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  • Treinamento para microempreendedores: presencial ou remoto?

    O Blog AdC de hoje traz um artigo escrito por Adriano Gaved e Luiza Kormann para a coluna da Insper Metrics da Revista Exame. Avaliando as diferenças entre o treinamento para empreendedores de forma presencial e de forma remota, vem a oposição entre eficácia e eficiência em cada modalidade. Como avaliar e qual a importância de prestar atenção nestes impactos? Confira no texto abaixo! A covid-19 afetou profundamente a dinâmica de diversos segmentos. Para adequar-se ao novo cenário, a Aventura de Construir (AdC) passou a oferecer cursos de capacitação de maneira remota para microempreendedores periféricos. No entanto, seriam esses cursos tão efetivos quanto os ministrados presencialmente? Para responder a essa pergunta, mesmo que parcialmente, comparamos duas ações, uma presencial pré-pandemia e outra já sob efeito de medidas de distanciamento social. A comparação envolve os projetos “Aprender para Transformar” e “A Realidade Empreendedora”. O primeiro é um programa de educação financeira para famílias, patrocinado pela Fundação Caterpillar, e foi desempenhado de maneira presencial. O segundo é voltado para geração de renda e formalização de empreendedores, financiado pelo Instituto CCP, e foi ministrado de maneira remota. Embora sejam oferecidos para públicos diferentes e tenham objetivos distintos, o fato de ambos terem algumas métricas em comum possibilitou que obtivéssemos algumas percepções sobre como o processo de aprendizagem mudou nesses dois cenários. Primeiro, ficou evidente que o ensino de maneira remota possibilita um forte aumento de eficiência. Cada hora de um colaborador AdC gerou mais de 5 horas de relacionamento com cada empreendedor, em aula ou individual, contra 1,5 hora no atendimento presencial. Sem a necessidade de deslocamentos e preparação dos espaços, o esforço para realizar uma hora de formação passou de 27,5 horas/pessoa para 11,6 horas/pessoa. Além disso, constatamos uma maior frequência dos beneficiários no cenário online, com 44% dos participantes com presença em mais de 70% das palestras (no curso presencial, esse número ficou em 36%). No entanto, encontramos algumas evidências que sinalizam que o aprendizado online não é tão efetivo quanto o presencial. Os dois projetos têm como objetivo comum oferecer aos participantes conhecimentos sobre controle financeiro, medido em uma escada de 1 a 5, em que 1 indica inexistência de controle e 5 aponta para o uso de balanços mensais. Valores intermédios representam casos em que há anotações de entradas e saídas monetárias, cálculo do lucro mensal e controle de caixa. Para ver a evolução dos participantes ao longo do curso, atribuímos uma nota a cada um dos participantes antes da iniciativa e após o término da ação. No projeto presencial, identificamos que a nota média inicial dos participantes era de 1,16 e passou para 2,54 ao final da capacitação, representando um acrescimento de 1,38 ponto. No caso online, a variação foi de 0,79, de 1,93 inicialmente para 2,72 ao término. Com base nos feedbacks dos empreendedores participantes do curso, acreditamos que a menor eficácia da capacitação está relacionada à natureza mais “fria” das ferramentas e do fato de elas não permitirem uma interação maior entre os participantes, como a realização de papos informais antes e após as aulas. São detalhes importantes para o processo de aprendizado que acabam “cortados” em uma chamada vídeo. Poderíamos ser iludidos pelos ganhos de eficiência a entrar em um caminho de digitalização total. No entanto, algumas evidências nos indicam que o relacionamento presencial continua a ser um fator importante no aprendizado. Desta forma, exercícios comparativos como esse são necessários, pois ajudam a ter uma visão mais geral do processo como um todo e auxiliam na busca de soluções mais efetivas de aprendizado.

  • Atitudes para ser mais produtivo e ter uma qualidade de vida melhor

    O Blog AdC de hoje traz o texto de Alessandra Valladares, estudante de Ciências Contábeis na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP, sobre como implementar atitudes e hábitos mais saudáveis no nosso dia a dia. A parceria da Aventura de Construir com a instituição tem como objetivo conectar estudantes do primeiro semestre de Administração com pautas do empreendedorismo social. A entrevista que realizamos sobre o projeto pode ser acessada neste link. Atitudes e hábitos interferem na área profissional e pessoal de qualquer um, e com a chegada da pandemia, esse assunto vem sendo cada vez mais explorado, pois tivemos que abdicar de certos lazeres para ficarmos dentro de nosso próprio lar. O uso do tempo livre para aprimorar conhecimentos, praticar exercícios e ler um bom livro foi a alternativa encontrada por alguns, mas para outros, sem sequer perceber, estão sendo sugados por atividades que não  agregam em nada a longo prazo, apenas uma sensação de recompensa de curto prazo como por exemplo o mau uso das redes sociais. A catástrofe que estamos vivendo há mais de um ano, serviu para analisarmos onde podemos mudar para sermos pessoas melhores, seja na alimentação, no trabalho, no lar, na saúde ou disposição do dia a dia. Então se pergunte e reflita: Eu estou utilizando meu tempo da melhor forma ou posso aprimorá-lo? Às vezes certos costumes que nosso subconsciente utiliza para compensar o estresse diário,  não possui um discernimento do que é ou não benéfico. Abaixo cito algumas atitudes para você prestar mais atenção daqui pra frente: 1. UTILIZAÇÃO CORRETA DAS REDES SOCIAIS: De uns anos pra cá, a internet tomou conta de nossas vidas e o que antes era uma ótima ferramenta para ligar ”culturas”, hoje virou uma armadilha de algoritmos para nos prender o maior tempo possível rolando as publicações abaixo. Quantas vezes antes de pegar no celular disse a si mesmo que  seria apenas uma olhada de 5 min, quando percebe já se passou 1 hora? O índice de depressão e ansiedade em jovens e adultos aumentou durante o período de confinamento, e as redes sociais contribuem negativamente para essa situação. Geralmente só postamos aquilo que queremos que as pessoas vejam, correto? Nas redes temos uma vida perfeita, família perfeita e um relacionamento perfeito. Diante das vidas surreais nos sentimos impotentes e incapazes, pelo fato de desejarmos ter uma vida igual. DICA: Remova da sua lista de amizades, aqueles que não têm o mesmo propósito que você e filtre apenas o que é do seu interesse e agrado. Ou se preferir, desative as redes sociais por um tempo, até que você esteja no controle, não o algoritmo e o seu dedo. 2. ANÁLISE SEUS HÁBITOS: Tudo aquilo que vemos, falamos, agimos, pensamos, ingerimos e escutamos estão relacionados com os  hábitos. Eles irão descrever o tipo de pessoa que é hoje, observando assim, onde deseja mudar para ser aquilo que você quiser ser amanhã. No início, todo novo hábito é forçado, pois não estamos acostumados a   praticá-lo e não conseguimos muitas vezes ver os resultados em curto prazo, mas a longo prazo será compensador tornando perceptível as mudanças em seu corpo, na sua mente, no seu humor e o aumento de sua produtividade. DICA: Comece com um passo de cada vez, abraçar o mundo e querer pular dois degraus não resolverá e provavelmente seu corpo não irá dar conta de  tantas mudanças repentinas. 3. PRATIQUE EXERCÍCIOS: Seja correr, pular corda, andar de bicicleta ou se alongar. Tudo que faça o corpo se mexer e sair de sua zona de conforto lhe trará múltiplos benefícios como: Aumenta a disposição; Libera endorfina: a qual promove a sensação de recompensa e bem-estar; Melhora na qualidade do sono; Controla o peso corporal; Renova o condicionamento físico; Controla a ansiedade e depressão, dentre outros.; Diminuí o estresse 4. CUIDE DA ALIMENTAÇÃO: Você consome mais produtos artificiais e processados ou naturais? Nosso corpo pede aquilo que está acostumado a receber, porém,  é possível reeducá-lo quando desejamos. Tudo aquilo que ingerimos interfere no funcionamento e em nossa disposição. Já sentiu a diferença do seu organismo após comer um hambúrguer e batata frita ou um arroz com batata doce e frango? Ao consumir alimentos gordurosos, nos sentimos pesados e preguiçosos; e nas alimentações mais saudáveis, nos sentimos mais dispostos a cumprir com os  compromissos do dia. Ao beber água e refrigerante temos outra diferença enorme, somos como uma máquina que precisa ser constantemente lubrificada para o seu funcionamento, dependendo do produto, ela será mais eficaz ou não. DICA: Como na questão dos hábitos, não mude bruscamente, pois o seu corpo irá sentir e não conseguirá acompanhar o ritmo da sua mente, você pode muito bem ter uma alimentação saudável consumindo aquilo que lhe         agrada. E também, permita-se ter um dia de lixo na semana e comer aquilo que tiver vontade, pois se alimentar bem não é sinônimo de passar vontade. 5. AMBIENTE: Os ambientes também interferem em todos os aspectos do nosso dia a dia. Os lugares onde frequentamos e onde moramos tem tamanha significância, uma vez que é onde ficamos a maior parte do tempo. Nesta quarentena não temos muitos refúgios e a maior parte do tempo não saímos, famílias estão tendo conflitos e a energia do local fica inapropriada para se ter paz e disposição para trabalhar com eficiência. DICA: Não podemos mudar o ambiente onde estamos, mas podemos mudar nossa reação  perante determinadas situações. Saiba filtrar lugares, se aproxime de pessoas que realmente lhe coloque pra cima. Toda vez que pensar em incluir algum hábito novo, não tenha aquela pressa de mudar rápido, é um processo repetitivo e persistente. De acordo com os estudos mencionados pelo psicólogo Jeremy Dean, Autor do livro Making Habits, Breaking Habits: Why We Do Things, Why We Don’t, and How to Make Any Change Stick, leva em média 66 dias para que alguém adquira um novo hábito, ou seja, comece a fazer algo que antes não era costume de maneira automática. Mas esse número é uma média e ele varia bastante de indivíduo para indivíduo e, claro, dependendo do hábito. Beber um copo de água antes do café da manhã demorou cerca de 20 dias para se transformar em hábito. Exercitar-se levou 84 dias para virar hábito para um dos participantes de um estudo. Com tudo que foi exposto acima, devemos manter uma postura de constante alerta e, se desejarmos realmente mudar, basta querer e buscar um motivo plausível para que isso ocorra. Nossa mente busca sempre refúgios, e nessas horas é que precisamos manter o foco e a disciplina, dizendo não às tentações! Aquilo que nos parece “bom”, nos prejudica e aquilo que nos força sair da zona de conforto, nos aprimora. Alessandra Valladares Dias Lima Estudante de Ciências Contábeis – FECAP

  • 10 dicas para se tornar protagonista em sua trajetória profissional (parte 1)

