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  • Seguimos avançando: a CDM e a Aventura de Construir agora constroem juntas uma nova história

    Entenda a união CDM. Projetos Sociais de Alto Impacto e a Aventura de Construir Temos uma novidade importante para compartilhar: a CDM e a Aventura de Construir (AdC) estão unindo suas trajetórias em um novo capítulo de suas histórias. A decisão foi construída ao longo de um processo de escuta, diálogo e aproximação, marcado pela confiança e pela convergência de valores, além do conhecimento mútuo entre as organizações. Mais do que uma mudança de estrutura, é uma escolha pela continuidade: preservar o que foi construído e criar novas possibilidades de impacto. A CDM, com 40 anos de atuação em projetos sociais de alto impacto, reúne experiência em gestão social, desenvolvimento humano e territorial, tecnologias socioambientais e articulação de redes, empresas e voluntários. A Aventura de Construir chega a este novo momento após 15 anos dedicados ao acompanhamento e desenvolvimento de microempreendedores das periferias do Brasil. Ao longo dessa trajetória, construiu uma metodologia baseada na proximidade com os territórios, no acompanhamento individual, na formação humana e técnica e no fortalecimento do protagonismo. Ambas, com metodologias próprias baseadas na escuta cuidadosa e proximidade com cada pessoa. É nessa complementaridade que está uma das grandes potências dessa união: a experiência da Aventura de Construir em empreendedorismo periférico e inclusão produtiva encontra a capacidade de gestão, articulação e atuação territorial da CDM. Juntas, ampliam as possibilidades de desenvolver projetos, integrar conhecimentos e alcançar novos públicos e territórios. Esse processo tem origem na necessidade de Silvia Caironi, fundadora e presidente da Aventura de Construir, de retornar à Itália e na busca por um caminho que garantisse a continuidade do trabalho desenvolvido pela organização. Nesse contexto, a fusão por incorporação foi construída como uma solução de continuidade, tendo como marco o dia 30 de setembro de 2026. A partir dessa data, Silvia Caironi deixará a presidência da Aventura de Construir, já tendo um novo presidente nomeado, dando continuidade a fusão com a CDM. Caique Caetano, atual Gerente de Inclusão Produtiva da Aventura de Construir, assumirá a responsabilidade pela sede de São Paulo. A efetivação da incorporação das organizações, CDM e Aventura de Construir, consolida o compromisso de colocar e manter as pessoas no centro, reconhecer seu potencial e construir caminhos para transformar realidades. Uma nova estrutura. Novas possibilidades. E a mesma convicção na capacidade de que cada pessoa é capaz de transformar sua realidade. Seguimos juntos, integrados, construindo essa nova história. 9 de setembro de 2026. Silvia Caironi e Ernane Souza Venha celebrar 15 anos de Aventura de Construir e entenda mais sobre a fusão Participe do evento Das Raízes, Novos Caminhos: 15 anos de história, encontros e transformação. Inscreva-se aqui.

  • Aventura de Construir celebra 15 anos com evento sobre história, transformação e novos caminhos

    Em 2026, a Aventura de Construir completa 15 anos de uma história feita de encontros, aprendizados, desafios e, principalmente, pessoas. Para celebrar essa trajetória e olhar para o futuro, a organização realiza, no dia 23 de setembro, o evento “Das Raízes, Novos Caminhos – 15 anos de história, encontros e transformação”, em São Paulo. O encontro será realizado a partir das 18h, no IBMEC Faria Lima, e reunirá pessoas que fizeram parte dessa trajetória e representantes de organizações do terceiro setor para uma noite de memória, reflexão e celebração. As inscrições são gratuitas e já estão abertas pela Sympla. INSCREVA-SE NO EVENTO PELA SYMPLA Uma nova etapa para o terceiro setor A celebração marca um momento importante para a organização: a integração entre a Aventura de Construir e a CDM. O processo será tema de uma conversa sobre os desafios e as possibilidades de construir novos caminhos no terceiro setor. O painel contará com Silvia Caironi, presidente da Aventura de Construir; Ernane Souza, presidente da CDM; e Aron Zylberman, presidente do Instituto SYN, com mediação de Paula Fabiani, CEO do IDIS. Lançamento do livro sobre a fusão entre Aventura de Construir e CDM Um dos momentos do evento será a apresentação do livro “Construindo uma nova história no Terceiro Setor: a fusão entre a Aventura de Construir e CDM”. A publicação sistematiza o processo de fusão entre as duas organizações e reúne registros, fotografias e anexos relacionados a esse momento. Produzido em português e italiano, o livro será lançado digitalmente no próprio dia 23 de setembro de 2026. Mais do que documentar uma mudança institucional, a publicação registra um processo de construção coletiva e deixa um importante registro para a história das organizações e do terceiro setor. Serviço Evento: Das Raízes, Novos Caminhos – 15 anos de história, encontros e transformação Data: 23 de setembro de 2026, quarta-feira Horário: a partir das 18h Local: IBMEC Faria Lima – Rua Sumidouro, 89, Pinheiros, São Paulo (SP) Formato: painel + apresentação do livro + coffee e brinde As vagas são limitadas. Garanta sua participação e venha celebrar os 15 anos da Aventura de Construir. 👉 Inscreva-se gratuitamente pela Sympla Vamos juntos construir os próximos capítulos dessa história?

  • Aventura de Construir completa 15 anos: uma história construída por muitas mãos

    Em 2026, a Aventura de Construir completa 15 anos. Mais do que uma marca no calendário, esse aniversário representa uma trajetória feita de encontros, aprendizados, desafios e, principalmente, pessoas que acreditaram que transformar a própria realidade era possível. Desde 2011, a Aventura de Construir caminha ao lado de quem empreende nas periferias, fortalecendo conhecimentos, autonomia e oportunidades. Ao longo desse percurso, foram muitas histórias acompanhadas, ideias que ganharam forma e empreendedores que encontraram, na troca e no conhecimento, caminhos para seguir construindo seus próprios futuros. Essa história nunca foi construída por uma única pessoa. Ela é resultado da contribuição de empreendedores, voluntários, parceiros, financiadores e de todos aqueles que, de diferentes maneiras, acreditaram na importância de fortalecer quem empreende e transforma seus territórios. Para celebrar esse momento, a Aventura de Construir preparou um vídeo institucional que revisita parte dessa trajetória e reafirma aquilo que permanece no centro de sua atuação: a crença na potência das pessoas e na capacidade de cada indivíduo construir novos caminhos quando encontra apoio, conhecimento e oportunidades. Assista ao vídeo institucional de 15 anos da Aventura de Construir: A produção do vídeo foi realizada em parceria com a MCF Consultoria, que ajudou a transformar em imagens e narrativa parte dessa história construída ao longo de 15 anos. O trabalho contou com direção e roteiro de Andrei e edição e montagem de Thais Ferrer, em um processo que buscou traduzir a essência da AdC e aquilo que nos move desde o início. Ao olhar para esses 15 anos, também fica evidente que transformação não acontece de uma hora para outra. Ela é resultado de processos, escolhas e relações construídas ao longo do tempo. É feita de escuta, confiança, conhecimento e da disposição para caminhar junto, respeitando a realidade e o ritmo de cada pessoa. Mas celebrar uma trajetória também significa reconhecer que ela continua. Os próximos anos trazem novos desafios e novas possibilidades para ampliar esse trabalho e fortalecer ainda mais quem empreende nas periferias. Apoie a campanha Construir Juntos Por isso, este aniversário também marca o início de um novo capítulo. A campanha Construir Juntos nasce com o propósito de mobilizar pessoas e organizações que acreditam nessa construção e querem contribuir para que a Aventura de Construir siga ao lado de quem transforma seus territórios por meio do empreendedorismo. Apoie pelo link. Depois de 15 anos construindo caminhos, fortalecendo sonhos e transformando realidades, a pergunta deixa de ser apenas sobre onde chegamos. Ela passa a ser sobre o que ainda podemos construir juntos. Vamos construir os próximos 15 anos juntos? E mais do que isso: transformar protagonistas! Vote no Prêmio Impactos Positivos 2026 A Aventura de Construir está concorrendo no Prêmio Impactos Positivos 2026, na categoria Dinamizador. Vote pelo link bit.ly/voteADC26 até o dia 04/09.

  • Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Sustentabilidade, desafios e amadurecimento da metodologia

    Na sexta parte da série Raízes que Constroem, voltamos ao período entre 2015 a 2019 da Aventura de Construir. Os entrevistados refletem sobre os desafios da sustentabilidade financeira da organização, os aprendizados construídos ao longo dos anos e o amadurecimento de uma metodologia centrada no desenvolvimento humano integral. Mais do que recordar conquistas, este é um momento de olhar para os princípios que orientaram a AdC e continuam guiando sua atuação. Você pode ler a parte anterior neste link. A entrevista reuniu Silvia Caironi, fundadora da Aventura de Construir; Rafael Mahfoud Marcoccia, jornalista e professor de Sociologia e Filosofia na FEI e diretor da AdC; Marcelo Turri, engenheiro mecânico pela Poli-USP com MBA Administração de Negócios no Insper e vice-presidente da AdC. Marcelo Turri aponta os desafios da captação de recursos. “Apesar de tudo o que foi feito, todas as consultorias estratégicas, táticas, operacionais e o posicionamento externo da AdC, o momento para captação era muito difícil. Vou dar um exemplo: ficamos três meses conversando com uma empresa que produz ovos para nos ajudar como OSCIP. O projeto foi aprovado como incentivado, o que permite às empresas que pagam imposto de renda dediquem até 4% para um projeto homologado na Receita Federal. Conversamos por vários meses. E no final ficamos sabendo que a empresa não pagava imposto porque seu produto faz parte da cesta básica. Pode ter sido um erro não ter tido essa visão no início. Mas independente disso, a captação é sempre um grande desafio. Falamos muito rapidamente aqui do endowment que é um modelo que acho estratégico e bem pensado, principalmente para as empresas e famílias que querem deixar um legado, contribuindo para um fundo que está começando no Brasil. Entramos em contato com universidades, Fundação Getúlio Vargas, Unesco. Tentamos em todas as frentes. Para mim é um grande desafio, conseguir fazer o que a Silvia faz, que liga para o presidente da empresa e pergunta ‘por que você não financia um projeto nosso?’ Ela avança e chega lá”, completa Marcelo. Rafael Marcoccia também destaca as dificuldades da captação. “Há pouco tempo, a Silvia comentou sobre as causas que mais recebem ajuda, as que mais promovem, que mais convencem as pessoas a doar, e o empreendedorismo não era uma delas, embora tenha melhorado um pouco. Essa é uma causa que é menos evidente para receber financiamento, por isso, o trabalho de convencimento necessário com os financiadores é muito grande. Para mim, continua um grande desafio, e quando tentamos o endowment não conseguimos ganhar tração”. Para Silvia, o que atrai os financiadores é o conhecimento da importância da causa. “O Instituto SYN tem claro a importância da geração de renda. No caso da Lamberti, é a clareza de dar oportunidades às pessoas para as quais trabalhamos. Entendo também que eles têm uma visão prévia que faz com que tenhamos uma correspondência. Conheci primeiro o dono da Cyrela e ele me apresentou ao Aron, presidente do Instituto SYN, e daí nasceu uma amizade que tem dez anos. Conheci a Lamberti por meio de um amigo advogado italiano. Com o Instituto SYN são sete anos e a Lamberti seis.” Refletindo sobre o período 2015-2019, na opinião de Marcelo Turri, a AdC está mais viva agora. “Tudo parte da realidade do empreendedor que continua muito presente hoje. O empreendedor é protagonista. E nada é feito que não considere a realidade de cada um, tanto que, o início do projeto começa entrevistando cada um deles. Depois os acompanhamos individualmente até o final. A questão da realidade está sempre presente”. “Acho bonito a questão do atendimento integral e de não criar muros. É importante lembrar que a AdC acompanha integralmente e sistematicamente os empreendedores e isso é reconhecido pelos stakeholders”, diz Silvia. Rafael Marcoccia, completa: “Priorizamos o desenvolvimento integral do microempreendedor, da pessoa. Uma coisa marcante desse período é que as oficinas não eram só técnicas. Uma falou sobre planetas, as estrelas, sobre astronomia. Outra abordou a beleza e outra ainda falamos sobre política. Tinha uma preocupação com todos os aspectos da vida de uma pessoa que não é só a questão do que precisa de mais urgente para alavancar o negócio, sem desconsiderar os outros aspectos que também são muito importantes. Isso em uma época em que se podia conversar de política sem ser massacrado de um lado ou de outro. Foram uma série de formações muito bonitas. Acho a AdC viva desde o início, nesse período e ainda hoje, com escuta ativa a partir da realidade, observando a realidade escutando os microempreendedores. Por isso que cada projeto é único, singular e respeita a necessidade, o desejo do empreendedor. Obviamente, ensinando e educando. Não é uma coisa solta. É uma escuta ativa, de observar a realidade e de fato colocar a pessoa como centro, acreditar na sua capacidade, liberdade e autonomia quando tem uma oportunidade. Então, para mim, desde sempre, esse foi o aspecto mais vivo, os empreendedores são chamados cada vez mais ao centro, e terem uma voz. Isso é o amadurecimento: colocar o microempreendedor, a pessoa, no centro de tudo. E as formações são expressão disso”. Segundo Silvia, essas formações foram experiências muito ricas e a origem da ideia da formação humana integral. “Foram pessoas que davam formações sobre temas que são muito adequados aos microempreendedores, usando a razão como uma abertura à realidade. Eles vivem em condições nas quais os desafios são tão grandes que não enxergam que a vida é algo maior e não são educados a usar a razão como abertura à realidade. E ela completa: “Educar a beleza, educar a razão, é uma ferramenta ampla para enxergar a realidade. A formação humana integral nasceu por isso. As memórias desse período mostram que o crescimento da Aventura de Construir foi sustentado pela capacidade de aprender com a realidade, fortalecer relações de confiança e manter a pessoa no centro de todas as decisões. Ao consolidar sua metodologia, ampliar sua rede de parceiros e reafirmar o compromisso com o desenvolvimento humano integral, a AdC encerrou esse ciclo preparada para enfrentar novos desafios, sem perder a essência que marcou sua trajetória desde o início: construir caminhos ao lado dos microempreendedores, respeitando suas histórias, potencialidades e sonhos.

  • Aventura de Construir recebe Menção Honrosa no Prêmio Betinho de Democracia e Cidadania 2026

