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  • O que a Copa do Mundo Pode Ensinar sobre Fidelidade de Clientes no seu Negócio?

    Por Sara Mendes Se você já completou um álbum de figurinhas da Copa do Mundo, provavelmente sabe que o sucesso dele vai muito além das figurinhas. O sucesso dessa tradição não está apenas no produto, mas na experiência, no sentimento de pertencimento e na vontade de continuar participando. Com os clientes de um negócio acontece algo parecido. Eles voltam quando encontram valor, reconhecimento e uma experiência positiva. E é justamente aí que nasce a fidelidade. Nos últimos conteúdos do blog já falamos sobre a jornada de fidelização a partir da trajetória da marca, da simplicidade na experiência e da força das micro comunidades. Agora, vamos dar um passo além e olhar para os dados e para as ferramentas acessíveis que ajudam a transformar relacionamento em recompra, indicação e crescimento sustentável. Para quem toca um pequeno negócio, a fidelização pode representar uma vantagem importante. No mercado atual, a personalização tem sido um dos principais fatores de conexão entre marca e cliente. O seu negócio não precisa precisa conhecer melhor quem compra, lembrar preferências e criar experiências que façam sentido para a rotina do cliente. Para mapear a sua estratégia e identificar padrões de consumo, você só precisa começar respondendo a cinco perguntas simples: ● ​Quais produtos ou serviços vendem mais? ● ​Quem são as pessoas que compram com frequência? ● ​Em quais dias da semana as vendas aumentam? ● ​Quais canais (WhatsApp, Direct do Instagram, balcão) geram mais pedidos? ● ​O que os clientes costumam perguntar ou elogiar antes de fechar a compra? Essas respostas revelam padrões importantes. Se você percebe que um grupo compra todo mês, pode criar uma comunicação específica para esse público. Se nota que um produto cresce em datas certas, consegue se organizar com antecedência e evitar rupturas. Mais do que números, os dados ajudam a entender hábitos, recorrência e oportunidade. Uma das principais tendências do mercado de fidelidade é a personalização. Na prática, significa: ● Lembrar o nome do cliente e registrar suas preferências básicas de compra; ● Avisar aquela pessoa pelo WhatsApp quando o produto que ela costuma comprar acabou de chegar ao estoque; ● Oferecer condições especiais ou pequenos mimos para quem compra com frequência; ● ​Adaptar a sua comunicação ao perfil e ao jeito de cada pessoa. São ações simples que demonstram atenção e fortalecem o relacionamento. Quando o cliente percebe que é reconhecido, a experiência deixa de ser apenas uma transação comercial e passa a ter vínculo. E vínculo é uma das bases da fidelidade. Como sugestão abaixo listo algumas ferramentas gratuitas para organizar de maneira prática e sem custo: ● WhatsApp Business: use o sistema de etiquetas coloridas para categorizar seus clientes de forma visual (ex: "Cliente VIP / Compra Sempre", "Cliente Sumido", "Novo Cliente"). Isso ajuda a direcionar mensagens personalizadas para o grupo certo na hora de oferecer uma vantagem. ● Microsoft Excel ou Google Sheets: utilize as planilhas de forma simples e direta, exclusivamente como uma ferramenta de planejamento e organização. Você não precisa analisar fórmulas complexas; basta registrar colunas básicas com o Nome, Telefone, Data da Última Compra e o Produto Favorito do cliente para ter um controle visual do seu público. ● Google Forms: quer descobrir o que seus clientes mais desejam? Crie um formulário de pesquisa gratuito com duas ou três perguntas rápidas e envie o link pelo WhatsApp. Para garantir que respondam, ofereça um incentivo atrativo, como 10% de desconto na próxima compra de quem preencher. Para traduzir as informações coletadas e desenhar a sua estratégia sem nós na cabeça, podemos adaptar a lógica do modelo Canvas em um esquema visual direto de três blocos. Pegue um papel, divida em três colunas e preencha: ​Observe o perfil (Coluna 1): identifique quem compra com frequência e preste atenção no comportamento do seu público. Mapeie quais são as principais dores dele e quais são os desejos reais. ​Registre a experiência (Coluna 2): defina como o seu negócio resolve essas dores de um jeito único que a concorrência não consegue copiar. Centralize essas informações na sua planilha de organização ou use o histórico do WhatsApp para registrar as preferências e os nomes de cada um. ​Ative a recompensa (Coluna 3): escolha qual formato viável você vai usar como o "mecanismo do álbum" para valorizar quem sempre volta. Pode ser um cartão fidelidade simples, onde a cada 10 compras o cliente ganha um produto ou um desconto especial na próxima rodada. Assim como o álbum de figurinhas da Copa do Mundo que cria conexão por meio da troca e da experiência compartilhada, os negócios também crescem quando constroem relações reais com as pessoas. Fidelidade não é apenas fazer alguém comprar novamente, é criar motivos verdadeiros para que essa pessoa volte, recomende o seu trabalho e se torne parte viva da trajetória do seu negócio.

  • Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Consolidação e Aprendizados

    Seguimos com a terceira edição da série Memória AdC, na qual relembramos as origens da organização (confira a parte um e a parte dois). Felipe Ribeiro e Silvia Caironi detalham as mudanças de modelo, desafios com financiadores, escolha da marca e as lições aprendidas. Felipe lembra de uma das histórias curiosas do início da AdC, quando a família Abbondio veio ao Brasil. “A Família Abbondio, da Umano Progresso, que financiava a AdC marcou uma viagem ao Brasil para conhecer as pessoas, a obra e os territórios. No primeiro contato com São Paulo, por exemplo, perguntaram como seria o deslocamento da família: alugariam um helicóptero? Os recursos disponíveis teriam permitido isso, mas Silvia negociava tudo com muito critério, nos mínimos detalhes, e era muito ‘mão de vaca’. Sugeri o aluguel de uma van, mas, mesmo assim, ela não aceitou. Decidimos por uma Kombi, da VW, que parava no hotel chique próximo à Avenida Paulista onde a família estava hospedada, e era olhada com desconfiança pelos seguranças do hotel. Mas no final, a família acabou gostando muito, pois os transportava para os velhos tempos de carros dos anos 60”, completa Felipe. Silvia destaca os maiores desafios com os quais teve que lidar: “No início não éramos ninguém. Tínhamos ideias e uma alta capacidade de partir da realidade e um método, mas não éramos ninguém. Era uma organização que começava a caminhar, e a definir quem é. Ainda estávamos entendendo como nos relacionar com o entorno. A única coisa que estava clara era o relacionamento com os empreendedores. Mas, no contexto, estava tudo por descobrir. Tudo mesmo. Um dos maiores desafios foi a relação da fundação italiana Umano Progresso com a ATST. O líder da fundação, Angelo Abbondio sempre trabalhou com finanças e foi pioneiro em várias frentes financeiras na Itália. Quando decidimos apoiar os microempreendedores, mas não atuar com microcrédito, tivemos que convencê-lo sobre essa mudança de caminho e da importância do seu apoio. Uma das dificuldades foi fazer com que entendessem o valor que gerávamos. Nesse sentido, a avaliação de impacto qualitativa dos cases, que produzíamos todos os meses sobre a transformação da vida de um empreendedor ou empreendedora, ajudaram muito a aproximá-los da realidade que, para eles, estava longe. Outro obstáculo para sua permanência no Brasil foi a obtenção do visto. “Quando cheguei do Peru para trabalhar aqui em 2011, meu visto foi negado duas vezes, porque a ATST não tinha os requisitos para entrar com o pedido de um visto como voluntária. Tínhamos o dinheiro que chegaria da Itália, e eu não tinha o visto. Pensamos em fazer um visto de investimento que também foi difícil, os bancos desapareciam, porque desconfiavam da fundação italiana. Havia um debate público na época, quando muitas ONGs brasileiras estavam sob suspeita de desvios em novembro de 2011. Com a ajuda de advogados conseguimos a parte burocrática do visto e a abertura da conta jurídica. Ajudou muito a amizade do Abbondio com o presidente do Santander na Itália para abrir uma conta jurídica. Isso exemplifica a aventura, um trabalho sempre cheio de desafios. Os de hoje até parecem menores, comparados com os iniciais. Conseguimos a conta e o visto em 20 dias e recebemos o investimento para a AdC que começou como uma companhia limitada até abril de 2017. Entendemos que