    No dia 24 de agosto de 2021, a Aventura de Construir comemorou 10 anos de existência, de jornada viva e caminhos abertos. Os desafios, partes fundamentais nesta trajetória, contribuíram para firmar o passo, fortalecer o movimento. A realidade se mostra todos os dias, e nem por isso se torna óbvia. Nos 10 anos de AdC, fomos convidados diariamente a “aprender a aprender”, a treinar os sentidos, para ouvir e enxergar cada vez mais. Em março de 2020, a realidade foi a pandemia de covid-19 e seus desdobramentos em nível mundial. O que era visto na televisão em outro país, começou a chegar cada vez mais perto e o desespero e medo foram tomando conta das pessoas. “O que fazer? Como estão os empreendedores?” Foram perguntas recorrentes por parte da equipe. Refletir sobre a própria missão e objetivos projetuais é uma forma concreta de entender ainda mais o trabalho realizado e a ser ainda desenvolvido. E nesta situação, não foi diferente. A AdC refletiu profundamente sobre sua própria missão levando em consideração o contexto atual e as novas (e não tão novas) necessidades do pequeno empreendedor periférico. E para fundamentar este processo e validar os próximos passos, os meses seguintes de 2020 (abril, maio e junho) foram de muito trabalho. Algumas das ações pontuais realizadas: pesquisa de acesso a tecnologia com público alvo, mutirão de ligações para entendimento do contexto individual dos empreendedores, sistematização de oportunidades para o público em plataformas de financiamento coletivo, entre muitas outras. Durante as reuniões de equipe, o método de trabalho da AdC foi revisitado como parte do processo de reflexão, como por exemplo: “Partir da realidade” e “Gerar protagonismo acreditando na centralidade da pessoa”. Estes dois pontos já foram comentados diversas vezes, mas, a situação convidou a todos a olhar mais fundo e ressaltou a importância em vivenciá-los dentro da instituição, no relacionamento entre equipe e beneficiários e, sobretudo, no desenho e implementação de um novo projeto. E O QUE FICA? COMO AS AÇÕES NÃO SE PERDEM? Apesar da situação ser totalmente nova, o caminho para enfrentá-la era repleto de ações já conhecidas pela equipe e beneficiários. Mas, sabemos que ao revisitar o passado, surgem novos processos, desde a formulação até sua implementação e adaptação. Toda esta teia de aprendizado construída coletivamente entre equipe e beneficiários foi validada, analisada e incorporada no processo de vida da AdC, e tornam estes 10 anos ainda mais potentes. Seja em 2014 ou em 2020 no meio da pandemia, o trabalho da AdC continua ser apoiar os empreendedores da periferia (agora, não só os de São Paulo, mas de todos os estados do Brasil) e acreditar sempre no protagonismo de cada pessoa. Comemorar os 10 anos da AdC é também comemorar a força do empreendedor da periferia brasileira. E agradecer a todos que compõem este time e fazem que o trabalho realizado pela AdC seja possível. Uma capacitação só é possível quando tem pessoas, perguntas, risadas no meio, até o microfone que vaza um barulho faz parte, pois isso mostra que é humano, que não é só tela. Uma assessoria só é possível quando a pessoa do outro lado tem expressão, diz que não entendeu, ou pede pra explicar novamente. O trabalho da AdC, portanto, só é possível ser feito em conjunto. E por isso preparamos 10 dicas para você se tornar cada vez mais protagonista em sua trajetória profissional. Elas serão divididas em duas partes: 5 dicas na Jornada de Sustentabilidade de Agosto, e as outras 5 na Jornada de Setembro. Segura a ansiedade! E de onde tiramos estas dicas? Elas foram identificadas a partir dessa história de 10 anos e de uma série de situações em que a realidade nos mostrou escancaradamente o protagonismo dos empreendedores atendidos, principalmente neste momento de pandemia. O objetivo aqui, é valorizar cada pequena ação! E mostrar que muitas vezes, a ação de um, é também a do outro e desta forma vamos aprendendo com a experiência de outros. Então, bora para as 5 primeiras dicas! 1. SE CONSCIENTIZAR DA PRÓPRIA REALIDADE Primeiro passo! É preciso entender a situação sem medo e com toda lealdade. Só assim, depois de um raio x do seu empreendimento, será possível seguir. Seja traçando um plano de ação ou revendo estratégias utilizadas. Mas sempre a partir de algo real. E para esta análise, seja criativo! Vale papel e caneta, mas também vale gravar áudio e se escutar, vale fazer uso de ferramentas tecnológicas para visualizar melhor. O que importa é realizar um panorama da situação. E não é para se desesperar ou ficar triste, mas para se organizar de forma concreta! Certa vez, uma empreendedora estava relembrando que em um determinado momento pensou muito em tentar um empréstimo, porém, antes de fazê-lo decidiu parar e organizar seus pensamentos. Juntou a teoria com a experiência prática de seu empreendimento, analisou os dados de faturamento e percebeu que, naquele momento, o empréstimo não era a solução ideal, pelo contrário, poderia complicar ainda mais a sua  situação financeira. 23ª capacitação do Projeto “A Realidade Empreendedora II” – Apresentação sobre Microcrédito com os parceiros: Firgun e Banco Pérola. Esta aula é programada para ser realizada no final do cronograma, para garantir um preparo dos empreendedores em relação ao tema do microcrédito. 2. IDENTIFICAR AS PRÓPRIAS DIFICULDADES DE FORMA CONCRETA Se você fala que tem uma dúvida sobre um tema, já reparou como você expõe esta dificuldade? Quando começamos um curso, e aparecem temas muito esperados, como Marketing ou Finanças, é comum escutar “eu tenho dúvida sobre tudo”, e aos poucos, as pessoas vão conseguindo aprofundar e especificar mais estas dúvidas. A dúvida ganha forma quando se conhece mais sobre o tema! No projeto Realidade Empreendedora II (REII), ao término de cada aula, era colocado como pequena meta: 1. aprofunde suas dúvidas, onde exatamente elas estão? em qual tema? 2. como esta dúvida se relaciona com seu cotidiano profissional? A cada volta, dúvidas mais firmes específicas  apareciam. Se em um primeiro momento, a dúvida era toda sobre o tema de precificação, no 2º, aparecia mais direcionada à definição do pró-labore, ou como considerar os custos fixos e variáveis na conta. E será que a dúvida é mesmo sobre o tema em questão ou tem algo atrás? Ainda sobre o projeto REII, ao analisar os dados sobre as assessorias, percebemos  que os assuntos de maiores dúvidas estavam relacionados a: 1. organizar as tarefas do dia e classificá-las  por prioridades; 2.  identificar o tempo necessário para realizar as tarefas; 3. estabelecer metas reais e factíveis. Os maiores questionamentos estavam, em sua maioria, “um passo atrás” do real problema. Se a pessoa diz  “não sei quanto tenho de lucro”, verificamos que a raiz disso não estava no registro financeiro em si, mas primeiramente no planejamento das ações para desenvolver a atividade final (mensurar o tempo, organizar e analisar.) Por isso esta dica é tão importante! Busque sempre saber onde a dificuldade se encontra e qual a origem dela! Etapa de assessorias do projeto “Lamberti Transforma” – Empreendedora aprendendo a realizar seu fluxo de caixa na prática! 3. PEDIR AJUDA ANTES DA SITUAÇÃO FICAR ALARMANTE Pedir ajuda já é uma ação protagonista, ainda mais em uma sociedade que tantas vezes nos ensina a ter vergonha deste ato e que quem quiser se mostrar forte não tem que pedir nunca. Saber o momento mais oportuno de pedir ajuda, é ainda mais importante. A gente só consegue isso por meio de organização e planejamento! E claro, a dica nº 1 tem que estar em dia! De março a junho de 2020 foi realizado o mutirão de ligações individuais na AdC (para ler mais sobre este tema, clique aqui), e para além da identificação do contexto individual e orientações compartilhadas, estas ligações significaram uma manutenção e até criação, em alguns casos, do vínculo com os empreendedores, em um momento em que a distância era a realidade. A 1ª ligação foi por parte da equipe AdC, mas a continuação deste contato, veio na maioria das vezes, por parte dos beneficiários, que se viram olhados em suas necessidades. E foi por meio deste contato que muitas propostas foram construídas, como por exemplo: a) negociação de aluguel do empreendimento; b) estimular o vínculo com os clientes;  c) publicar nas redes sociais a situação do empreendimento. Mesmo em uma situação já tão alarmante por si só, aqueles que buscaram a AdC, ou outras instituições de confiança logo em um 1º momento, conseguiram construir estas e outras propostas com um tempo hábil para validar e testar. Independente da situação, busque pedir ajuda antes da situação se tornar insustentável. Etapa de prototipação do projeto “Lamberti Transforma” – roda de conversa com  Ana Paula Gonçalves (super esperta na área de jóias) convidada para contar suas experiências com a produção de joias, além do consultor Franklin Menezes (AdC) mediando o encontro com  as empreendedoras. 4. REALIZAR INVESTIMENTOS EM SI MESMO Que história é essa? Empreendedor(a) lá tem tempo para investir em si mesmo? Opa! Tem que ter! E quando falamos em investir, você não precisa ficar preocupado e pensar em cursos caríssimos ou ferramentas novinhas! Para investir em nós, precisamos primeiramente saber bem o que é necessário, do que precisamos, analisando o momento e contexto atual. Por exemplo, quando a AdC, começou a realizar os cursos on-line, em junho de 2020, muitos empreendedores não sabiam utilizar o Zoom (e mesmo a equipe apresentava algumas dificuldades). Foram realizados tutoriais específicos e um acompanhamento para aqueles que tinham mais dificuldades. O apoio foi mega importante para o aprendizado, mas sabemos que o diferencial estava nas atitudes de cada um em insistir e praticar. E bem, isto leva tempo. É preciso um pouco de calma e paciência consigo mesmo. Este tempo direcionado para aprender uma ferramenta nova pode e deve ser considerado como um investimento. Afinal, hoje, muitas das pessoas utilizam o Zoom não só para atividades da AdC, mas também para outras situações cotidianas: reuniões com fornecedores, aulas e palestras, conversa entre família, etc. Além do Zoom, ferramentas do universo Google (Agenda, Planilhas, Questionários, etc) também foram incorporadas mais ao cotidiano de ensino e aprendizagem. A tecnologia se torna cada vez mais presente em nossas vidas, e muitos empreendedores, ao constatar esta situação na prática e analisar a realidade, decidiram investir em pacotes de internet mais eficientes ou mesmo comprar  um computador  ou celular que atenda mais às necessidades, como foi o caso de uma empreendedora do projeto “Lamberti Transforma”. Empreendedores em assessoria com time de voluntários e equipe AdC. Momento para se reinventar! 5. REVER ANTIGOS HÁBITOS E ESTAR DISPOSTO(A) A MUDÁ-LOS Na AdC, atendemos tanto empreendedores que acabaram de começar seus negócios, como também aqueles que estão na caminhada há mais de 20 anos. Muitas vezes, os novos adentram nos cursos cheio de insegurança, achando que nada terão a acrescentar, e os antigos por sua vez, sentem medo de perceber que estão muito acomodados em seus negócios. Eis que durante as capacitações, assessorias em grupo, estas inseguranças se tornam pequenas perto da força e  vontade em melhorar de cada um. Os novos compartilham o frescor das idéias, e os antigos, a experiência da prática. Um aposentado que recentemente abriu uma cutelaria, compartilhou com os demais, como as redes sociais estavam o ajudando a aumentar as vendas e tornar a sua marca mais conhecida. Isto serviu para uma empreendedora que já possui um salão há mais de 15 anos e estava insegura em trabalhar com as redes sociais. Ela ganhou idéias, e conseguiu aplicar de forma concreta a realidade de seu negócio. Claro, com a ajuda necessária e levando em conta o tempo de cada um para aprender. Voluntários unidos (Marketing e Finanças) com equipe AdC para orientar o casal de empreendedores em meio a pandemia de covid-19. #Trabalho #Empreendedorismo #Empreendedor #Trajetóriaprofissional #Microempreendedores

  • Aventure-se: 10 anos de Aventura de Construir

    Quando pensamos em 10 anos, o que isso significa? São apenas dias, meses e anos que se passaram, mais depressa do que deveriam? Nos vem a comparação com a vida de uma criança. Para os adultos, surge a sensação de que apenas ontem haviam sido dado os primeiros passos e ditas as primeiras palavras. Por outro lado, para a criança, ou mesmo para quem está ao seu lado no dia a dia, foram dias de aprendizado, meses de novas experiências e anos de mudanças. Cada momento com a sua riqueza, com a sua singularidade e com uma Aventura diferente. No dia 24 de agosto de 2021, comemoramos 10 anos da Aventura de Construir. Há uma década, seguimos trabalhando, construindo, apoiando os empreendedores da periferia e acreditando no protagonismo de cada pessoa, pois essa é a essência do nosso trabalho! Nos dedicamos à realização e à transformação de cada um que encontramos nesta jornada, ao ponto de influenciar o seu redor, com esperança e persistência. Agradecemos a todos que estiveram ao nosso lado ao longo desses 10 anos, os que acompanharam nossos primeiros passos e as nossas primeiras falas. Sem vocês, nada disso seria possível! Para marcar essa data tão especial, lançamos este vídeo comemorativo. Assista e comemore conosco. Parabéns para todos nós! #AdC10anos #Empreendedorismo #ONG

  • ESG: Como a implementação de práticas sustentáveis contribuem com a manutenção dos negócios?