    Na última segunda-feira, 10 de agosto, a Aventura de Construir recebeu a Menção Honrosa do Prêmio Betinho de Democracia e Cidadania 2026, concedida pela Câmara Municipal de São Paulo, pelo projeto Da Periferia, A Resposta. Receber um reconhecimento que carrega o nome e a trajetória de Herbert de Souza, o Betinho, é motivo de grande orgulho para toda a nossa equipe. Sociólogo e importante símbolo da luta pela cidadania e pela transformação social no Brasil, Betinho nos ensinou que a democracia se constrói todos os dias, por meio do compromisso, da igualdade e da ação coletiva. A homenagem reconhece uma iniciativa que nasceu da escuta e da experiência junto aos microempreendedores acompanhados pela Aventura de Construir, fortalecendo seus protagonismos e reunindo aprendizados e propostas para ampliar as oportunidades de inclusão produtiva nas periferias. Crédito das Fotos: Fábio Jr/CMSP e Aventura de Construir Da Periferia, A Resposta O nome do projeto traduz uma convicção que orienta nosso trabalho: a periferia não é um lugar definido pela carência, mas pela potência. Veja um pouco desse trabalho no nosso mini doc sobre o projeto. A transformação acontece quando reconhecemos e fortalecemos as pessoas como verdadeiras agentes de mudança em seus territórios. Por isso, Da Periferia, A Resposta buscou sistematizar experiências, aprendizados e desafios vivenciados ao longo do trabalho da Aventura de Construir, transformando essa experiência em conhecimento e propostas capazes de contribuir para políticas públicas. A publicação “Da Periferia, A Resposta: uma iniciativa transformadora” reúne esses aprendizados e apresenta propostas para fortalecer a educação empreendedora e a inclusão produtiva nas periferias. O projeto foi financiado pela Aliança pela Inclusão Produtiva (AIPÊ), formada por mais de dez organizações que compartilham o compromisso com a construção de caminhos para uma inclusão produtiva mais efetiva e transformadora. Também contou com a parceria do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte no lançamento da publicação. Uma conquista construída por muitas mãos Nenhuma transformação social acontece de forma isolada. Ela é construída por meio de pontes entre organizações, poder público, iniciativa privada, parceiros, voluntários, doadores e, principalmente, os microempreendedores que caminham conosco. Por isso, esta Menção Honrosa também pertence a todas as pessoas que fazem parte dessa trajetória. Aos parceiros que acreditam em nosso trabalho, aos voluntários que compartilham seu tempo e conhecimento, aos doadores que tornam nossas ações possíveis e, especialmente, aos microempreendedores que confiam na Aventura de Construir e nos ensinam diariamente sobre protagonismo, criatividade e resistência. Receber essa homenagem é, ao mesmo tempo, motivo de celebração e um convite para continuar. Seguimos construindo pontes, ampliando oportunidades e fortalecendo os territórios a partir de quem vive neles. Porque, quando a periferia é reconhecida como protagonista, ela também é a resposta. 💙 Vote no Prêmio Impactos Positivos 2026 A Aventura de Construir está concorrendo no Prêmio Impactos Positivos 2026, na categoria Dinamizador. Vote pelo link bit.ly/voteADC26 até o dia 17/08.

  • Planejamento, objetivos e metas no empreendedorismo - podcast Empreendendo na Periferia

    Empreender exige coragem, criatividade e persistência. Mas, para transformar um negócio em uma iniciativa sustentável ao longo do tempo, é preciso também olhar para o futuro, definir prioridades e tomar decisões conscientes. Esse é o tema do novo episódio do podcast Empreendendo na Periferia, da Aventura de Construir. Nesta edição, os mediadores Nico e Ana Luiza recebem Fausto Brandão, Diretor Executivo de Planejamento Comercial da Natura, e Violeta Martínez Zepeda, fundadora do Sítio Alto da Serra, em São Sebastião (SP), para uma conversa sobre como o planejamento pode ajudar empreendedores a crescer sem perder sua identidade e conexão com o território. Planejamento vai muito além das planilhas Durante a conversa, Fausto destaca que planejar não significa prever tudo o que acontecerá, mas tomar melhores decisões hoje pensando no futuro. Segundo ele, todo empreendimento, independentemente do tamanho, precisa encontrar formas de equilibrar sonhos, objetivos e números. Para isso, é importante definir com clareza onde se quer chegar, transformar grandes desafios em etapas menores e revisar constantemente o caminho percorrido. Outro ponto importante abordado no episódio é a diferença entre improvisar e ser flexível. Enquanto o improviso surge diante de um problema inesperado, a flexibilidade nasce do planejamento, prevendo alternativas e construindo diferentes possibilidades para enfrentar mudanças sem comprometer o negócio. A experiência de quem vive o planejamento no dia a dia A história de Violeta Martínez mostra como o planejamento foi sendo construído junto com o crescimento do Sítio Alto da Serra. Agrônoma de formação, ela conta que iniciou o empreendimento movida pelo desejo de viver da terra e que, ao longo da trajetória, percebeu que produzir bem não era suficiente: era necessário entender custos, identificar oportunidades e agregar valor aos produtos para garantir a sustentabilidade financeira da propriedade. Hoje, o sítio combina produção agroecológica, processamento de alimentos e venda de cestas, organizando toda a operação com planejamento da produção, da logística e das vendas. A empreendedora explica que aprender a escolher prioridades foi essencial para crescer de forma consistente, evitando investir energia em muitas frentes ao mesmo tempo. Pequenas metas, grandes resultados Outro tema debatido é a importância de estabelecer metas realistas. Para Violeta, objetivos menores permitem testar estratégias, aprender com os resultados e reduzir riscos. Já Fausto reforça que as melhores metas são aquelas que são claras, mensuráveis, desafiadoras e, ao mesmo tempo, possíveis de alcançar. Essa combinação aumenta as chances de evolução contínua e evita frustrações que podem desmotivar quem empreende. Os convidados também compartilham como lidam quando os planos não saem como esperado. Em vez de abandonar o planejamento, defendem a importância de revisá-lo, adaptar rotas e aprender com cada novo cenário, especialmente em contextos sujeitos a mudanças constantes, como a agricultura familiar e o empreendedorismo de pequeno porte. O valor de uma rede de apoio Ao longo do episódio, Violeta destaca o papel da Aventura de Construir em sua trajetória empreendedora. O acompanhamento recebido ajudou a estruturar indicadores, acompanhar resultados, organizar metas e enxergar o negócio de forma mais estratégica. Segundo ela, esse processo foi fundamental para fortalecer não apenas a gestão financeira, mas também sua identidade como empreendedora. Fausto complementa que medir resultados e contar com espaços de troca permite que empreendedores aprendam uns com os outros, encontrem soluções criativas e desenvolvam negócios mais preparados para enfrentar desafios. Planejar é construir possibilidades Na mensagem final, Fausto deixa um conselho para quem sente dificuldade em planejar: começar, mesmo que de forma simples. Anotar números em um caderno, reservar um momento do mês para refletir sobre o negócio e revisar objetivos já são passos importantes para construir uma gestão mais consciente. Como resume a equipe da Aventura de Construir no encerramento do episódio, planejar não significa controlar tudo ou ter todas as respostas. Significa dar o próximo passo com mais clareza, direção e confiança. Ouça o episódio completo do podcast Empreendendo na Periferia e descubra como o planejamento pode fortalecer seu negócio sem abrir mão do propósito e da essência empreendedora.