pelas operações que realizávamos no contexto do terceiro setor, fazia mais sentido ser uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), que foi reconhecida em pouquíssimo tempo. A partir daí passamos a fazer captação de recursos, porque o investimento da fundação iria até 2019”. Segundo Silvia, durante todos esses anos o trabalho não mudou, mas sim a percepção do mercado sobre a AdC. “A operação se tornou mais efetiva. Quando conseguimos sair de uma empresa limitada e virar uma OSCIP a operação ficou mais redonda. A realidade é muito mais potente do que aquilo que temos na cabeça. Cito Shakespeare: ‘Há mais coisas no céu e na terra do que na nossa filosofia’. Até nos momentos mais difíceis, a realidade indicava qual era o caminho. Penso que não se pode desistir quando não se sabe aonde ir. Sempre tive muitos amigos que me ajudaram em todo esse processo e até nos momentos mais difíceis, nunca me senti sozinha, sempre sabia a quem recorrer. Isso ajuda demais, porque não é aquilo que você tem na cabeça, mas o que antevê, não é uma trilha, mas uma rodovia”. Silvia admite que um dos seus talentos para agregar pessoas de instituições de pesquisa e universidades é sua facilidade de relacionamento. “Está no meu DNA. Em uma viagem ao Marrocos com minha família, quando tinha 16 anos, mesmo sem falar a língua, em poucos dias, fiz muitas amizades e até joguei xadrez em uma praça famosa de Marrakesh, com as pessoas de lá. Tenho uma abertura para construir, uma empatia com a realidade, com as pessoas. Com o tempo, aprendi a entender como me relacionar com as pessoas, tive muitas oportunidades na vida, morei em muitos países e tenho uma rede de relacionamentos que facilitaram muita coisa. Você tem que aprender a se relacionar um pouco com todo mundo e com as pessoas mais humildes. Quando eu trabalhava no Peru, na presidência do Conselho de Ministros, eu circulava por bairros onde ninguém ia. Fui educada com a ideia de que o valor de uma pessoa não depende do cargo que tem, não depende se é rico ou pobre. Uma pessoa vale, cada um tem algo interessante e é necessário descobrir isso. A coragem e o atrevimento nascem da certeza de que eu não estou fazendo essa coisa para mim, mas para ajudar outras pessoas, e isso dá muita liberdade. Tem que acreditar, ter brilho nos olhos, senão você não convence ninguém. Então, é um processo racional, empático e de desprendimento, de liberdade mesmo. Também está no meu temperamento a facilidade de falar com as pessoas, de conversar. Os momentos difíceis servem para dar um passo a mais na vida, ir até o limite e ainda dar um passo a mais. Acho que isso faz parte de como fui criada e da minha fé”, completa Silvia O Felipe Ribeiro fez a primeira capacitação para os empreendedores em abril de 2013. Em 2016 e 2017 começaram a montar o site da AdC onde foi descrita sua missão, valores e o estatuto. Segundo Silvia, a missão - apoiar os empreendedores - sempre foi clara, mas não estava formalizada. “As coisas ficaram mais formalizadas a partir de abril de 2018 quando escrevi os sete pontos do método. Não pensei na teoria, mas nos pontos que nos ajudaram a entrar na realidade, a fazer aquilo que fizemos nesses anos. Foi fácil: era só observar aquilo que tinha acontecido”, conta Silvia. A partir dessa trajetória, Silvia resume os principais aprendizados. Um deles é a importância do cuidado com os recursos financeiros. A lição veio, em parte, da