    Continuando com a publicação de textos de alunos da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP, o Blog AdC de hoje traz o texto de Ramon Maciel, sobre ESG (sigla referente à melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio). A parceria da Aventura de Construir com a instituição tem como objetivo conectar estudantes do primeiro semestre de Administração com pautas do empreendedorismo social. A entrevista que realizamos sobre o projeto pode ser acessada neste link. Confira abaixo o texto desta semana! Um conceito cada vez mais comentado no universo organizacional é o ESG (Environmental, Social e Governance) que visa à implementação de melhores práticas ambientais, sociais e de governança corporativa, representando um direcionamento na atuação sustentável de uma empresa, de forma a impactar a sociedade como um todo. Em princípio, os pilares sustentáveis, ou triple bottom line, foram os primeiros indicadores de desempenho em relação às práticas de impacto nas empresas. O modelo observa o equilíbrio entre as esferas ambientais, sociais e econômicas frente ao resultado da operação, auxiliando na análise de iniciativas e promovendo um comprometimento com uma atuação responsável. https://revistaconstrua.com.br/noticias/engenharia/eficiencia-energetica-a-busca-por-equilibrar-o-consumo-de-energias/ Dessa forma, os pilares sustentáveis propõem, em um primeiro momento, um modelo socialmente justo, ambientalmente responsável e financeiramente viável de atividade para as empresas. A partir dessa concepção, o ESG vem como resultado direto da atualização desse primeiro conceito, no qual expande-se a complexibilidade de ideias acerca do tema face ao debate de gestão sustentável e potenciais de longevidade dos negócios por meio da criação de valor. As dimensões ESG são indissociáveis, visto que o conjunto tem como objetivo prático transformar e proteger o meio ambiente, a sociedade e os próprios negócios, por meio de estratégias de longo prazo que eliminem ou mitiguem o impacto negativo das empresas no ecossistema em que elas estão inseridas. Com isso, o foco concentra-se na durabilidade e sobrevivência dos negócios e dos mercados frente às transformações tecnológicas, novos contextos sociais, incertezas, riscos e desafios de crescimento. Na contemporaneidade, as empresas não existem com o exclusivo propósito de gerar retorno financeiro para a operação e sócios, mas devem contemplar toda a esfera de “partes interessadas do negócio” dentro da esfera ESG, conhecida como stakeholders, dessa maneira as iniciativas visam criar valor ao seu ecossistema, de forma a apoiar todos os agentes participantes da cadeia. https://www.tramaweb.com.br/solucoes/relacionamento-com-stakeholders/ Desse modo, cada uma das letras simboliza um critério de impacto relevante para cada pessoa vinculada, diretamente ou indiretamente, a entidade, sendo elas: AMBIENTAL A esfera ambiental apresenta iniciativas dedicadas às atividades organizacionais em relação ao meio ambiente no longo prazo, assim situando o negócio em seu espaço de atuação e evidenciando seus impactos na natureza. Para exemplificar, podemos citar como iniciativas de combate a ameaças ambientais: Estar em concordância com a legislação e regulamentações ambientais; Garantir a possibilidade de reciclagem dos produtos fabricados; Estudar se a fabricação de produtos é eficiente frente ao menor consumo de matéria-prima; Estar consumindo energia e água de forma consciente etc. SOCIAL A esfera social foca nas relações interpessoais de uma organização no longo prazo, sejam elas com clientes, colaboradores, fornecedores, investidores, comunidade e a sociedade em que está inserida. Para exemplificar, podemos citar como iniciativas de cunho social: Treinar funcionários; Garantir entregas de qualidade aos clientes; Estabelecer uma linha de comunicação com os fornecedores; Incluir políticas de diversidade e inclusão no quadro de funcionários etc. GOVERNANÇA A esfera de governança corporativa trata de temas gerenciais dentro da entidade, em que são evidenciados a transparência, a ética e a responsabilidade como base para o engajamento no longo prazo. Para exemplificar, podemos citar como iniciativas gerenciais: Criar medidas preventivas a fraudes e corrupção; Garantir os direitos humanos e trabalhistas; Estabelecer um código de ética e conduta; Construir um organograma e organizar a comunicação interna etc. O movimento acerca do debate do valor agregado com a execução de iniciativas ESG não é uma obrigação legal, contudo não deixa de ser uma pauta de extrema importância no momento atual, visto que uma melhor gestão e implementação de iniciativas proporciona um caminho de impacto positivo e gera valor que transcende as portas da organização, contribuindo com o crescimento e desenvolvimento do negócio, ofertando mais oportunidade à comunidade e garantindo recursos básicos para a sobrevivência das próximas gerações. Em virtude da amplitude do espectro ESG e as diferentes iniciativas para começar a implementar diferentes temas em uma organização, é importante ressaltar que o investimento do negócio é pautado pelo valor que ele oferece ao mercado por meio de sua atuação, visto que o perfil dos investidores tem um olhar cada vez mais voltado ao consumo consciente e a fidelização a empresas transparentes e que têm impacto positivo na sociedade. Com isso, o comprometimento a melhores práticas deve despertar uma mudança de mentalidade dentre as figuras de liderança, a partir do entendimento do cenário e guiado pelo propósito da empresa, a fim de buscar sucesso em suas iniciativas frente a aberturas de novos mercados, produtos e serviços, stakeholders e investimentos. Por fim, para que as esferas ESG prosperem na organização, as três letras precisam estar em pé de igualdade na estratégia corporativa, assim não sendo desassociadas, mas sim evidenciadas como agentes de transformação com foco em ampliar seu impacto na sociedade e gerar valor para todos os envolvidos. Por Ramon Maciel Ramon da Silva Maciel, 19 anos, é graduando de ciências econômicas na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP) e value creation intern na Mondoré. Interessado por economia, política, sustentabilidade e impacto social. Engajado na luta por direitos LGBTQIA+ e iniciativas de atuação responsável, acredita que é possível impactar a sociedade de forma positiva, por meio da mobilização e engajamento dos cidadãos.

  • Eu consumo, tu consomes, ele consome. Nós conscientizamos, vós mobilizais, eles transformam

    Consumo, marcas e segmentos são conceitos comuns no mercado comercial, assim como uma abordagem profissional de Marketing e Comunicação. Mas quando falamos de causas sociais, ONGs e projetos de impacto social, esta atuação deveria ser diferente? Esta discussão não é de hoje, mas continua atual. É sobre isso que fala o artigo Percival Caropreso que publicamos no Blog AdC de hoje. Confira abaixo. Numa análise fria e técnica, Marketing e Comunicação vendem causas sociais da mesma forma que vendem marcas e produtos comerciais. Vivemos em um mercado livre, onde o cidadão escolhe sua causa e atuação social  da mesma forma que o consumidor faz suas decisões de compra. Afinal, eles  são heterônimos de uma mesma pessoa: cidadão e consumidor. No mercado comercial há Categorias: alimentação, higiene pessoal, bebidas, automóveis, serviços financeiros, informática, telefonia e muitas outras. Dentro das Categorias há Segmentos: alimentos diet, naturais, ready-to-eat, infantis; automóveis de passeio, utilitários, vans, populares, de luxo; telefonia fixa, móvel, business; cartões de débito, de crédito, de lojas, de afinidade. No mercado social também há Categorias: saúde, infância, adolescência,  terceira idade, drogas, ecologia, miséria, fome e muitas outras. E também há Segmentos: aids, câncer, deficiência física, visual, mental; preservação da  flora, da fauna, do ar, das águas; geração de renda, educação, capacitação. Em cada Categoria e Segmento há Marcas. Nestlé, Sadia, Coca-Cola, Pepsi, Antarctica, Brahma, Dove, Albany, Palmolive,  Imédia, Davene, Chevrolet, Ford, Fiat, VW, Embratel, Telefônica, Vivo, Claro,  Nokia, Motorola, Siemens, MasterCard, VISA, etc. De outro lado, as Marcas Sociais: Fundação Abrinq, AACD, Teleton, Criança Esperança, Instituto Ayrton Senna, CARE, Dorina Nowill, GRAAC, TUCCA, Doutores da Alegria, Green Peace, SOS MataAtlântica, Casa do Zezinho, Pastoral da Criança, Sou da Paz, etc. Cada Marca tem seus produtos, que são a materialização de sua imagem na ação concreta de mercado, em contato funcional com o consumidor e cidadão. Chevrolet vende Celta, Corsa, Astra, Vectra, Omega. A Fundação Abrinq oferece  Biblioteca Viva, Garagem Digital, Programa Empresa Amiga da Criança, Crer  para Ver, Prefeito Amigo da Criança. Está claro o clutter em que esse consumidor e cidadão vive: ele é bombardeado por ofertas de todo lado. Por maiores que sejam suas ambições  de consumo e sua consciência social, seu poder de compra é limitado e sua  capacidade de adesão a causas também é. O que uma Marca Social deve fazer para conquistar preferência e fidelidade num mercado tão disputado, para melhor cumprir com sua missão e desempenhar seu papel de transformação social? O mesmo que uma marca comercial faz para ter sucesso: não começar pelo fascínio do Marketing e da Comunicação, não se encantar pelas tecnicalidades. Marketing e Comunicação são os últimos estágios num Planejamento Estratégico, tanto de uma marca comercial como de uma Marca Social. Toda Marca Social de sucesso está assentada num sólido Plano Corporativo e Político, com suas visões, missões e valores. Daí deriva um Plano de Negócios competitivo. E só daí nasce um Plano de Marketing inteligente e responsável. O Plano de Marketing inspira o Plano de Comunicação. A Comunicação precisa ser forte e criativa, para se destacar, criar Share of Awareness para a Causa Social e para a ONG. Despertado o conhecimento, a Comunicação provoca reflexão: Share of Consciousness. A conscientização tem que fazer sentido, ser próxima do público: Share of Relevance ou Share of Heart, que sensibiliza o cidadão. De nada vale construir apenas conhecimento, conscientização e relevância. A  Comunicação tem que mobilizar, provocar ação. Share of Mobilization é a responsabilidade individual colocada em prática pelo coletivo, que se transforma em solidariedade concreta: Share of Time, Share of  Wallet, Share of Action. O que amarra esses passos todos no processo de Comunicação é sempre uma  Idéia forte e criativa. Essa idéia, expandida com consistência estratégica dentro  dos valores políticos, dá unidade à Imagem e ao Posicionamento da Causa e da ONG perante todos seus públicos de interlocução: Primeiro, Segundo e Terceiro Setores, parceiros estratégicos, voluntários, comunidades, sociedade  em geral e consumidores-cidadãos em particular. Repito: uma Marca, comercial ou social, não pode começar pelo fascínio do Marketing e da Comunicação, não pode se encantar pelas tecnicalidades. Na área social é ainda mais decisivo fugir da leviandade técnica, para que não  se percam a essência e a razão de ser das ONGs. Esta é uma discussão antiga. Em Junho de 1996, Andrés Thompson, então  diretor da Kellogg Foundation para a América Latina, escreveu o artigo ENTRE  PETER DRUCKER Y BETINHO para a revista argentina Tercer Sector:  “Partindo del supuesto que todas las organizaciones sociales hacen cosas  buenas, se trata simplesmente de que las hagan, además, bien (…) Los  valores y visiones antecedem a las técnicas: el compromiso, el involucramiento  y la participación son mas efectivos que una buena gerencia.” É assim que eu entendo, é assim que eu atuei no Segundo e venho atuando no  Terceiro Setor: profissionalizar para gerar resultados maiores e sustentáveis. Resultados comerciais e resultados sociais. O sucesso tanto do Segundo como do Terceiro Setor depende de nível político  e ideológico, de crenças e convicções, de visão corporativa e de negócios, de  marketing, de comunicação, de profissionais responsáveis. E apaixonados. Profissional de Marketing e Comunicação, há mais de 30 anos militando em causas socioambientais, Percival foi VP da América Latina e diretor regional de criação da McCann-Erickson por 14 anos, além de fundador da consultoria Setor 2 ½. #DicasdeMarketing #Empreendedorismo #ProjetosSociais #Marketing #CausasSociais #PercivalCaropreso #ComunicaçãodeCausas #Consumo #Mercado

  • PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PROSPECTIVO: COMO O PLANO DE NEGÓCIOS OTIMIZA O SEU EMPREENDIMENTO

    Hoje, o Blog AdC continua a publicação dos artigos escritos pelos alunos do primeiro semestre de Administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP. A iniciativa é uma parceria da AdC com a instituição para que os estudantes tenham contato com o empreendedorismo social. Foi criada uma atividade complementar voluntária com apoio do professor Edson Barbero e do voluntário Rodrigo Fadelli para que os alunos produzissem textos relacionados ao trabalho da Aventura de Construir. Conversamos com ambos sobre o desenvolvimento do projeto na entrevista que pode ser acessada neste link. Há algumas semanas, publicamos o texto de Haline Yoko Hamaguti, sobre as dificuldades enfrentadas pelos microempreendedores. Hoje publicamos o texto de Beatriz Solda Rodrigues, Emanuelle da Silva Praseres e Julia Florian de Queiroz sobre a importância de um plano de negócios para o seu empreendimento. Confira! É fato que empreender no Brasil não é uma das tarefas mais fáceis para o brasileiro, especialmente àqueles mais vulneráveis da sociedade, contudo, mostra-se  crescente o número de Microempreendedores Individuais (MEIs) nesse atual cenário  de crise, e, de acordo com o Sebrae, constam mais de 2,6 milhões de novos MEIs criados em 2020, totalizando cerca de 11,3 milhões em todo o Brasil. Se você se  identifica com essa realidade de empreender, mas não sabe como iniciar e não possui  todos os mecanismos necessários, há um caminho para que comece ou alavanque  seu negócio de maneira certeira. E para isso, vamos ao primeiro passo e o mais  importante: o Plano de Negócios. Esse planejamento consiste em descrever, por meio da elaboração de um  documento, os objetivos da empresa, bem como o seu desenvolvimento, a fim de  diminuir eventuais riscos no mercado. Assim sendo, pode-se observar as três  principais funções exercidas por ele: 1) Instrumento de Planejamento – planejamento  mercadológico, técnico, financeiro, jurídico e organizacional; 2) Instrumento de  Diagnóstico – avalia a evolução da empresa, ao elaborar um acompanhamento  comparativo (previsto e o que vem sendo realizado); 3) Ferramenta de Financiamento – facilita a negociação e obtenção de capital de terceiros. Em concordância, cabe ressaltar a importância de se planejar, pois por meio  disso é possível idealizar prospectivamente a trajetória de sua entidade, ao organizar  ideias, de modo a facilitar a comunicação entre os sócios e investidores, colaborando  na captação e alocação de recursos – financeiros, humanos, ou parcerias  (stakeholders). Conclui-se, portanto, que um Plano de Negócios bem estabelecido, é  capaz de estruturar suas finanças, pontuar metas e alcançá-las. Mas afinal, você sabe como montar um planejamento estratégico para o seu  empreendimento? Confira aqui os principais tópicos que devem ser abrangidos: Sumário Executivo É a síntese do Plano de Negócios, necessita ser simples e conciso, com o  intuito de despertar o interesse e transmitir o profissionalismo da empresa. Para  realizá-lo, você deve destacar, em primeiro plano o nome da empresa, o segmento ao  qual ela pertence, os respectivos clientes e produtos oferecidos. E por fim, pontuar as missões, visões e valores, conjuntamente ao perfil dos sócios e suas principais  competências profissionais. Análise de Oportunidade e do Contexto Há a avaliação tanto do aspecto externo da ideia, ou seja, sua relação com o  mercado, quanto do âmbito interno, ao correlacionar o perfil empreendedor usando a  Análise SWOT (Força, Fraqueza, Oportunidade e Ameaça), abordando uma perspectiva mais ampla, definindo o nicho de interesse da empresa, bem como seus  fornecedores e potenciais concorrentes. Descrição do Negócio Define a estrutura e o funcionamento do empreendimento, para que seja  compreendida a sua função na geração de valor agregado. Assim, contempla a  organização, a liderança e a administração, considerando os clientes atendidos, os  produtos oferecidos e a precificação dos mesmos. Projeções Financeiras Engloba relatórios contábeis, como: listagem de custos e despesas,  demonstração do fluxo de caixa e também simulações como o break-even point – ponto de igualdade entre custos e receitas (lucro nulo). Anexos Inclusão de referências visuais como gráficos e imagens, e informações  pessoais dos empreendedores participantes, tais como currículos e experiências  profissionais anteriores. Com isso, viemos demonstrar a relevância em consolidar um Plano de  Negócios assertivo para acompanhar, de forma analítica, o desenvolvimento da  empresa, a curto e longo prazo, a fim de tomar decisões racionalmente e evitar riscos  futuros – antecipando situações e elaborando estratégias de competitividade. O intuito da ONG “Aventura de Construir” é fornecer suporte aos MEIs de baixa renda, visando  o início e a evolução de seus empreendimentos, de forma a democratizar o acesso ao  Plano de Negócios àqueles que não tem base ou conhecimento mas possuem força  de vontade e espírito empreendedor. No blog da AdC você encontra um apoio solidário, através do oferecimento de  cursos on-line, palestras, mentorias e o melhor de tudo: gratuitamente! Este link te dá  acesso ao passo a passo detalhado de como montar seu Plano de Negócios. Por Beatriz Solda Rodrigues, Emanuelle da Silva Praseres e Julia Florian de Queiroz Beatriz Solda Rodrigues tem 18 anos, cursa Ciências Econômicas pela FECAP está em busca da primeira experiência profissional. Emanuelle Praseres tem 19 anos, é jovem aprendiz no Esporte Clube Pinheiros e está no primeiro ano da graduação de Ciências Econômicas na FECAP. Julia Florian de Queiroz tem 19 anos, reside em São Paulo e é estudante de Ciências Econômicas pela FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado). Está em busca da primeira oportunidade de emprego.