  • Do “Oi!” ao Cliente Fiel: como a comunicação certa guia suas vendas

    Por Sara Mendes Comunicar-se bem vai muito além de divulgar seu produto na internet. No dia a dia de um empreendimento, a comunicação está presente em tudo: da criação do produto ao atendimento no balcão, passando pelo fechamento da venda e, principalmente, pela construção da reputação da sua marca. ​Pense em duas situações comuns. De um lado, um comércio que demora horas para responder no WhatsApp, envia apenas o preço e faz o cliente sentir que está incomodando. Do outro, um negócio que acolhe, explica como funciona o processo, combina o prazo e avisa sobre a entrega. ​A diferença entre os dois não é o tamanho da empresa ou o orçamento disponível. Está na intenção por trás da conversa. Comunicar é a forma como você conduz a pessoa por toda a jornada de compra, aquele caminho que vai do primeiro “oi”, passa pela decisão de compra até o momento que o cliente decide voltar e indicar seu negócio para outras pessoas. O que a comunicação certa faz pelo seu negócio? Ela reduz perdas, economiza tempo e aumenta as chances de novas vendas. Pesquisas divulgadas pela Harvard Business Review mostram que conquistar um novo cliente pode custar até 25 vezes mais do que manter um atual, e que aumentar a retenção de clientes em apenas 5% pode elevar os lucros do negócio de 25% a 95%. Para quem empreende na periferia, a tradução disso é simples: cuidar de quem já confia no seu trabalho é muito mais inteligente e econômico do que conquistar clientes novos todos os dias. ​Além disso, a uma comunicação clara evita atritos. Quando você informa prazos, formas de pagamento, regras de troca e os limites do seu serviço sem deixar dúvidas, reduz retrabalho, evita desgaste e diminui chances de frustração. A demora para responder a ausência de preços ou uma informação incompleta transmitem uma mensagem e, muitas vezes, passam a impressão de desorganização ou desinteresse. ​A jornada na prática: da descoberta à recompra ​Para garantir que o cliente nunca fique perdido, a sua comunicação precisa acompanhar cada etapa da jornada: Descoberta: mostre com clareza quem você é, o que faz e por que o cliente pode confiar no seu trabalho antes mesmo da primeira compra. Decisão: no momento da venda, informe preço, condições de pagamento e prazos com transparência e acolhimento. Isso transmite segurança e facilita a decisão. Entrega: surpreenda nos detalhes. Avisar sobre o andamento do pedido ou incluir um bilhete simples na embalagem, demonstra cuidado e respeito por quem escolheu comprar com você. Pós-venda: continue presente. Muita gente vende e desaparece, mas é justamente no pós-venda que nasce a confiança necessária para uma nova compra. Quer um exemplo prático para aplicar no seu negócio hoje mesmo? Dois dias após entregar um produto ou concluir um serviço, envie esta mensagem como está: ​"Oi, [Nome]! Tudo certo por aí? Passando para saber se o seu pedido chegou direitinho e se ficou como você esperava. Se precisar de qualquer ajuste ou orientação, estou à disposição por aqui!" É uma mensagem simples, humana e muito eficiente. Ela demonstra cuidado, abre espaço para ouvir o cliente e fortalece o relacionamento com a sua marca. ​No fim das contas, comunicação estratégica não é falar difícil. É fazer com que o cliente se sinta acolhido, bem informado e seguro em cada etapa da jornada. Agora faça um exercício: abra a sua última conversa no WhatsApp com um cliente. Em qual dessas etapas você pode ser mais claro, mais acolhedor ou mais presente? Continue acompanhando os conteúdos da Aventura de Construir para continuar fortalecendo a gestão, a comunicação e o protagonismo do seu empreendimento!

  • Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Captação de recursos, posicionamento e fortalecimento da marca

    Após consolidar sua identidade institucional e fortalecer sua governança, a Aventura de Construir iniciou uma nova etapa de desenvolvimento. Nesta quinta parte da série Raízes que Constroem, os entrevistados relembram como a organização estruturou sua estratégia de captação de recursos, ampliou sua rede de parceiros, fortaleceu seu posicionamento institucional e deu visibilidade à causa do empreendedorismo nas periferias, criando as bases para sua sustentabilidade e crescimento. A entrevista reuniu Adriano Gaved, que trabalhou como consultor na AdC neste período, Rafael Mahfoud Marcoccia, jornalista e professor de Sociologia e Filosofia na FEI e diretor da AdC; Marcelo Turri, engenheiro mecânico pela Poli-USP com MBA Administração de Negócios no Insper e vice-presidente da AdC; Rafael Neves, consultor de Advocacy no Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e ex-integrante do conselho consultivo da AdC, e Giacomo Villa, que trabalhou na AdC em 2014-2015 e atualmente é COO e Head of Sales na Manifattura A. Testori di G. SpA da Itália. Um ponto importante na trajetória da AdC foi a parceria com as consultorias McKinsey e Accenture. “Tínhamos claro onde queríamos chegar e como nos posicionar para os parceiros externos. Não sabíamos como fazer captação e, por indicação do Marcelo Turri, conseguimos apoio das consultorias McKinsey e da Accenture que estão entre as maiores consultorias do mundo. Naquele momento, uma parceria assim era inalcançável, mas através da relação do Marcelo Turri, que trabalhava na Alpargatas, e com um voluntário da Accenture, conseguimos esses dois apoios. Elas nos ajudaram no posicionamento estratégico e tático no mercado para consolidar a forma de nos apresentar”, detalha Silvia. Marcelo Turri explica como aconteceu o “match” entre a AdC e as consultorias: “Por meio de um amigo que tinha trabalhado comigo, conseguimos que essas consultorias nos ajudassem de forma pro bono, isto é, sem cobrar, porque gostaram do projeto. A estratégia na época era pensar na sustentabilidade, para não depender somente da Itália. Foi um projeto longo que durou oito meses e muita gente envolvida para montar um modelo de posicionamento estratégico e acentuar o posicionamento tático-operacional”. Além das consultorias, a entrada da AdC no Pacto Global foi mais um passo rumo à consolidação da imagem para o público externo. Rafael Neves detalha este momento: “Entre 2016 para 2017 sentimos necessidade de uma área de captação de recursos bem estruturada. Foi um desafio porque o terceiro setor, naquele momento, estava numa fase bastante peculiar de estruturação e amadurecimento. Tanto que depois, em 2018, foi sancionada a lei dos fundos de endowment no Brasil. Nesse período surgiu a oportunidade de a AdC passar por um processo de consultoria com a Criando com o professor Michel Freller e a equipe da Associação Brasileira de Captadores de Recursos, em um trabalho de um ano”. Além da Umano Progresso, a AdC recebeu aportes do Instituto Cyrela, Marcelo Turri e Martus Tavares. “A ideia não era usar recursos apenas da Umano Progresso, por isso a ajuda das consultorias e do Michel Freller. Foi um ano de trabalho bastante intenso, de revisão de processos internos, de mapeamento, de capacitação da equipe. A ideia era envolver toda a equipe na captação”, diz Silvia. “Foi um trabalho não só de estruturação de processos, mas também de amadurecimento do corpo profissional e técnico. A partir daí houve um salto institucional da AdC na estratégia de captação de recursos, com um referencial organizado internamente para conseguir concorrer em editais. Obviamente, houveram idas e vindas, com momentos de frustração e de ajustes de expectativas. De uma maneira bem resumida, acabou sendo um processo em que AdC aprendeu bastante e se deparou com uma realidade peculiar, considerando que é uma associação que está muito inserida no território, com demandas e especificidades bastante