trabalha com uma metodologia 360⁰ própria de assessorias presenciais que contempla a cada beneficiário: primeiro o acesso ao universo do empreendedor com análise macro da realidade socioeconômica, incluindo os desafios e oportunidades. O “raio X” da pessoa é feito em paralelo com o do empreendimento. À medida que o vínculo é construído, se aprofunda mais. E para isto acontecer, é preciso exercitar a escuta ativa e atenta seguida por perguntas e orientações customizadas. Em meu entendimento, um dos pontos mais importantes para esta estrutura ganhar força e fazer sentido a partir das necessidades concretas dos beneficiários é o acompanhamento contínuo e autodiagnóstico. Como já comentei, a transição do presencial para o on-line foi e ainda é um grande desafio. Para ultrapassar esta barreira do desconforto com a tecnologia, realizamos uma série de tutoriais específicos. O contato que antes, no presencial, era mais espaçado, foi se tornando mais frequente e intenso. Este formato garantiu um maior engajamento dos participantes e possibilitou um encurtamento das distâncias e a observação do universo do outro. Essa transição possibilitou a continuação do trabalho neste momento tão fundamental e garantiu a partir de uma experiência concreta, novas propostas, como o projeto “Lamberti Transforma”. Neste projeto, após os tutoriais, adentramos na segunda etapa do projeto: cada beneficiária receberá 3 assessorias personalizadas e individuais, sendo que a última etapa esperemos possa ocorrer presencialmente – etapa na qual também se realizará a preparação das participantes para prototipar modelos de negócio que sejam sustentáveis, gerando renda e trabalho. Será também a oportunidade para aprender a expor em lives e assim tornar possível o mecanismo de scale up do projeto para mais beneficiárias na região e em novos territórios.

  • AdC Entrevista: Vitones (Parte II)