  • Missão Cumprida! Conclusão do Projeto Aventure-se

    Hoje, dia 21 de julho, se encerra o projeto Aventure-se, iniciativa de promoção do empreendedorismo da periferia nas estações lilás e amarela do metrô de São Paulo. A ação consiste em cartazes espalhados desde abril por 25 estações do metrô, além de peças em vídeo divulgadas dentro dos vagões, com QR Codes e links que levam a uma plataforma online de ensino, com cursos voltados aos empreendedores. Tudo isso fruto de uma parceria da Aventura de Construir com o Instituto Camargo Corrêa, a ViaQuatro e a ViaMobilidade. Neste período, publicamos uma entrevista com Marcelo Lucato e Percival Caropreso sobre a criação visual da campanha e também uma conversa com Bárbara Bueno e Diana Siqueira, Diretora Executiva do Instituto Camargo Corrêa e Coordenadora de Sustentabilidade da ViaQuatro e ViaMobilidade,  respectivamente. Hoje, publicamos o relato de quem foi a cara da campanha. Os microempreendedores, acompanhados pela Aventura de Construir e presentes nos cartazes, foram fotografados por Diego de Carvalho, ele mesmo um dos retratados. Confira primeiro uma breve conversa com o fotógrafo sobre este projeto, e depois trechos dos outros empreendedores contando sobre sua participação. O fotógrafo Diego de Carvalho começou a colaborar com a Aventura de Construir em 2019, durante a exposição “Identificam-se Protagonistas”, atuando como um microempreendedor que apoia outros microempreendedores. O projeto promoveu uma exposição de fotos, no metrô de São Paulo, exibindo diversos empreendedores atendidos pela AdC, com o objetivo de dar visibilidade a estes “protagonistas de suas comunidades”. Em 2021, ele volta a colaborar conosco no projeto Aventure-se. AdC – Fale um pouco sobre você, Diego. Diego de Carvalho – Sou Diego, eu atuo como fotógrafo e nasci na zona leste de São Paulo, na Mooca. Não tão periferia quanto Itaquera, por exemplo, mas é zona leste. E acho bem massa o trabalho que a Aventura de Construir faz, que acompanho desde 2019. Eu me sinto atuando muito no lugar onde nasci e fui criado. Ainda que não more mais na periferia, isso é muito importante para mim porque eu sentia falta de ajuda quando estava lá. Me mudei faz uns cinco ou seis anos, mas já atuava como fotógrafo, como videomaker e como criador de conteúdo, essa sempre foi a minha área de atuação. Não sou formado em cinema, ainda, mas esse é um sonho que quero realizar. Então o mais massa da Aventura de Construir ter chegado até mim e ter rolado esse encontro foi isso: eu me sinto muito grato e muito honrado pelo fato de poder estar ajudando as pessoas que vem do lugar de onde eu vim. Talvez seja esta a maior satisfação fazer parte desse projeto. Acho que o lance de ter as minhas fotos por aí é importante também para o que eu faço, para onde eu quero chegar, mas o lance é poder colaborar e dar voz para a nossa galera. AdC – Você já havia participado da exposição Identificam-se Protagonistas, em 2019. Como rolou o convite para participar do projeto Aventure-se agora? Diego – Eu conheci a Silvia [Caironi, Coordenadora-geral da Aventura de Construir] em 2019 e desde então a gente nunca parou de se falar. A gente troca mensagens e se vê às vezes. Então ela apresentou o projeto Aventure-se para mim e eu achei massa. E o fato de eu estar em uma das fotos, com os empreendedores, têm tudo a ver. Com a pandemia eu comecei a sentir a necessidade de continuar a trabalhar, já que não estava tão simples o relacionamento com os clientes na questão de externa, de estar em campo. Por isso eu bolei um esquema de fazer um estúdio em casa, diminuindo o fluxo de pessoas e com os cuidados sanitários necessários, para assim movimentar um outro lado profissional. Voltando a pergunta, a Silvia me ligou, muito animada, me contou sobre o projeto, a gente bateu um papo bem massa e eu senti a identificação. Como eu disse para ti, tudo que a Aventura faz tem muito a ver com a questão social, então eu nem tive muito o que pensar. Costumo abraçar as ideias de vocês, porque confio muito, sei que o que vocês estão fazendo é bom e acredito nisso. Na hora que conheci os personagens, como o David, o Arthur e a Alcione, a gente vai vendo o trabalho dando certo e que as pessoas vão seguir no caminho da evolução. Isso é muito massa. AdC – Como foi o processo de fotografar os empreendedores? Quais os desafios de representar essas pessoas e seus negócios através das lentes? Diego – Eu já fotografei um monte de coisa, estou a bastante tempo fazendo isso, mas esse lance é desafiador. Sempre que a gente chega no lugar não sabemos o que vamos encontrar lá. Sei que vou fotografar um marceneiro, por exemplo, mas mesmo assim não sabemos qual é a condição de luz, a composição, se o local é uma bagunça ou não. Enfim, acontece de tudo. Foi algo parecido com o que aconteceu no Identificam-se Protagonistas, mas as pessoas eram novas e as fotos precisavam ser menos artísticas e ter mais uma narrativa publicitária. Tudo isso foi desafiador e, como sempre digo para mim mesmo em relação ao meu trabalho, poderia ter ficado melhor, mas ficou ótimo! AdC – Como foi a experiência de ter suas fotos expostas novamente no metrô? E como foi ter o seu próprio rosto em um dos cartazes? Diego – Algumas pessoas viram e me reconheceram, mas aí eu sempre falava: “meu, acessa o QR Code, dá uma olhada nos cursos. Você que trabalha com isso, com aquilo, tem tudo a ver sabe”. Eu entendo que talvez tenha que ter um rosto lá, para a pessoa olhar e perceber que tem uma mensagem a ser passada, mas como falei, eu fiquei mais feliz quando as pessoas acessaram o link e encaminharam para outras. Isso é mais massa do que estar com o rosto exposto lá. Eu sou um pouco tímido. Encontrei um cartaz meu na estação Morumbi, parei para tirar uma foto e fiquei com vergonha. Estava sozinho, então pedi para um cara tirar a foto e ficou toda displicente (risos). E respondendo à sua pergunta, foi muito satisfatório mesmo participar do projeto. Tudo que a Aventura faz, independentemente de ser com o metrô ou não, eu acho que é sempre algo bom. Eu falo para a Sílvia sempre que, o que eu puder ajudar nessa questão, sabendo que o audiovisual é importante para mostrar essas histórias, contem comigo. AdC – Que tipo de projetos você gostaria de participar no futuro? Diego – Dar aula de fotografia para crianças, ou alguma oficina, eu acho massa. Sempre quis viabilizar isso de alguma forma, mas não tenho os caminhos claros ainda. Uma espécie de oficina itinerante para as comunidades, em algumas áreas. Eu falo isso porque quando eu vou nesses lugares a molecada pilha, falam “tio, tira uma foto minha” ou “deixa eu tirar uma foto”, então se percebe que eles têm uma sensibilidade aflorada incrível. AdC – Gostaria de acrescentar algo? Diego – É isso, foi muito gratificante participar. Eu acho que é possível sim a gente da periferia conquistar muitas coisas, mas existe um desincentivo absurdo do Estado. Então temos que ajudar mesmo. É o povo que vai conseguir fazer esse levante, e isso que a gente faz já é muita coisa. David dos Santos – de nome artístico David Maderit – é um rapper criado na Brasilândia, periferia da zona norte de São Paulo. Possui um estúdio de música chamado Beat Orgânico, um empreendimento de impacto social que estimula os jovens da comunidade a buscarem uma vida mais digna e cientes da sua cidadania. AdC – Qual foi a importância de estar nesses cartazes, e o que isso trouxe para você? David – Participar da campanha trouxe uma visibilidade pro negócio que não seria possível sem a ajuda da Aventura de Construir. A sensação de  reconhecimento é um passo a mais na jornada de transformar o Beat Orgânico Áudio Soluções em um empreendimento sólido, próspero e duradouro, com  a missão de ajudar os artistas e trazer novas oportunidades para a periferia. Alcione Dias trabalha com a venda de roupas no Morro Doce, na periferia de São Paulo. Acompanhada pela AdC desde 2019, já participou de diversos projetos e fez parte da exposição Identificam-se Protagonistas, um registro fotográfico de diversos microempreendedores. Alcione – Para mim, foi muito gratificante ver a minha foto nas maiores estações de metrô de São Paulo. Muitas pessoas viram, comentaram comigo “te vi em tal estação”, fiquei chique! Com isso, veio mais visibilidade no meu Instagram, novas oportunidades e crescimento profissional também. Posso afirmar que foi uma ótima ação de marketing, com custo zero. Através do projeto da Aventura de Construir tenho a cada dia mais e mais pensado como empreendedora, e a empreender na prática, né? Eu sou grata mesmo a todos da AdC que puderam ajudar nessa jornada, que também envolve os cursos, nos quais aprendemos muito. Está sendo muito gratificante e tenho um grande aprendizado com isso. Só tenho a agradecer a todos da Aventura de Construir e todos que colaboraram para isso acontecer. Gratidão! Para publicar os livros produzidos por seu filho Arthur, um adolescente com autismo, Adriana Barros fundou a ABarros Editora. Com seu negócio social, se tornou possível dividir informações com famílias que, assim como ela, convivem com a condição em seu dia a dia. Adriana –  Estar em cartazes no metrô da minha cidade, no metrô de São Paulo, foi sensacional, porque transmitiu um sentimento que eu tenho em mim, e que sinto estando com a Aventura de Construir, que é andar. A AdC não me deixa parada como empreendedora, e tem tudo a ver, porque o metrô tem a ver com mobilidade, com as pessoas andando de lá pra cá. Acho que esse foi o significado, expressa essa mobilidade, esse movimento que eu consigo alcançar com assessorias, mentorias e tudo mais. Além disso, é uma alegria poder incentivar pessoas que sonham em empreender, em ter os seus negócios. Tendo ali a foto da ABarros Editora, do Arthur, e contando um pouquinho sobre a gente, pode inspirar e incentivar as pessoas a fazer isso também, a saírem da zona de conforto e se tornarem empreendedores. Essa é a importância.