particulares, em um processo rico em que todos aprenderam junto”, destaca Rafael Neves. O fruto desse trabalho foi o Manual de Captação de Recursos, atualizado pela Laura e o Andrea quando chegaram no início de setembro de 2025. Para Silvia, a captação de recursos não pode ser deixada à instintividade ou a um imediatismo. “É preciso algo profissional e estruturado, saber o que queremos e porque, e entender as infinitas possibilidades para depois escolher: a composição do manual e o conhecimento técnico foi um aprendizado, onde entram a capacidade pessoal e a empatia”, afirma. Tudo isso mudou a chave: o resultado foi um planejamento de três anos sobre quanto era necessário captar e quais seriam estratégias e canais táticos. “Com isso decidimos fazer dois eventos públicos para arrecadar recursos e divulgar a AdC. Dentro de nossa capacidade institucional, identificamos uma série de metas e desafios que tínhamos que mensurar”, destaca Silvia. A AdC organizou um concerto no Museu de Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, com o pianista brasileiro Marcelo Cesena, que morou em Los Angeles (EUA) e hoje mora na Itália; e outro concerto com ele na Itália. “Foi uma aposta, pois nunca tínhamos pensado em fazer uma coisa desse tipo. Conseguimos o auditório do MIS gratuitamente, escolhemos as músicas e alugamos um piano de cauda. Foi muito bonito e de alto nível”, conta Silvia. Na Itália o concerto aconteceu em uma basílica de 1600 e arrecadou mais do que no Brasil devido ao valor do euro. “Meus amigos italianos ajudaram muito a divulgar o evento”, destaca. Para Marcelo Turri esse evento foi marcante: “O concerto do Marcelo Cesena no MIS foi muito bonito, pois entre os espectadores estavam os empreendedores. Foram convidados e eles estavam lá junto com a gente. No MIS, me chamou muita atenção, porque eles foram e gostaram muito, pessoas que nunca tinham colocado os pés no MIS antes”. Um marco importante nesse período foi a entrada no Pacto Global. Silvia explica o que representou para a credibilidade e o alcance da organização. “Em 2018 todo mundo falava dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e precisava entender como a AdC se colocava dentro desse contexto. Ficou claro que participar dele permitia ter uma representatividade e imagem externa de alinhamento com os movimentos que estavam acontecendo no terceiro setor. O Pacto Global exige relatórios a cada dois anos, é uma organização séria e profissional e estar nela não é pouca coisa”, destaca Silvia. Outro evento marcante foi a campanha “Identificam-se Protagonistas” em 2019 a partir de pesquisas e análises de causas. Nessa época chegaram à AdC Raquel e a Mayara que se juntaram à Matilde e ao Adriano, além do Vitor, na comunicação. “A ideia é que fizéssemos algo para que se conhecesse mais a AdC, e, além de captar, incentivar a causa do empreendedorismo em periferia”, completa Silvia. Para isso, uma das ideias foi fazer uma exposição fotográfica em várias linhas do Metrô (linha vermelha, amarela e lilás), um dos lugares mais movimentados de São Paulo, com um fotógrafo que trabalhou pro bono com a duração de vários meses. Outra iniciativa foi um novo evento no MIS com os empreendedores, não como espectadores, mas para falar sobre suas experiências, que contou com a presença da estilista Martha Medeiros, internacionalmente conhecida. “O resultado foi um maior entendimento do valor do empreendedorismo”, conta Silvia. “Tanto a exposição quanto o movimento dos protagonistas, foi, para mim pessoalmente, um marco: você andava no metrô e via os painéis expostos, topava com uma foto no seu dia a dia, e atraiu muita atenção. Sempre tinha gente olhando e os painéis contavam com um QR Code para doações. Depois o momento dos empreendedores apresentarem suas experiências no MIS, onde eles eram o centro do evento contando suas histórias e falando da transformação que viveram. Acho que isso foi muito bonito, e para mim esse foi um ponto de virada”, aponta Rafael Marcoccia. Rafael Neves conta que entre 2016 para 2017, com a reestruturação da AdC e a busca por melhores práticas do terceiro setor, houve um boom de empresas de tecnologia, de crédito, de renegociação de dívidas, principalmente do Vale do Silício, refletido no Brasil por meio das fintechs que começaram a crescer. Além do Banco do Povo Paulista, surgiram muitas outras possibilidades de acesso ao microcrédito a partir da iniciativa privada e das fintechs. Foi assim que surgiu a parceria com a Firgum que entrou na rede de parceiros. “O objetivo era acompanhar o que tinha de mais moderno à época e que isso chegasse aos empreendedores, fazendo a ponte entre a alta tecnologia disponível na economia e as periferias de São Paulo, da Zona Oeste, da Zona Norte, isso nos motivou”. A Firgun foi indicada pela empreendedora Adriana Barros, porque fazia empréstimos também para aqueles empreendedores que tinham dívidas, indo além do Banco do Povo, que não fazia esse tipo de transação. “Como estávamos trabalhando fortemente com o tema de educação financeira e renegociação de dívidas, a Firgun oferecia a possibilidade de crescerem como empreendedores para liquidar suas dívidas”, diz Rafael Neves. Nessa época o nível de endividamento dos empreendedores estava crescendo e essa era a estratégia era oferecer outras possibilidades de empréstimos. “Essa parceria não se manteve porque, com a pandemia, decidimos não fazer mais microcrédito devido ao crescimento do nível de endividamento no país e no nosso público”, completa. Rafael Neves também acompanhou a parceria da AdC com a Caterpillar junto à área de responsabilidade social da empresa. “Foi um trabalho muito interessante, em conjunto com a consultoria Criando, unindo teoria à prática. Para mim particularmente, foi uma experiência muito rica, porque participei do projeto desde o começo e o vi tomando forma, até a execução e o follow-up. Sabemos como é difícil aprovar um projeto até o recurso chegar e ver sua evolução. Nesse caso específico, para mim foi uma oportunidade única de acompanhar tudo do começo ao fim”, destaca. Silvia conta que Rafael Neves foi fundamental nessa parceria, pelos relacionamento que abriu com a Fundação Americana. O recurso foi direcionado aos cursos de educação financeira em três territórios de São Paulo. Nesse período a AdC começou a expandir seu território além da Zona Oeste, alcançando a Vila Mariana e Vila Jacuí, na Zona Leste. “Foram momentos muito interessantes, porque vimos a teoria tomar forma”, diz Silvia. No final de 2019 Silvia entrou em contato com o atual Instituto SYN, propondo que financiassem um projeto piloto da AdC . Após um processo de negociação, o projeto foi aprovado e começou um relacionamento duradouro e de confiança, que gerou impactos significativos na geração de renda e experiências de sucesso nestes últimos anos em várias periferias de São Paulo. Nesse mesmo período a AdC recebeu um telefonema da Inter American Foundation que queria fazer uma visita à AdC para patrocinar um projeto para migrantes. No entanto, com a pandemia, tudo parou. “Ainda estávamos trabalhando com os recursos da Umano Progresso e neste período decidimos reduzir todos os nossos salários para continuar trabalhando”, diz Silvia. As iniciativas desse período demonstram que o fortalecimento da AdC foi resultado de um processo contínuo de aprendizado, planejamento e construção de relacionamentos. Ao profissionalizar a captação de recursos, ampliar sua presença institucional e estabelecer parcerias estratégicas, a organização conquistou maior sustentabilidade sem perder de vista sua missão. Esses avanços prepararam a AdC para enfrentar novos desafios e consolidaram as bases que permitiriam atravessar um dos períodos mais desafiadores de sua história: a pandemia.