    Curtiu a primeira parte da entrevista com Vitones? Nesta segunda parte você confere um pouco mais da conversa que tivemos com o artivista multimídia, que falou um pouco mais sobre o seu trabalho. Confira o restante a seguir: Qual é o legado que você traz para você com este trabalho? O que fica com você depois disso? Acho que fortalece minha vontade de continuar fazendo isso, de trazer essa representatividade de outra forma. E fica comigo uma experiência com muitas lições, porque estava imaginando uma coisa, eu me limitei e não pude construir desse jeito que eu pensei. Vai ficar comigo uma noção melhor de elasticidade, de estar pronto para o que acontecer. Eu estava com um plano, queria fazer de uma maneira e não pensei no que poderia acontecer, mas talvez por estar com falta de ritmo – pois eu pintava com bastante frequência e hoje eu divido meu tempo com outras coisas em minha vida. Eu não faria isso se não tivesse significado pessoal, pois eu vejo que isso reflete em outros processos que estou vivenciando de ter outras pessoas envolvidas, de cada um ter sua importância nisso. Em resumo, isso tudo confirmou alguns conceitos e pensamentos que me potencializam a querer mais. Estou com sede! Você expressa através de uma arte algo que você tem dentro. Então qual é a coisa mais preciosa que você quer compartilhar e exprimir através dela? Unidade na diversidade. Transformar todas as palavras em amor, é isso que eu quero trazer no desenho. A unidade na diversidade, as diferentes coisas que eu faço tem uma unidade quando estão juntas. Ver como a vida é linda e é possível tanta coisa. Por isso que desenho várias coisas além de animais, eu só não quero me limitar dizendo “eu sou isso aqui”. Qual é o maior aprendizado neste trabalho? Eu acho que o trabalho me faz bem. Eu valorizo o que eu faço, mas só por amor não dá para trabalhar. Então eu signifiquei o trabalho para trazer o tema da diversão para perto. Qual é o diferencial que tem na sua arte em relação a outros artistas que fazem um trabalho como o seu? Eu acho que tem a minha mão, literalmente. Eu enfio a mão na parede e talvez isso seja um lance forte meu, que dá uma característica muito importante. Eu sou apaixonado pela expressão das pessoas e quanto mais expressão tiver, até mesmo naif, melhor. E o que faço é carregado de atitude, das minhas intenções, para que fique vivo. Eu tento estabelecer o máximo de relação com aquilo para que fique com a máxima potência e esse entusiasmo é um diferencial meu. Quais são suas referências? Hoje em dia eu não tenho isso, porque depois que eu comecei a estudar eu comecei a buscar o que está dentro de mim. Talvez quem esteja muito presente no meu trabalho é o Van Gogh. Eu gostava dele antes de pintar, porque ele colocava o que ele estava sentindo e isso para mim é importante, a expressão genuína. Tendem a me colocar num patamar superior como se isso fosse um dom, mas não é tão simples, pois eu estudei para isso e você tem que buscar dentro de você mesmo. Depois que eu comecei a estudar, eu me livrei das referências, não tenho mais isso. Eu gosto e acompanho pessoas que pintam e se expressam de uma maneira parecida com a minha, isso vai me direcionando por alguns caminhos. Amo o trabalho de amigos aqui de São Paulo e outros que estão aí pelo mundo que foram minhas referências, mas como eu estou sempre buscando melhorar, chega um momento em que essas referências se esgotam. Voltamos ao ponto da pergunta que você perdeu… O que significa esse processo de mergulhar naquilo que você tem dentro de você? Eu vejo como um processo tipo a fotografia, vou registrando diversos pontos de vista e tento congelar uma cena em movimento, que seja ao vivo e que o telespectador consiga visualizar a próxima ação. E como você descobre esse processo? Eu estou sempre lendo sobre tudo, eu pinto animais porque teve um momento que eu li sobre algo que me fez ver a beleza dos animais e por isso desenho eles até hoje. Para você estudar significa estudar técnicas para fazer o seu trabalho ou se inspirar? Ou as duas coisas? Tecnicamente eu sinto pouca vontade de fazer algo novo, porque eu tenho um amor platônico pela parede. Há um tempo comecei a estudar tatuagem para sanar uma curiosidade em saber como é usar a ferramenta. Tenho vontade de fazer coisas com textura, eu pintava roupas como se fossem telas. Como eu estudei na Panamericana, os professores ficaram doidos, mas gostaram da proposta. Eu amo paredes e coisas gigantes, porque isso invade as pessoas: você anda e vê uma imagem com diversas interpretações. É diferente de uma palavra, tem gente que não sabem ler, mas a pintura fala por si só. Antes eu trabalhava com teatro, no palco, era maravilhoso e seria diferente para conhecer o mundo – e eu queria conhecer o mundo -, e a pintura me proporcionou isso. Eu gosto de andar por aí, sempre transitando em vários lugares. Um espírito livre? Exatamente isso! Conhecendo as cidades e as pessoas, como se eu fosse um agente de arteterapia. Eu acho que faço muito bem para a sociedade fazendo isso, mas eu sou discriminado por isso! Adoro a adrenalina de intervir nos lugares, mas é muito perigoso. Como você intervém na rua em que o espaço é de outras pessoas? Tem pessoas que gostariam de intervir, mas não têm coragem, então eu faço pelos outros! O que você tem como desejo para você, para o futuro dentro de tudo isso que você comentou? Eu tenho desejo de ser ouvido. Eu não tenho necessidade de ser escutado, mas desejo. Eu vejo dessa maneira porque eu exercito muito e penso “queria estar lá”. Esses pensamentos já me ocorrem, mas aí você escolhe o que vai levar. Eu gostaria de ter mais espaço para a diversidade. As pessoas já conhecem as línguas que estão aí e precisamos ver novas formas de expressão. Nem tudo vai me contemplar, mas tem que ter espaço, porque pode contemplar alguém. E com mais espaço para essa comunicação, as pessoas se entenderão melhor como sociedade. Uma hora a polaridade muda! Entendemos que tem um aspecto em ser artista que é parecido com ser microempreendedor, no sentido em que muitas vezes escutamos do nosso público que não se reconhece como empreendedor. Como foi essa trajetória para você, como você passou a se reconhecer como artista?! Eu nem tive tempo para me perceber de outra forma. Quando eu era criança fazia capoeira e, depois disso, quando eu estava no ensino médio, tive contato com dança de salão. Quando me perguntaram sobre como eu ia seguir minha carreira, me indicaram para fazer um teste para uma peça. E quando eu comecei a estudar teatro, também comecei a pintar. Eu costumo falar que sou “artivista”, um novo termo que está nas ruas para designar pessoas que performam.

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