  • A importância do desenvolvimento sustentável para o seu negócio

    Hoje, no mundo do empreendedorismo, falamos muito sobre ESG. Do inglês “environmental, social and governance”, a sigla é usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança de um negócio. Ao mesmo tempo, falamos também sobre valor compartilhado, ou seja, políticas e práticas que aumentam a competitividade de uma empresa, ao mesmo tempo em que melhoram as condições socioeconômicas nas comunidades em que se atua. Pode-se mudar esses termos ao longo do tempo. A entrevista abaixo, realizada em 2008 com Percival Caropreso, não se fala em conceitos como ESG ou valor compartilhado, mas a sua essência está ali. Ao falar sobre Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Socioambiental, estamos refletindo sobre temas importantíssimos ao mundo dos negócios. Importância esta que ficou ainda mais evidente a partir da pandemia de coronavírus. Essas discussões chegaram para ficar. Com a pandemia e com as redes sociais, as empresas não podem mais se esconder nesse sentido. Cabe a todos pensar os seus negócios levando em conta essas questões. Para ajudar nesse processo, publicamos a entrevista abaixo. Quando as empresas começaram a se preocupar com o desenvolvimento sustentável? Essa iniciativa partiu por conta da pressão dos consumidores ou por outros motivos? Toda e qualquer atividade humana sempre se preocupou com o seu  desenvolvimento sustentável, ainda que intuitivamente, desde que o  mundo é mundo. É da natureza humana buscar sua sobrevivência hoje e garanti-la para o  amanhã. Do ponto de vista empresarial, sustentabilidade é criar valor e  riqueza no mercado de hoje, já forjando as condições para perpetuar esse  valor e essa riqueza no futuro. A sustentabilidade sempre esteve presente em todas as eras da história da  Humanidade, da evolução da sociedade e da economia. Um artesão da Idade Média garantia a sustentabilidade do seu negócio  através da compra mais eficiente de matérias-primas, do aumento da produtividade da sua oficina, da melhor distribuição da sua produção, de  uma saudável relação entre o que ele investia para produzir e o que ganhava com a venda. Sua ambição era de curto prazo. Sua visão de  futuro enxergava, no máximo, a preparação de seus filhos para tocar o  negócio dali a alguns anos. A gestão desse artesão limitava-se a isso. E ela já era sustentável para a  época, na medida em que o negócio prosperava no presente e tomavam-se cuidados para ele continuar prosperando no futuro. A esse artesão pouco importava se, no final do dia, ele jogava a água  contaminada de resíduos de cobre no riacho atrás da sua oficina. Se ele  abatia árvores da região para alimentar a fornalha, cuja fumaça jogava fuligem sobre a aldeia toda. Se a sua mão-de-obra era praticamente  escrava, inclusive com trabalho infantil. Revolução agrícola, revolução industrial, revolução da informação, revolução tecnológica – sempre as empresas tiveram que atuar de forma  objetiva, para o bem imediato e para a sustentabilidade de seu próprio negócio ao longo do tempo. O que vivemos hoje é o acirramento e a ampliação das exigências que as  empresas têm que cumprir para a saúde atual de seus negócios e para a  perpetuação de sua prosperidade. Os públicos de interesse, com os quais as empresas se relacionam, vêm  crescendo, articulando-se e exercendo pressão sobre a gestão dos  negócios, sua operação e impactos na sociedade e no meio ambiente. Consumidores são um desses públicos de interesse mais direto para as  empresas. A cada nova geração de consumidores que ingressa no  mercado, aumenta o nível de informação, consciência e exigência quanto à gestão responsável das empresas, se elas de fato praticam ou não o desenvolvimento sustentável. Qual é o papel das empresas nessa questão? O papel das empresas é o papel de toda a sociedade, de todos nós: serem conscientes e responsáveis na gestão e na operação de seus negócios. Do  mesmo modo que cada um de nós tem a obrigação de ser consciente e  responsável, social e ambientalmente, na forma de levar a vida. A responsabilidade das empresas é maior, porque as empresas são maiores, com atuação maciça, em escala. Empresas têm uma energia e uma força  gigantescas. Empresas têm recursos e gestão de recursos. Empresas têm poder de mobilização e articulação em níveis paroquiais, locais, regionais e mundiais. Empresas têm tecnologia, inovação. Empresas têm interesses e  compromissos de prosperidade de curto prazo e visão de longo prazo.  Empresas produzem resultados e impactos do seu tamanho, portanto têm responsabilidade socioambiental proporcional a esse tamanho. Nada mais natural que as empresas tenham atuação responsável, gestão de desenvolvimento sustentável. É um interesse legítimo de negócios, como era legítimo o interesse daquele artesão medieval: garantir a saúde de seus negócios no presente e perpetuar essa saúde no futuro. As diferenças estão na complexidade das demandas e pressões de hoje, na diversidade dos públicos de interesse e na urgência das mudanças dos  modelos de gestão empresarial. Todos temos pressa de tentar viver e fazer negócios numa sociedade e num meio ambiente saudáveis, com  algum futuro visível. Mas os recursos naturais e o tempo passam rápido, esgotam-se rápido nos dias de hoje. O que mais preocupa os executivos quando o assunto é responsabilidade socioambiental? Acredito que seja o noviciado de todos no assunto, uma prática tão antiga, mas agora vital. Esse noviciado dá margem a interpretações, a assunções, a equívocos e oportunismos de todo tipo e de toda parte. Outra preocupação me parece ser com a mudança do modelo de gestão  dos negócios. Sempre é difícil substituir um jeito consagrado e seguro de  fazer as coisas. Ainda mais quando a mudança necessária nas empresas é  visceral, orgânica à gestão dos negócios, à operação, à forma mesma de investir, financiar, contratar, comprar, produzir, negociar, distribuir,  vender, acompanhar o produto após as vendas, lucrar, crescer.  Sustentabilidade, mais do que lucratividade e crescimento nos moldes que  aprendemos a fazer negócios, é Desenvolvimento compartilhado: ganho imediato combinado com desenvolvimento, que leva ao ganho duradouro. Para todos: o negócio, a sociedade, o meio ambiente. Empresas adotam práticas de Responsabilidade Socioambiental como se  fossem práticas de Sustentabilidade. São, porém, apenas em parte. A Responsabilidade Socioambiental é um pilar da Gestão Sustentável, a Cidadania Empresarial, mas não é toda a Sustentabilidade da empresa. Responsabilidade Socioambiental é um conjunto de práticas sociais e  ambientais responsáveis, que visam uma contrapartida da empresa à  sociedade e ao meio ambiente de onde ela tira seu sustento. Responsabilidade Socioambiental é uma estratégia corporativa e de negócios de curto e longo prazo. Ninguém consegue prosperar por muito  tempo numa sociedade inferior, injusta, e num mundo devastado. A sustentabilidade também está tornando-se uma exigência nas relações B2B? Uma empresa se relaciona com uma complexa multiplicidade de partes interessadas, diretamente ligadas aos seus negócios. O público mais  imediato e importante é o interno, a comunidade de profissionais da própria empresa, seus funcionários, colaboradores, terceirizados ou não. Como círculos concêntricos quando jogamos uma pedra num lago, em  seguida vêm os parceiros de negócios históricos e firmes, digamos os  fornecedores, prestadores de serviços, de matéria prima, de recursos. O círculo final é o dos clientes, consumidores ou empresas. Mas esta é uma analogia linear, cartesiana, confortavelmente antiga. Se pensarmos abertamente, todo mundo é cliente de todo mundo. A melhor imagem talvez não a seja de uma pedra jogada no lago, mas sim  a de várias pedras jogadas ao mesmo tempo no mesmo lago. Círculos se  sobrepõem, cruzam a água em várias direções, relacionam-se, uns mudam  o movimento dos outros. Mas o epicentro é o mesmo: a empresa. Não será sadia a relação de negócios da empresa, se não houver uma comunhão de visões e valores socioambientais, sobre gestão sustentável e a forma de fazer negócios com todos seus círculos de relacionamento. Este é um dos mais decisivos papéis de uma grande empresa: usar seu  poder e trabalhar em rede com seus parceiros de negócios – fornecedores e clientes – para que todos compartilhem de forma integrada, cooperada e multiplicadora as mesmas práticas responsáveis em seus negócios. Isto é ou deverá ser cada vez mais o business-to-business sustentável. Como o consumidor participa do desenvolvimento sustentável? O consumidor participa sendo, ele mesmo em primeiro lugar, um ser consciente e responsável em seus valores, conduta e comportamento. Sendo, enfim, um cidadão. Parte importante de toda cidadania é a capacidade de cada um usar sua  ação, dentro de seus limites de poder e alcance, para exercer pressão sadia e positiva em seus pares. Uma empresa é par do seu consumidor, ou deveria querer ser. O consumidor tem o poder de preferir e manter-se leal a empresas e marcas que comprovadamente tenham atuação responsável e pratiquem  o desenvolvimento sustentável. Da mesma forma que o consumidor tem o  poder de execrar, afastar-se de empresas e marcas irresponsáveis ou,  pior, de empresas e marcas que posam de responsáveis apenas no  discurso cosmético de imagem (green-washing). A cada nova geração de consumidores há mais lucidez, que vem da  educação, da quantidade, qualidade, velocidade e interatividade da informação. Está sendo forjada rapidamente uma mentalidade de valores responsáveis, uma nova geração de cidadãos. No Brasil ainda é pequeno e fluido o contingente de consumidores que recompensa ou pune marcas e empresas pelo grau de responsabilidade da sua atuação. Mas daqui a alguns anos, como serão os consumidores que irão decidir o quê e de quem comprar? Serão consumidores-cidadãos de  fato. O que eles trarão na cabeça e no coração irá afetar diretamente o  destino do que eles trarão no bolso. Além do reconhecimento ou da punição através do exercício de consumo, o cidadão-consumidor já hoje também exerce seu direito de botar a boca  no mundo. Falar bem ou falar mal de empresas e marcas, através do poder de disseminação que os meios de comunicação têm hoje. Esses  novos consumidores são implacáveis, afiando-se a cada dia. Não dá mais  para esconder da mídia, dos formadores de opinião, da sociedade, a  diferença entre Imagem e Reputação. Imagem é o que eu quero que pensem e achem de mim. Reputação é a comprovação na prática dessa imagem que eu projeto. É preciso investir em tecnologia para ser ecologicamente sustentável? Uma visão apenas ecológica do futuro não é suficiente. É importante, mas o buraco em que todos estamos é bem mais embaixo. O fundamental é praticar de fato o desenvolvimento sustentável nos  negócios, na operação. Isso pressupõe criar um novo modelo de gestão,  de A a Z dentro da empresa, que alinhe e comprometa toda a operação  com discursos e práticas responsáveis. Inovação é o caminho para se criar esse novo modelo.  Investir no desenvolvimento de novas tecnologias sustentáveis, dentro das quais estão as tecnologias ecologicamente exemplares, é o combustível limpo que impulsiona essa revisão do modelo de gestão e  operação. Aqui está, mais uma vez, a importância do papel das empresas nas  transformações socioambientais a partir e através dos negócios. Empresas têm poder e recursos financeiros, intelectuais, tecnológicos,  legais, de planejamento e gestão. Empresas têm escala, impacto.  Empresas têm interesse nos seus negócios. Portanto, investir em inovação e novas tecnologias sustentáveis é estratégia corporativa e de negócios, não filantropia empresarial. Percival Caropreso, 18 agosto 2008 Percival é membro do Conselho Consultivo da Aventura de Construir. Profissional de Marketing e Comunicação, há mais de 30 anos militando em causas socioambientais. VP América Latina e Diretor Regional de Criação (McCann-Erickson) por 14 anos e fundador da consultoria Setor 2 ½

  • Os Desafios do Microempreendedor

    A partir de hoje, começamos a publicar uma série de artigos escritos pelos alunos do primeiro semestre de Administração da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado, a FECAP. Essa iniciativa é uma parceria da AdC com a instituição para que os estudantes tenham contato com o empreendedorismo social. Com apoio do professor Edson Barbero e do voluntário Rodrigo Fadelli, foi criada uma atividade complementar voluntária para que os alunos produzissem textos relacionados ao trabalho da Aventura de Construir. Conversamos com ambos sobre o desenvolvimento do projeto na entrevista que pode ser acessada neste link. Confira abaixo o primeiro artigo, escrito por Haline Yoko Hamaguti sobre as dificuldades enfrentadas pelos microempreendedores. Com a pandemia do novo Coronavírus, no começo do ano de 2020, cerca de um ano atrás, milhares de brasileiros se viram confinados em suas casas e, devido à crise econômica vivenciada pelo País, sem seus empregos e uma forma de se sustentar. Neste contexto, muitos veem no microempreendedorismo uma nova oportunidade de renda. Os dados mostram que desde o início da quarentena, cerca de 600 mil trabalhadores tornaram-se MEI (microempreendedor individual) para atender as demandas, principalmente, de produtos para higiene pessoal. Esses trabalhadores, foram também o maior número de buscas por cursos de qualificações, de acordo com o SEBRAE, chegando até a 15 mil buscas por dia, só no Estado de São Paulo, para tirarem suas dúvidas sobre os acessos a créditos e como se engajar no e-commerce, de forma eficiente, que ganhou força durante a pandemia. Apesar das tantas possibilidades, ser um MEI não é uma tarefa fácil. A burocracia em relação a empréstimos de créditos, com todas as condições para essa realização, distanciam os microempreendedores dos serviços bancários que podem ser oferecidos como direito, gerando também uma certa insegurança, visto que as barreiras impossibilitam que seus negócios sigam em frente e consigam crescer. Até mesmo para usar o seu CNPJ, são apresentadas enormes dificuldades, fazendo com que o empreendedor prefira trabalhar com suas contas pessoais, o que torna ainda mais difícil a motivação para o empreendedor impulsionar os seus negócios. Outra dificuldade encontrada, segundo especialistas do SEBRAE, é a emissão de notas fiscais pois em muitas cidades ainda é realizada de forma manual, e o problema que esses locais enfrentam são a falta de informações corretas em relação aos procedimentos realizados fornecidas pelo empreendedor. Mas esse não é o único problema. As dificuldades que um trabalhador enfrenta está longe de acabar. Além da dificuldade que se deparam com o auxílio de créditos, financiamentos e emissão de CNPJ, os donos de negócios precisam ter um faturamento anual de R$81 mil, pagar taxas para manter seus benefícios com o auxílio-doença, possibilidade de conseguir uma máquina para cartões, aposentadoria etc., mas sem garantia de férias completas, e ir em busca de informações que nem sempre estão dispostas de forma clara a eles. Atualmente, cerca de 99% dos negócios formais são compostos por microempreendedores. Isso significa que grande parte da economia brasileira é movida e levantada por esses pequenos empreendedores. Os dados levantados pelo World Bank, apontam também que esses trabalhadores geram cerca de 60% dos empregos, o que significa 600 milhões de novos empregos em 15 anos. e 40% do PIB. Só no Brasil são 9,5 milhões de microempresas em sua totalidade. Os números, apesar de bastante empolgantes, ainda não mostram a realidade dos que enfrentam os diversos problemas que são impostos por uma burocracia e deveria auxiliar mais do que prejudicar. Esses problemas podem, no entanto, ser resolvidos com uma melhor disponibilização de informações e passo-a-passos sobre como o microempreendedor deve realizá-los de forma mais didática; devem ser oferecidos cursos, com programas de mentorias para esses trabalhadores; devem ser apresentadas, de forma clara, as etapas para que sejam tomadas decisões racionais para o melhoramento dos empreendimentos, realizando uma estruturação dos problemas, gerando alternativas e por fim fazer uma avaliação das consequências dessas alternativas com avaliações de riscos, sobre as priorizações de ideias etc., para que haja um melhor engajamento nas ideias dos processos de decisões e, por fim, auxiliando no processo de implementação: como deve ser realizada e posta em ação as ideias. Devemos, então, apresentar informações claras para que o microempreendedor consiga explorar o contexto em que vive, como durante a pandemia com o engajamento de novas tecnologias para ampliação do seu comércio, mostrando como identificar as oportunidades e como superar de forma eficaz o seu empreendimento. Só assim, quem sabe, mais pessoas consigam passar por cima das dificuldades e dar voz ao grande pequeno empreendimento e tem ajudado milhares de famílias a terem o seu pão de cada dia e uma possibilidade de ter um lugar ao sol neste grande universo do empreendedorismo! Por Haline Yoko Hamaguti Haline tem 23 anos, cursa sua segunda graduação em Administração na Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP). No momento está em busca de um emprego para aprender na prática sobre o grande mundo do empreendedorismo para que um dia possa conseguir administrar o seu próprio negócio, podendo fazer a diferença na vida das pessoas. Bibliografia: https://www.hojeemdia.com.br/primeiro-plano/microempreendedor-ainda-enfrenta-v%C3%A1rias-barreiras-ap%C3%B3s-10-anos-de-cria%C3%A7%C3%A3o-do-mei-1.729255 https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/sebraeaz/conheca-as-principais-dificuldade-dos-empreendedores-na-crise,7a7119a21f041710VgnVCM1000004c00210aRCRD https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2020/08/brasil-ganha-600-mil-microempreendedores-durante-a-quarentena.shtml