  • Teoria da Mudança: quando impacto social ganha direção, sentido e método

    Falar em transformação social é importante. Mas, para que ela deixe de ser apenas intenção e se torne prática consistente, é preciso responder a algumas perguntas centrais: que problema queremos enfrentar? Que ações realizamos? Que mudanças esperamos provocar no curto, no médio e no longo prazo? É justamente esse encadeamento que a Teoria da Mudança ajuda a construir. Ela pode ser definida como o “DNA estratégico da organização”: um modo de explicitar para onde se quer ir e quais atividades sustentam esse caminho. Em termos simples, a Teoria da Mudança é uma ferramenta de planejamento e gestão que organiza, de forma lógica, a relação entre insumos, atividades, produtos, resultados intermediários e impactos mais amplos na sociedade. Ela parte de um problema concreto, identifica hipóteses de transformação e torna visível a lógica que conecta o trabalho cotidiano aos efeitos que se deseja gerar. No caso do terceiro setor, isso também fortalece transparência, foco estratégico e credibilidade diante de financiadores, parceiros e demais públicos. Desenvolver uma Teoria da Mudança não significa apenas listar ações. É um processo de reflexão. Primeiro, a organização reconhece o problema social que enfrenta. Depois, explicita quais recursos e capacidades já possui, quais atividades realiza, o que essas ações entregam na prática e quais transformações podem surgir a partir disso. Esse percurso também exige atenção às premissas que orientam o trabalho, isto é, às crenças construídas pela experiência, e aos fatores externos que podem influenciar os resultados, como mudanças econômicas, políticas, regulatórias e tecnológicas. A Teoria da Mudança da Aventura de Construir Na Aventura de Construir, a Teoria da Mudança nasce da escuta, do vínculo e do reconhecimento do potencial de quem empreende nas periferias. A organização parte de um diagnóstico claro: microempreendedores periféricos enfrentam barreiras estruturais, como falta de acesso a conhecimento, recursos e redes de apoio, o que dificulta o desenvolvimento dos negócios, a geração de renda e a melhoria da qualidade de vida. Diante disso, a AdC atua para que esses empreendedores não sejam apenas atendidos, mas fortalecidos como protagonistas de suas próprias trajetórias. A Teoria da Mudança da AdC busca a transformação protagonista de empreendedores periféricos a partir do fortalecimento de capacidades individuais e coletivas. Para isso, a organização combina capacitações, assessorias personalizadas, estímulo às redes e metodologias próprias, com o objetivo de gerar impactos econômicos, sociais e culturais nas comunidades. A AdC se compreende, assim, como facilitadora de processos de transformação, mantendo os beneficiários no centro das ações. No plano dos insumos, a Teoria da Mudança da AdC reconhece como fundamentais sua estratégia institucional, equipe qualificada, governança engajada, metodologias e materiais educativos, espaço físico, parceiros acadêmicos e corporativos, financiadores, voluntários, tecnologia, canais de comunicação e relacionamento direto com o público atendido. Esses elementos sustentam um conjunto articulado de atividades: capacitações e assessorias, editais de capital semente, eventos, publicações para o ecossistema, relacionamentos institucionais, comunicação, avaliação de impacto, boas práticas de gestão, desenvolvimento da equipe, voluntariado, parcerias e captação de recursos. Essas atividades geram produtos concretos. Entre eles estão os grupos comunitários de saúde mental e formação humana integral, capacitações coletivas e assessorias individuais em gestão de negócios, capital semente para beneficiários, planos de negócio, marketing e finanças estruturados, a Rede Avante Empreendedor para conexão entre empreendedores das cinco regiões do Brasil, aulas e consultorias com universidades e voluntários, entregáveis produzidos por parceiros voluntários, publicações institucionais, participação em eventos, avaliações e instrumentos de transparência, como ESG, balanço patrimonial auditado e políticas de privacidade. Na etapa seguinte, aparecem os resultados intermediários: fortalecimento humano e empoderamento pessoal; melhoria da gestão no âmbito familiar e do negócio; incubação e aceleração de negócios periféricos; criação de redes de empreendedores e comunidades responsáveis; formação de participantes que se reconhecem como geradores de impacto social; construção de pontes entre empresas, universidades, poder público, sociedade civil e terceiro setor; e fortalecimento de práticas internas de transparência e gestão. Em outras palavras, a AdC trabalha para ampliar repertório, confiança, capacidade técnica e conexão social ao mesmo tempo. O ponto mais potente dessa construção está nos resultados esperados para a sociedade. A Teoria da Mudança da AdC afirma que o impacto não termina no indivíduo: ele se expande para o território e para o ecossistema. Por isso, os resultados de longo prazo incluem aumento do protagonismo nas decisões de vida e de negócio, geração de trabalho e renda, transformação e desenvolvimento humano, com ênfase em mentalidade, cultura e segurança emocional, desenvolvimento territorial local inclusivo, democratização do conhecimento, fortalecimento de um ecossistema de impacto social mais coeso, colaborativo e sustentável, criação de valor e engajamento de diversos atores da sociedade civil e crescimento da confiança no terceiro setor como mediador e alocador de recursos para territórios de vulnerabilidade. Esse desenho revela algo essencial sobre o jeito de fazer da Aventura de Construir: empreender não é apenas abrir ou manter um negócio. É desenvolver protagonismo, ampliar horizontes, fortalecer vínculos e criar condições para que pessoas e territórios possam sustentar novos futuros. Esse processo envolve também transformação cultural, segurança emocional e uma mudança de mentalidade: sair da lógica da carência para reconhecer potência, valor e capacidade de decisão. Também por isso a Teoria da Mudança da AdC não é um documento estático. Ela é estratégica, mas viva. Organiza a ação, orienta indicadores institucionais, apoia a comunicação do impacto e ajuda a organização a revisar premissas à luz da prática e do contexto. Mais do que uma ferramenta técnica, ela expressa um compromisso: gerar impacto real sem perder de vista o tempo, o território, a dignidade e a singularidade de cada pessoa. Na Aventura de Construir, transformar a realidade começa pela escuta. E a Teoria da Mudança é justamente o mapa que permite transformar essa escuta em ação consistente, essa ação em resultado e esse resultado em mudança social duradoura.

  • Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Desenvolvimento institucional e a transformação em OSCIP