  • AdC entrevista Instituto Camargo Corrêa e ViaQuatro / ViaMobilidade sobre Projeto Aventure-se

    Desde abril, o projeto Aventure-se promove o empreendedorismo da periferia nas estações lilás e amarela do metrô de São Paulo. A ação consiste em cartazes espalhados por 25 estações do metrô, além de peças em vídeo divulgadas dentro dos vagões, com QR Codes e links que levam a uma plataforma online de ensino, com cursos voltados aos empreendedores. Tudo isso fruto de uma parceria da Aventura de Construir com o Instituto Camargo Corrêa, a ViaQuatro e a ViaMobilidade. Há algumas semanas, conversamos com Marcelo Lucato e Percival Caropreso sobre a criação visual da campanha. Hoje conversamos sobre as parcerias que geraram o projeto com Bárbara Bueno, Diretora Executiva do Instituto Camargo Corrêa, e Diana Siqueira, Coordenadora de Sustentabilidade da ViaQuatro e ViaMobilidade. Confira a entrevista! Diana, como surgiu a relação da ViaQuatro e ViaMobilidade com a Aventura de Construir? E como se deu início a esse projeto? Diana Siqueira – Na área de sustentabilidade da ViaQuatro, nós temos o propósito de levar à população ações e campanhas voltadas a temas de relevância social. A parceria com a Aventura de Construir já vem de antes dessa campanha que realizamos agora. Nós fizemos uma exposição muito legal com a AdC sobre empreendedores que conseguiram vencer e construir empreendimentos de sucesso na periferia. Então, como uma forma de dar continuidade a essa parceria tão profícua naquele momento, a gente buscou fazer esse novo projeto, divulgando outras atividades da Aventura de Construir. Promovendo assim essa pauta do desenvolvimento do empreendedorismo e da formação social de empreendedores com cursos gratuitos voltados ao seu aperfeiçoamento. Bárbara, como começou a relação do Instituto Camargo Corrêa com a AdC? E como se desenvolveu esse projeto? Bárbara Bueno – O Instituto está completando seus 21 anos ao final deste ano. Ele foi concebido como sendo o braço social do grupo Camargo Corrêa, que detém vários segmentos, sendo o mais conhecido o da construção civil. O ICC foi concebido para ser o braço social do investimento social privado do grupo. Em um momento, observou-se muito acertadamente que a área da construção civil pesada, ou seja, as grandes obras como hidrelétricas, rodovias e aeroportos, traziam não só um lucro significativo para o grupo, mas também um impacto maior na comunidade ao redor dessas obras. Sendo obras muito grandes, geram impactos ambientais e sociais. Por exemplo, quando a gente chegava em um local como Tucuruí, no Pará, para construir a segunda maior hidrelétrica do país. Imagine 20 mil homens e algo em torno de 50 mil equipamentos chegando numa cidade com menos de 200 mil habitantes. Eu não posso chegar nessa comunidade, usufruir desse rio maravilhoso, levar energia para o país inteiro e não contribuir socialmente para essa comunidade. Foi esse entendimento, atrelado ao que hoje se fala sobre lucro com propósito, que levou o grupo a criar o Instituto Camargo Corrêa, há 21 anos. E, assim, ele se destinou a focar nas comunidades vulneráveis nas quais estão as nossas obras de construção civil. Esse é o link que a gente faz com a Aventura de Construir e as linhas lilás e amarela. Primeiro porque a gente participou destas obras do metrô e segundo porque o projeto tem muito a ver com o propósito ao qual o instituto se destina, que não é a filantropia. A gente faz campanhas de doação, mas o nosso foco não é esse. A gente entende que a doação atende apenas uma necessidade pontual e momentânea. Porém, quando você mexe com empreendedorismo, com educação, com formação intelectual, com propósito intelectual, cultural e educacional, você está dando o mote para perpetuar a inteligência e o empreendedorismo. E a partir daí vem o trabalho, a sustentabilidade financeira e econômica. Os grandes projetos sociais no quais trabalhamos são os que têm o fundo no empreendedorismo. É aquele jargão sobre ensinar a pescar. E tem tudo a ver com o propósito da Aventura de Construir, ao promover acesso à educação e ao conhecimento para quem até então não tinha. Com uma cultura maior e com uma educação maior, surge a possibilidade para aquela pessoa de aumentar ou de criar um empreendedorismo que traga benefícios para todos nós. Qual é a importância de apoiar projetos sociais hoje? O que motiva as instituições a apoiar esse tipo de projeto? Diana – Nós atuamos na ViaQuatro/ViaMobilidade sempre voltados a essa questão da mobilidade urbana e da mobilidade humana. A gente acredita que, além de transportar pessoas, a gente também tem o propósito e a responsabilidade de levar à população discursos  inclusivos, que tragam a mensagem do respeito social, do desenvolvimento social e da construção de uma sociedade mais harmônica e desenvolvida. Então, o desenvolvimento e a realização dessas campanhas e projetos sociais tem sempre o propósito de aproveitar o espaço público e a visibilidade que a gente tem, enquanto espaço de circulação de milhares de pessoas, para levar à sociedade a discussão sobre pautas sociais relevantes. Sempre com o propósito de promover o desenvolvimento social, a inclusão social e o empreendedorismo, principalmente nesse momento da pandemia. Nesse sentido, o empreendedorismo da periferia é uma questão muito importante. A gente tem a possibilidade de levar geração de renda e gerar empoderamento social à periferia por meio desses projetos. É muito importante que a gente capacite esses empreendedores para que eles tenham poder para barganhar no mercado, para legitimar e desenvolver os seus projetos sociais. Quando nós desenvolvemos os cartazes e todo o material de divulgação, nós pensamos nesse sentido de sempre incentivar o empreendedorismo social da periferia e contribuir para a formação social, econômica e gerencial desses empreendedores, por meio desses cursos em parceria com a Aventura de Construir. Bárbara – Se o Brasil fosse perfeito, nós não precisaríamos de instituições, fundações e ONGs, porque o lado público faria a sua parte e o privado também. Mas a gente sabe que na nossa realidade, até pelo tamanho do nosso território, não conseguimos estender o atendimento a todos, de uma forma uniforme. Seja ele privado ou público. Sobre o privado, volto a falar sobre o tal do lucro do propósito. Para mim, não faz muito sentido que o empreendedorismo lucre através de uma comunidade e de um território sem compartilhar com determinadas responsabilidades. E eu digo isso não apenas para as empresas mas também para o pessoal. Acredito muito que todas as pessoas deveriam contribuir um pouquinho, porque se a gente se utiliza do meio ambiente e da comunidade onde a gente pertence, me parece natural que a gente contribua com esse lugar. Isso parte não só de um bom senso, mas de uma responsabilidade social. A companhia que usufrui daquela localidade onde o metrô está instaurado e se utiliza daquela comunidade, das pessoas que utilizam a linha, deve devolver àquela comunidade uma situação que favoreça as necessidades existentes ali. O propósito do instituto não é fazer aquilo que a gente acha bonito, o que a gente quer. Mas sim olhar para essa comunidade e perguntar o que ela precisa, quais são os piores problemas dali, para que a gente possa atuar e ajudar. Além disso, devemos sempre focar numa situação de sustentabilidade e perenidade. É fácil doar um agasalho, mas ano que vem a criança que o utilizou cresceu e não usa mais. Porém, e se a gente ensinar, levar alguma condição para melhorar aquele empreendedor caseiro, fazer com que ele aumente a sua receita e garanta sustento ao longo da vida para seus filhos? Isso favorece não só aquele espaço físico mas também o recurso humano que lá está para fazer esse negócio acontecer. São essas pessoas que usufruem do metrô e que também trazem lucratividade para o nosso negócio. Como vocês veem que este projeto ajuda a superar as maiores dificuldades enfrentadas pelos micro e pequenos empreendedores de periferia num momento tão crítico como o atual? Bárbara – Nesse momento em que estamos vivendo, antes de mais nada, a gente precisa apoiar esses microempreendedores, pessoas que estão literalmente sustentando o país e sustentando as suas famílias. A gente tem uma pesquisa que mostra que 70% das pessoas de baixa renda estão numa realidade de microempreendedorismo. E o que lhes faltam, muitas vezes, é essa formação, um incentivo. A gente acredita que a nossa responsabilidade social está literalmente ligada a essa realidade de formação, de educação e de mantenimento desses profissionais que alavancam a economia do país. Diana – Quando a gente conversou com a Aventura de Construir, levando o propósito de divulgar a temática do empreendedorismo social para as estações, a gente sempre trouxe para a discussão a importância de falar com esse público incentivando eles a desenvolver esse potencial de empreendimento, tornando o processo cada vez mais técnico e gerencial. Entendemos que montar e gerir um negócio, tornando isso perene e sustentável a longo prazo, não é um processo fácil. Abrir e gerir uma empresa é um processo complicado e árduo, e quanto mais apoio eles tiverem, mais conhecimento técnico, melhor. Isso possibilita a criação de maneiras novas de gestão, formas inovadoras de atingir os seus clientes e fazer negócios. O propósito do projeto nas estações foi incentivar o público, os clientes, a irem em busca desses empreendedores, mas também fazer com que esses empreendedores aprendessem a maneira de gerir projetos de tal forma que se tornem sustentáveis a longo prazo. Temos um grande problema no Brasil, hoje, que é a quantidade de empresas que abrem e fecham em curto e médio prazo, porque as pessoas não têm condição e conhecimento técnico para manter esses empreendimentos. Que aprendizados e benefícios as instituições obtiveram a partir do projeto Aventure-se? Bárbara – Sempre tem coisa nova para aprender e disseminar, e acho que nesse ponto o grande mote foi o estímulo ao empreendedorismo local. Apoiar as instituições para que a gente consiga replicar e fazer com que cada vez mais empreendedores e mais pessoas estejam dentro desse propósito educacional, de formação e ensino, para alavancar o empreendedorismo, faz muita diferença. Nesse momento a gente tem observado que são os microempreendedores que estão alavancando a economia local. Fizemos uma pesquisa, há pouco tempo, e observamos que em determinadas comunidades vulneráveis, especialmente as favelas, cerca de 76% de mulheres estão sendo o arrimo de família. Elas são empreendedoras, microempreendedoras ou empreendedoras informais. Esse incentivo e esse estímulo ao empreendedorismo tem um objetivo de perenidade, de sustentabilidade e de transformação, que é o propósito especial do ICC: inspirar para transformar. Inspirar essa mulher e esse homem para transformar a realidade da comunidade onde ele vive. Desta forma, o projeto da Aventura de Construir foi realmente significativo e esperamos ter oportunidades de trabalhar juntos em outras outras questões nesse sentido. Diana – A gente vem aprendendo com a Aventura de Construir desde o nosso primeiro projeto. Nossa primeira conversa com a AdC já foi muito bacana, porque foi aquele momento de vislumbrar o potencial dos empreendedores locais. Foi quando vimos aquelas histórias de sucesso, de pessoas que tinham uma ideia, foram atrás para implementá-la e fazer com que ganhasse forma ao longo do tempo. Essa nova parceria foi uma proposta de expandir esse projeto que a Aventura de Construir tem, de desenvolver o empreendedorismo local, o empreendedorismo social e incentivar outros empreendedores a galgarem o mesmo caminho e o mesmo espaço. Foi um caminho muito bacana que a gente percorreu. No primeiro momento, descobrindo o potencial dos empreendedores locais, nas histórias incríveis que existem na periferia sobre empreendimentos de sucesso. E, nesse segundo projeto, foi bacana o discurso de que existe um potencial e uma competência técnica dentro da periferia, que só precisa de um empurrão para ser desenvolvido e bem sucedido. Dessa forma, vamos construir isso juntos e levar para a sociedade, fazendo com que a ela descubra e contribua com o desenvolvimento deste potencial. Levar para as estações esse discurso de que existem empreendimentos de sucesso na periferia que precisam ser incentivados, que toda sociedade pode contribuir com o propósito da geração de renda e do desenvolvimento social, já é uma receita do sucesso. A periferia tem grandes ideias e potenciais. Compete a nós, que temos alcance a muitas pessoas, legitimar este discurso e contribuir para o desenvolvimento social levando informações e conhecimento para a população. Para finalizar, o que vocês imaginam para o futuro? Que projetos podem surgir em parceria com a Aventura de Construir? Bárbara – Pegando esse gancho que a gente não pode ignorar, a questão da pandemia, é muito inusitada a mudança no perfil da comunidade na qual a gente está inserido. Eu tenho falado muito para os líderes com quem tenho conversado sobre isso. Ano passado a gente via uma necessidade premente relacionada a doações para pessoas mais velhas, como álcool gel, máscara etc. Esse ano, a coisa mudou muito. Por isso, acho que a Aventura de Construir caiu no nosso colo como uma luz. Não só os mais velhos têm sido prejudicados com a pandemia. Hoje, estamos em uma realidade que a população um pouco mais nova está sofrendo com isso. Neste momento estão sendo prejudicados os trabalhadores que não podem trabalhar, porque ficam doentes ou têm sequelas, e também as mães de famílias, porque estão cuidando do marido ou do pai doente, ou ainda, cuidando do filho que não tem onde deixar. Neste sentido, temos percebido um pedido muito forte por acolhimento de crianças e das mulheres. A gente acompanhou essa pesquisa que mostrou que mais de 70% das famílias das comunidades vulneráveis em que estamos inseridos tem sua renda vinda da mulher. Mas com a pandemia muitas mulheres estão deixando de trabalhar, deixando os seus negócios que tinham começado ou idealizado. Então, onde o Instituto Camargo Corrêa tem atuado muito? Temos atuado, por exemplo, em atenção às creches, porque se a criança tem um lugar para ir, a mãe tem um lugar para trabalhar. Se a mãe tem esse acolhimento que a permite usar algumas horas do seu dia para gerar a renda de sua família, já é uma grande ajuda. Eu entendo que a gente pode trabalhar junto muito mais, e em muitos outros segmentos que sejam fundamentais para passar por esse momento com um pouco menos de angústia e sofrimento para as comunidades vulneráveis. Diana – Quando fizemos a reunião sobre a divulgação dos cursos, eu comentei que eu gostaria de trazer a segunda onda de projetos sociais de sucesso, queria demonstrar o quanto essa formação e esse incentivo ao empreendimento social da periferia trouxe bons frutos. Então, a próxima parceria que eu vislumbro é justamente nesse sentido: já mostramos o potencial da periferia, buscamos ampliá-lo por meio dos cursos, agora vamos divulgar o quanto isso trouxe de resultado para a sociedade. E, assim, fazer com que esse ciclo do bem continue a crescer. O nosso propósito é continuar demonstrando que existe um caminho a ser trilhado muito benéfico a sociedade, do incentivo ao empreendimento social. Também queremos continuar demonstrando o potencial da periferia em gerar empreendimentos de sucesso. Então, o desafio que eu trago para vocês é mostrar os resultados de tudo isso, o resultado dessa formação sendo aplicado na prática. Vamos conhecer esses empreendedores que fizeram os cursos, ver como isso resultou em desenvolvimento social para eles e como implementaram isso na prática. E vamos assim consolidar cada vez mais essa roda do bem.