    No segundo encontro da série Raízes que Constroem abordamos o período 2015 a 2019, marcado pela criação da OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), parceria com a consultoria McKinsey e Accenture, entre outras, e a entrada no Pacto Global. Ainda nesta época: houve a parceria com a Firgum, o começo da captação via investimento social e privado, e a campanha Identificam-se Protagonistas. A entrevista reuniu Adriano Gaved, que trabalhou como consultor na AdC neste período, Rafael Mahfoud Marcoccia, jornalista e professor de Sociologia e Filosofia na FEI e diretor da AdC; Marcelo Turri, engenheiro mecânico pela Poli-USP com MBA Administração de Negócios no Insper e vice-presidente da AdC; Rafael Neves, consultor de Advocacy no Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e ex-integrante do conselho consultivo da AdC, e Giacomo Villa, que trabalhou na AdC em 2014-2015 e atualmente é COO e Head of Sales na Manifattura A. Testori di G. SpA da Itália. Confira a seguir o quarto texto da série: Com a transformação da AdC em OSCIP, mudou não só o formato jurídico, como também a forma como a organização se apresentava ao mundo. Para Rafael Marcoccia, a mudança foi significativa, pois a AdC começou a ser olhada de forma mais global e holística para os microempreendedores. “O acesso ao microcrédito, é importante, mas em apenas um aspecto, pois se começa a olhar para os empreendedores de maneira mais ampla”. Além do acesso ao microcrédito, a AdC começa a oferecer uma educação aos negócios, não só de como formalizar, mas também quais passos iniciais devem ser dados, a separação entre as contas pessoais e jurídicas e a importância do CNPJ. “E uma preocupação em como aumentar o negócio, não só no sentido de acesso a recursos”, afirma Marcoccia. Foi uma semente do que foi amadurecido mais a frente, com o desenvolvimento territorial. “Não foi apenas uma questão formal, mas de metodologia: ficou mais evidente a centralidade da pessoa, enfatizado desde o início: com a fundação da OSCIP esse critério começa a ser observado de maneira mais ampla”, diz Rafael Marcoccia. Marcelo Turri, ressalta importância da centralidade da pessoa, desde a fundação da AdC: “O que não se perdeu, desde o período anterior à OSCIP, foi a preocupação com a pessoa, com o empreendedor e com o impacto. Já no início, quando comecei a participar, havia essa grande preocupação de entender, de fato, o grupo que era acompanhado pela AdC, o impacto que gerava comparado a outros grupos que não atendíamos”, diz Marcelo. Ele destaca ainda que a AdC conseguia medir claramente o impacto integral, econômico e social nos empreendimentos. Como participante do conselho consultivo, Rafael Neves lembra quando entrou na AdC: “Comecei como estagiário, logo virei consultor em 2017 para 2018, e aí a Silvia me convidou para participar do conselho consultivo, onde fiquei três anos, até 2021. Para mim, foi muito interessante ver a evolução da AdC, tanto do ponto de vista de estar no dia a dia da organização como pela oportunidade de acompanhar mais, posteriormente integrando o conselho consultivo. Essa virada para OSCIP, para mim, foi muito interessante, porque estava começando a entender esse universo do terceiro setor, acompanhando o amadurecimento das discussões do conselho consultivo e do fundo de endowment e a preparação dos documentos necessários para a AdC ser OSCIP e entrar no Pacto Global. É nítido o amadurecimento da associação em termos de governança. Para mim foi uma escola ver o desenvolvimento da associação que tem uma missão muito importante ainda hoje, depois de 15 anos, para a população”, afirma. Giacomo Villa, que trabalhou na AdC entre 2014 e 2015 na captação e no suporte para as capacitações, avalia esse período: “Para mim, o impacto dessa experiência com os empreendedores da AdC, foi sobretudo acompanhar a Silvia e os colaboradores, e como a organização enxerga o ser humano, o interesse e a profundidade na compreensão das necessidades das pessoas. Depois descobri que isso tinha a ver, de fato, com uma concepção do que é o humano. Só é possível olhar o ser humano assim se você tem uma certa concepção para entender esse dom. Isso foi algo importantíssimo na minha experiência profissional. Esse processo, que depois se desenvolveu como método, não estava ainda presente, mas com certeza as raízes já tinham começado. Esse método que aprendi e que hoje eu levo para o meu trabalho na Itália, é o método da realidade. Por exemplo, a captação de recursos, o desenvolvimento das parcerias, os encontros, os relacionamentos, o que acontecia, de fato, virava método e era aprofundado. Tudo que acontece dentro ou fora da organização, é ferramenta para a tomada de decisão. Além dos desafios que eu posso encontrar hoje como empreendedor, sei que o que acontece vai virar uma ajuda e amadurecer uma decisão”, destaca. Para Silvia Caironi, a mudança de LTDA para OSCIP foi um marco para começar a captar recursos além da fundação filantrópica italiana Umano Progresso. “A OSCIP fez da AdC uma entidade própria que nascia de uma experiência, mas que tinha todo um aspecto de autonomia e protagonismo, trabalhado junto com o presidente da Umano Progresso, Angelo Abbondio e Fabrizio Pelicelli, diretor da AVSI na América Latina, e que posteriormente entrou para o conselho fiscal e na assembleia da AdC. Para se tornar uma OSCIP é necessário criar uma associação e que pode demorar anos: nós conseguimos em quatro meses. Nesse percurso, sinto muita falta da Matilde Silva, responsável administrativa da AdC, que faleceu em 2024 pois todo esse processo foi uma construção conjunta e representou uma virada de chave.” Como OSCIP a AdC se apresentou ao mercado com as credenciais de ter um Conselho Fiscal e uma Assembleia: foi uma transformação radical, do ponto de vista societário e de imagem. “Dentro, o trabalho era basicamente o mesmo, só que havia a possibilidade de fazer a captação de recursos com mais seriedade. Como Limitada pagávamos impostos, e como OSCIP nos transformamos em uma organização do terceiro setor que precisava de um tempo para alcançar a sustentabilidade”, continua Silvia. Com o aporte inicial de 1 milhão de euros e posteriormente mais 350 mil euros foi possível ter tranquilidade para iniciar o aprendizado da captação. Para esse trabalho a AdC contratou uma consultoria e recebeu aportes do Instituto Cyrela e do Marcelo Turri. Marcelo relembra como chegou à AdC: “Eu faço parte de um movimento católico, Comunhão e Libertação. Quando chegou essa italiana do Peru aqui no Brasil, fui conhecê-la por indicação do Padre Julian de La Morena, que nos apresentou e contou sobre o trabalho e como eu poderia ajudar. Sou muito grato por existir uma entidade que se preocupa em educar as pessoas para que elas não dependam simplesmente do Estado, mas que empreendam, desenvolvam negócios próprios. Não sou contra o Estado, fui educado graças ao Estado. Fiz todas as séries, primeiro grau, segundo grau, terceiro grau e universidade, tudo em escola pública. Mas acho que o que falta no Brasil é esse incentivo, ou mais auxílio para que as pessoas não dependam tanto do Estado, mas empreendam e gerem renda a partir do seu protagonismo. Achei muito bacana isso na AdC e foi isso que me motivou a estar aqui, ajudando a Silvia Caironi e todos que estão aqui atualmente.” Rafael Marcoccia vem da mesma experiência: “Participo do mesmo movimento que o Marcelo. Um dia a Silvia me ligou e perguntou se eu queria ajudar na AdC. Ela me explicou a transformação de Limitada para OSCIP e se eu queria fazer parte da diretoria. Trabalhando na universidade fiz pesquisa justamente na área que inicialmente a AdC atuava, a Associação dos Trabalhadores Sem Terra de São Paulo ligada à moradia. Fiz pesquisas com eles no meu mestrado e doutorado. Topei, e estou na AdC desde então. O que me motiva é muito parecido com o que o Marcelo falou, porque as minhas pesquisas, do ponto de vista da academia, foram focadas justamente na centralidade da pessoa e num princípio político que se chama subsidiariedade, de você dar força para as organizações locais, para as organizações da sociedade civil, para que elas possam fazer bem o seu trabalho com toda a sua criatividade, sua liberdade e sua autonomia. Eu via na AdC uma expressão concreta na sua metodologia, na maneira de enxergar as coisas, de trabalhar esse princípio da centralidade da pessoa, o desenvolvimento humano integral, de olhar a pessoa não só sob um ou dois aspectos, mas para o desenvolvimento dela como um todo, e de fazer as pessoas andarem com as próprias pernas, não serem dependentes do Estado ou de qualquer outra empresa. O que me motiva é essa experiência concreta”. Rafael Neves conta como se juntou à AdC e os impactos no seu trabalho. “Cheguei na AdC no início da minha vida acadêmica, ainda na graduação. Hoje estou no doutorado. Primeiro foi o interesse de trabalhar no terceiro setor. Eu me formei em Relações Internacionais, que é uma área que gosto, mas que fica muito nos estudos das grandes questões geopolíticas, economia e política internacional. Eu sentia falta de uma experiência mais concreta com a realidade, e muito interesse em ter um contato com o terceiro setor. Bati na porta da AdC na segunda metade da graduação. Fiz um dia de voluntariado com a Silvia e o Carlos, e, na época, a Matilde e a Yara, uma equipe pequena, mas super atuante. Me convidaram para fazer um estágio. Minha entrada não se deu a partir do grupo católico, que depois eu pude ter contato, principalmente com a filosofia, de que a experiência parte da realidade. Eu aprendi muito, além da parte técnica, acadêmica, de avaliação de impacto, de assessoria de investimento. Foi uma experiência bastante profunda e transformadora para mim na época. Vale dizer que o que mais me fascina até hoje, de ter passado pela AdC -- hoje eu voltei para o terceiro setor, no Instituto de Pesquisa na área da saúde, que olha muito para nível de governança, -- o que até hoje me interessa, é por ser uma organização capaz de ter uma relação com o território e isso é algo muito rico. Se você tem um contato direto com a população, com a realidade, não é a questão de não depender do Estado, mas como a sociedade civil faz com que as políticas públicas cheguem a determinadas populações, sendo que a sociedade civil organizada é intermediadora, e isso me interessou muito. Quando a AdC fazia o meio de campo com o Banco do Povo Paulista, com o microcrédito, foi uma experiência única. Hoje a AdC, pelo que vejo de organizações do ecossistema do terceiro setor, é uma das poucas que ainda tem essa relação direta com a população, com o território, e eu acho que isso foi muito marcante para a minha experiência junto à associação”. Giacomo Villa conta como se juntou à AdC. “Conheci através de dois amigos, um deles, Francesco Babbi, já tinha trabalhado na AdC. Eu tinha um interesse específico no mestrado na Itália, como estudante de economia, sobre o microcrédito, e quando soube do projeto se abriu a possibilidade de fazer uma pesquisa sobre esse mercado no Brasil. Depois, vendo o impacto da educação e capacitação, como fator crítico de sucesso dos programas de microcrédito, comparando a Caixa Econômica Federal, o Banco do Povo e o Banco Santander. No começo, foi desafiante aprender o português, e a forma como a Silvia me desafiava, que é também parte do método da formação das pessoas na AdC e com os empreendedores. Isso me motivou desde o início. Muitos empreendedores começavam um negócio sem de fato ter ferramentas práticas ou teóricas, sobre educação financeira.” conta Giacomo. No início, Silvia não assumiu a presidência da AdC por questões de visto de permanência no Brasil. “Quando criamos a OSCIP, meu vínculo era com a Limitada e entrei na presidência só a partir de 2017. Em 2015, quando criamos a OSCIP, não era presidente e nem fazia parte do corpo diretivo. O que me impressiona desses dez anos são as pessoas que sempre estiveram presentes, e com as quais tenho uma gratidão imensa, porque nunca teria conseguido construir tudo isso sem elas. A relação com elas é uma relação de pessoas que têm um olhar, que parte do mesmo ponto. Sempre foi uma ajuda muito grande na construção da AdC e uma companhia real”, explica Silvia. A transformação da AdC em OSCIP representou muito mais do que uma mudança jurídica. Esse período consolidou uma forma de atuar baseada na centralidade da pessoa, na governança, no fortalecimento institucional e na construção de relações de confiança. Ao ampliar sua capacidade de articulação e estruturar sua metodologia, a organização deu um passo decisivo para unir profissionalização e propósito, preparando o caminho para novas parcerias, estratégias de sustentabilidade e um impacto cada vez mais consistente junto aos microempreendedores.