  • AVENTURA DE CONSTRUIR – As raízes que ajudam os microempreendedores a criarem desenvolvimento

    O Blog AdC de hoje traz um artigo escrito por Silvia Caironi e Cinzia Abbondio para a revista italiana Il Sussidiario, sobre a Aventura de Construir e suas raízes. Pode-se acessar a publicação original em italiano neste link. Confira abaixo o texto traduzido! Aventura de Construir atua no Brasil há dez anos, com foco em microempresários para ajudar no desenvolvimento territorial local. Dez anos após o nascimento da AdC, Silvia Caironi, responsável da ONG Aventura de Construir (AdC) que atua na periferia de São Paulo no Brasil, e Cínzia Abbondio, que a apoiou desde o início e ainda apoia, se questionam sobre como a instituição pode crescer sem perder sua origem e a força do método no qual a Aventura de Construir (AdC) se sustenta. A Aventura de Construir (AdC) trabalha em prol do desenvolvimento territorial local e inclusivo nas periferias, com foco nos microempreendedores, como o sujeito mais ativo e protagonista da transformação dos territórios em que vivem, ou seja, a periferia de São Paulo. A partir de 2020, o trabalho também se espalhou para outras regiões do Brasil dando a muitos microempreendedores a oportunidade de se sustentarem e não terem que desistir de seus interesses empresariais. Há 10 anos, querendo responder a uma necessidade real, pensava-se em oferecer microcrédito, mas logo se percebeu que as necessidades eram muito mais articuladas e profundas. Por isso a AdC, após a realização de uma pesquisa de campo aprofundada e abrangente do contexto, foi estruturada para oferecer formação presencial e online, assessorias com uma metodologia de avaliação 360º e acompanhamento de microempresas, além do acesso ao microcrédito. A AdC, hoje, é composta por uma equipe de 10 pessoas e muitos voluntários. São pessoas muito qualificadas que disponibilizam seu profissionalismo e também são fascinadas pelo método da AdC, pelo trabalho que é feito com cada empreendedor, que é acompanhado através de diversas ferramentas. A intuição comum é que este vínculo com a origem, as raízes (A árvore cresce, mas deve ter profundas raízes, cit. dom Giussani) é fundamental para que o sentido da obra não se perca. Este deve ser avaliado por meio de dados objetivos e revisados de forma realista, razão pela qual, desde 2015, AdC criou um sistema de avaliação de impacto socioambiental. Aplica-se essa metodologia para mensurar a mudança qualitativa e quantitativa que cada projeto gera nos participantes e, assim, poder melhorar sua própria atuação. A AdC seria, portanto, muito diferente se não fosse baseada: – na necessidade de conhecer e entender a realidade de cada microempreendedor e seu contexto, como ponto de partida para identificar necessidades e responder a elas da forma mais adequada; – sobre a centralidade da pessoa, com todo esse desejo de protagonismo que cada um traz consigo; – sobre a possibilidade de “fazer COM“, em vez de “fazer PARA”, os microempreendedores: uma experiência que se mostrou ainda mais poderosa durante este último ano e meio de pandemia de covid-19, na qual o trabalho em rede nos permitiu responder, valorizando a história particular de muitos deles e aprofundando ainda mais o ideal que os move na construção de seus negócios para fazer crescer as suas comunidades de periferia. O mais surpreendente é que, quando você tenta verificar sua missão dentro da ação e usar o método de trabalho como bússola diária, não só você trabalha com mais consciência e paixão, mas nasce uma possibilidade de encontro com algumas das mais diversas e aparentemente “distantes” realidades. Nesses 10 anos aprendemos a colaborar com empresas, com órgãos públicos locais e nacionais, universidades, com profissionais tão diferentes, e a descobrir que a mudança ocorre por meio de cada um desses encontros. Aprendemos também que a esperança está ligada a fatos concretos e inesperados que acontecem. Uma noite recebo uma mensagem de Whatsapp de Reginaldo, que mora na zona oeste de São Paulo. Nos primeiros meses da pandemia ele teve que fechar sua doceria e transferi-la para sua casa. Depois, ele encontrou um emprego e continuou seu negócio para incrementar sua renda. Ele adoeceu com o COVID e passou algumas semanas na UTI. Mas o que dizia essa mensagem? “Eu não sei como agradecer porque nestas semanas doente e em risco de vida, o que me sustentou? Eu sempre pensei em vocês da AdC, como vocês me ajudaram a entender que a vida é uma luta e que vale a pena viver como protagonistas. O que eu aprendi com vocês, nunca imaginei que poderia ser útil para mim nesta situação. Sílvia conclui: “…e eu nem o conhecia pessoalmente, então esse fato me comove ainda mais porque me faz entender a dinâmica da geração de um sujeito, porque ele foi gerado por outras pessoas que trabalham na AdC”. Ao mesmo tempo, através de fatos como este, entende-se ainda mais o valor da resposta de um amigo com quem estávamos falando sobre a ONG: “O equilíbrio entre o que é feito e nossa consciência é sempre instável. O importante é que você tenha as raízes, que você continuamente construa o nexo. O risco de perder o significado está sempre lá, mas depende de você. O problema de não perder a origem tem a ver com o antes e o depois”. Pode-se concluir dizendo que no nome está a essência da Aventura de Construir. Lemos na Enciclopédia Treccani: Aventura, singular feminino; em francês aventure, e em latim adventura “o que vai acontecer”: caso inesperado, evento singular e extraordinário; empreendimento arriscado mas atraente e cheio de fascínio pelo que há nele desconhecido ou inesperado. Construir, do Latim construĕre, composto de con- e struĕre: fabricar edifícios; compor uma máquina com a união de peças convenientemente arranjadas, colocá-las juntas peça por peça. No final das contas é o segredo da vida.

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