  • O poder das comunidades: por que clientes querem pertencer antes de comprar?

    Por Rogério Moreira Ribeiro Passos Pense na última vez que você comprou algo de uma marca sem nunca ter ouvido falar dela antes. Provavelmente, alguém de confiança indicou, você viu outras pessoas usando ou se identificou com os valores que ela transmitia. Essa jornada constrói um vínculo de confiança que, inevitavelmente, guia o consumidor até a venda. Essa sequência não é por acaso. Ela revela uma transformação profunda no comportamento de consumo que está redesenhando a forma como marcas e negócios precisam se relacionar com as pessoas. Antes de convencer alguém a comprar, é preciso fazer com que ela queira pertencer. Nos últimos conteúdos do blog já falamos sobre fidelização, jornada do cliente e a força das micro comunidades, agora é hora de olhar para o que está por trás de tudo isso: a necessidade humana de fazer parte de algo maior do que uma simples transação. O consumidor mudou, e o seu negócio acompanhou? Durante muito tempo, a lógica do mercado era direta: produto bom, preço competitivo e boa comunicação, a qual, resultava em vendas, ainda essa equação importa, mas ela não é mais suficiente, principalmente em longo prazo. Segundo a Revista E&S, as transações frias e impessoais com marcas já não têm mais espaço no mercado atual. Os consumidores querem experienciar, se envolver, interagir e pertencer. Uma pesquisa da Harvard Business Review de 2023, divulgada pela agência Creative Hut, aponta que 61% dos consumidores se sentem emocionalmente desconectados das marcas que consomem, mesmo interagindo com elas toda semana. São pessoas que seguem perfis, recebem newsletters, veem posts patrocinados, mas não sentem nenhuma identificação real com o que estão consumindo. Isso revela um paradoxo curioso da era digital: nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão distantes das marcas com as quais nos relacionamos. O que é comunidade de marca, afinal? Antes de continuar, vale esclarecer o que estamos chamando de comunidade neste contexto. Não estamos falando de grupos de WhatsApp com nome de marca ou de seguidores nas redes sociais, nesse caso é algo mais profundo. Segundo os pesquisadores Munis e Souza (2024), citados pela Revista E&S, uma comunidade de marca é um grupo de pessoas reunidas em torno de um negócio, produto ou serviço, que constrói relações que ultrapassam somente o lado comercial e chegam à esfera emocional. Os membros se reconhecem naquela marca e se reconhecem uns nos outros como parte de uma grande família. O teórico Seth Godin usa a palavra "tribos" para descrever esse fenômeno. Para ele, as pessoas querem fazer parte de algo significativo, e as marcas que constroem tribos não apenas vendem: elas criam movimentos. Por que o pertencimento vem antes da compra? A resposta mais direta é: porque as decisões de compra estão cada vez mais influenciadas por indicações sociais e não por publicidade. As pessoas confiam em pessoas, se a marca quer alcançar o cliente, ela precisa primeiro ganhar a confiança de já está por perto, em um mercado cada vez maior, ser diferente faz muita diferença. A Agência Ecco resume bem essa virada: "Antes de escalar, é preciso se conectar." Durante muito tempo o foco era quantidade, mais mídia, mais impacto. Hoje, as marcas perceberam que a escala nasce muito por conta da conexão real. Ao passo em que a marca se mistura ao cotidiano e há um sincretismo entre a cultura local e os ideais da marca, naturalmente ela se fortalece. Não por imposição ou negociação pensada, mas simplesmente por ter se integrado ao pensamento cotidiano dos indivíduos, que a repassam por entre seus conterrâneos no dia-a-dia. Por conseguinte, provocando o fortalecimento dos ideais que a marca representa e aumentando sua presença e relevância no cenário. Como construir a sua comunidade A boa notícia é que construir comunidade tem mais a ver com intenção do que com recursos, aqui estão alguns pontos de partida: Defina qual é o seu território. Toda comunidade existe em torno de algo: um valor, uma causa, um estilo de vida, uma visão de mundo. Qual é o seu? Uma loja de produtos naturais pode construir uma comunidade em torno da saúde consciente. Uma oficina mecânica pode se tornar referência para quem quer entender mais sobre o próprio carro. Encontre o território antes de pensar nos canais. Ouça antes de falar. O erro mais comum de quem tenta criar comunidade é usar os canais de comunicação apenas para empurrar conteúdo. Comunidade exige escuta. Faça perguntas reais, responda comentários com atenção, perceba o que provoca mais conversa. A interação mútua é um dos pilares que sustentam uma comunidade verdadeira. Celebre quem já faz parte. Clientes frequentes, pessoas que indicam o seu negócio, quem comenta, compartilha ou tem uma presença constante são os primeiros membros da sua comunidade. Reconheça isso. Um agradecimento personalizado, uma vantagem exclusiva ou uma menção pública pode transformar um cliente satisfeito em defensor da marca. Crie pontos de encontro. Não necessariamente no mundo físico. Uma conversa regular no Instagram/Stories, um grupo de WhatsApp com propósito claro, uma newsletter quinzenal com conteúdo relevante, são formas de manter as pessoas conectadas entre si e com o seu negócio. O que importa é a regularidade e a consistência. Seja humano antes de ser marca. As melhores comunidades são construídas por pessoas que se importam genuinamente. Compartilhar a história por trás do negócio, os bastidores do processo, os erros e aprendizados cria laços que nenhuma campanha de marketing consegue replicar. Mais do que uma estratégia de marketing, construir comunidade é uma decisão sobre que tipo de negócio você quer ser: um que apenas vende para pessoas ou um que realmente coexiste com elas. A resposta a essa pergunta vai definir os seus resultados, mas também a longevidade do que você está construindo.

  • Empreendedorismo migrante em pauta: Silvia Caironi participa do podcast O Assunto, do g1

    Por Nathalia Vezenhassi Nesta semana, em que celebramos o Dia do Imigrante e o Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas, a Aventura de Construir teve a alegria de participar de um importante debate nacional sobre migração, acolhimento e desenvolvimento econômico. A fundadora e presidente da organização, Silvia Caironi, foi uma das convidadas do podcast O Assunto, do g1, apresentado pela jornalista Natuza Nery. No episódio, o debate trouxe uma reflexão necessária sobre o papel dos migrantes e refugiados na sociedade e na economia brasileira. Em um cenário global marcado por deslocamentos forçados, crises humanitárias e, muitas vezes, pelo aumento de barreiras à migração, a discussão destacou a importância de enxergar essas pessoas não apenas sob a perspectiva do acolhimento, mas também como protagonistas capazes de gerar renda, movimentar economias locais e fortalecer comunidades. Durante a conversa, Silvia compartilhou a experiência da Aventura de Construir no acompanhamento de empreendedores migrantes e refugiados, ressaltando como o empreendedorismo tem se mostrado um caminho potente para a inclusão socioeconômica, a reconstrução de projetos de vida e a geração de oportunidades. A participação também reforçou a necessidade de políticas e iniciativas que ampliem o acesso dessas populações a formação, redes de apoio e oportunidades de desenvolvimento. Para a Aventura de Construir, integrar espaços de diálogo como este significa ampliar vozes, sensibilizar a sociedade e fortalecer o reconhecimento do empreendedorismo como ferramenta de transformação social. Acolher é importante, e criar condições para que pessoas reconstruam suas trajetórias com autonomia é fundamental. Confira o episódio completo no podcast O Assunto e acompanhe essa conversa tão necessária sobre migração, empreendedorismo e desenvolvimento. E mais do que isso: transformar protagonistas! Ouça o episódio: Podcast O Assunto – Migrantes e refugiados: do acolhimento à oportunidade econômica

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