convivência com Angelo Abbondio, da Fundação Umano Progresso. Durante os oito meses em que trabalhou ao lado do financiador italiano, praticamente compartilhando a mesma escrivaninha, ela pôde observar de perto sua relação com o dinheiro. “Eu me lembro que, uma vez, eu e a Matilde mandamos um relatório e ele estranhou haver uma diferença de um real”, conta Silvia. A atenção ao detalhe, mesmo diante de valores mínimos a impressionou. Para Silvia, o dinheiro tem um valor que vai além do seu montante. “Quem nunca teve que captar um real sequer não consegue entender o valor de cada recurso. Receber um salário ou um faturamento ao fim do mês é relativamente simples; o verdadeiro desafio está em captar. No início da AdC havia muitos recursos disponíveis, mas o cuidado permanente com cada centavo foi o que permitiu construir um futuro sólido. É necessário ser prudente com os recursos que se tem e não apenas o recurso material”, resume Silvia. Sobre as lições desse período, Felipe recorda que, no início, tudo era improvisado. “No começo, existiam três partes com objetivos distintos: um investidor interessado em testar o microcrédito na América do Sul, uma universidade com sua agenda acadêmica e uma associação de moradia, que não tinha experiência com microcrédito e tampouco com microempreendedorismo. Quando essas três partes se juntaram, logo surgiu um curto-circuito. O que fez a obra sair do papel, foi justamente essa combinação improvável de forças — e a capacidade de Silvia de manter tudo coeso e em movimento”, conclui Felipe. Outro traço marcante desse período foi a capacidade da AdC de mudar de caminho e aproveitar os recursos disponíveis sem perder o foco da missão principal. Quando o microcrédito mostrou não ter a tração esperada, a organização soube adaptá-lo ou substituí-lo por soluções mais adequadas. O mesmo ocorreu com o Sebrae: ao invés de replicar o que a instituição já fazia, a AdC passou a trazê-la como parceira quando ela podia agregar qualidade ao trabalho. “A capacidade de mudar de caminho e de perceber que a solução imaginável pode não ser a única — isso foi central”, resume Felipe. Para Silvia, razão e sentimento não são caminhos opostos — estão juntos, e é preciso usar os dois. A solução, sempre, é buscar outras pessoas para ajudar a pensar. Uma das coisas mais bonitas desse caminho foi justamente o tipo de amizade que gerou. “Eu e o Felipe somos amigos independentemente da AdC — por meio de tudo aquilo que construímos juntos. Eu e o Adriano também. Essa é a coisa bonita da vida, um caminho que, mesmo nos momentos mais difíceis, nunca foi trilhado sozinha”. A consolidação da AdC mostra que a força de uma obra não está em nunca enfrentar impasses, mas em permanecer fiel à realidade mesmo quando ela exige mudanças difíceis. A organização amadureceu sem perder o núcleo de sua missão: apoiar empreendedores de forma concreta, humana e responsável. A trajetória revela também que a AdC se consolidou graças à capacidade de Silvia de construir relações, pedir ajuda, tomar decisões com razão e afeto, e manter unido um conjunto improvável de pessoas e instituições em torno da construção de um bem comum. Ao final desse primeiro encontro de memórias, fica evidente que a Aventura de Construir nasceu e cresceu como uma experiência compartilhada de confiança, prudência, adaptação e amizade — uma obra que aprendeu a seguir a realidade para continuar construindo futuro.

  • Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Construção e Desafios Operacionais

    Nesta segunda parte da Memória da Aventura de Construir, Silvia Caironi, Felipe Ribeiro e o consultor italiano Adriano Gaved contam sobre os primeiros desafios operacionais e com os financiadores, as pesquisas de campo e a evolução da organização. Confira a primeira parte no link. O ano de 2012 foi dedicado a iniciar o escritório, aplicar a pesquisa e estruturar os resultados. Em 2013, começou-se a oferecer microcrédito e foi firmada uma parceria com o Sebrae para capacitar empreendedores, aproveitando o espaço dos Centros Comunitários da Associação dos Trabalhadores Sem Terra (ATST) com bastante procura pelos treinamentos que duraram seis meses. Após esse período, os microempreendedores avaliaram que a metodologia do Sebrae era “muito engessada”. “Entendemos que nós é que tínhamos de oferecer as capacitações. Em abril de 2013 chegou uma nova funcionária à iniciativa, Matilde Silva para cuidar da parte administrativa, atendimento aos interessados pelo microcrédito e assessoria. No início fizemos um grande trabalho de busca de parcerias, além do Sebrae, a partir de uma articulação cuidadosa e difícil, porque a organização ainda não tinha nome nem tamanho, só o público. Um dos principais ativos e que chamou muito a atenção dos parceiros foi a sistematização dos resultados das pesquisas que detalhavam muito bem o perfil do público. Eu me lembro que fomos ao Banco do Brasil, que é uma organização que tem uma imensa capilaridade e muito acesso à pesquisa de mercado e de governos, e eles ficaram impressionados com as informações da AdC e pela pesquisa aprofundada com uma pequena população. Isso acabou sendo um ativo que ajudou na mobilização dos recursos externos”, ressalta Silvia. Todos os consultores que passaram pela AdC, mesmo aquelas que ficaram pouco, ajudaram no seu crescimento. Quem pode falar um pouco sobre isso é o italiano Adriano Gaved, engenheiro e hoje consultor da maisQI que se juntou à organização em setembro de 2013. Formado em engenharia eletrônica, com experiência em análises quantitativas e estatística, é especializado em gestão de projetos, equipes e gerenciamento empresarial. Adriano conta um pouco de sua passagem pela AdC: “Sou italiano, mas também cidadão brasileiro e cheguei ao Brasil para ser o chefe de uma empresa do Grupo Bandeirantes de Comunicação (a TV Band), parceira da empresa italiana onde trabalhava, fiquei alguns anos e depois me tornei consultor de uma empresa na área da Petrobrás, que naqueles anos - entre 2012 e 2014 - passou por uma grande crise. Nessa época eu já conhecia a Silvia por meio de amigos comuns, e ela me pediu para ajudar na primeira fase da AdC. Naquele tempo eu morava no Rio. Em poucas semanas fui à São Paulo e comecei a fazer capacitações e assessorias. Uma das minhas atribuições era definir metodologias: para avaliar o impacto da AdC, ou fazer uma avaliação rápida do potencial do empreendedor. Foi uma das melhores coisas que fiz na vida. Aprendi muitas coisas nessa interação pelo fato da Silvia, no mundo do terceiro setor, ter uma prática lógica, correta e coerente e ficando na ponta com as pessoas que precisam, querendo ajudar de verdade, e isso é muito raro. Quando entrei, a AdC oferecia microcrédito, e logo percebemos que não era uma coisa que tinha tração, ou seja, as pessoas não precisavam muito desse tipo de serviço. Outra coisa que me surpreendeu positivamente foi a qualidade da pesquisa inicial feita com os empreendedores. Em uma situação como essa, fazer um investimento de tempo e dinheiro em uma pesquisa daquele tipo, para entender exatamente quais eram as necessidades do público-alvo e a seriedade de querer resolver efetivamente necessidades das pessoas, foi algo que eu só vi na AdC ao longo da minha carreira. Eu aprendi muito profissionalmente trabalhando na AdC: lembro que eu chegava nos empreendedores como consultor de empresas, pensando em fazer o planejamento estratégico dos empreendimentos, ou seja, definir missão, visão, valores. E quando eu conversava com eles, com meu português quebrado, e com a minha cabeça de gringo, essas eram as minhas referências. Então entendi que não fazia sentido para eles fazerem o planejamento estratégico, porque partiam de diferentes premissas. Toda a teoria sobre o conceito de planejamento estratégico é uma ferramenta de comunicação interna. Entendi que um microempreendedor, dono do próprio negócio, não precisa comunicar sua missão para si mesmo, pois sabe o que quer alcançar e vai atrás disso. Entendi mais o que é o planejamento estratégico falando com os microempreendedores do bairro Sol Nascente do que aplicando e estudando isso nas grandes empresas. Outra surpresa foi como eles sabiam precificar. Existem teorias, cruzamento de dados, curvas e infográficos. Falando com eles se entende de verdade o que significa definir o preço. Me senti honrado de ajudar esses microempreendedores. Não tem coisa mais útil no mundo que ajudar uma pessoa a tocar um negócio, ter uma responsabilidade, tentar fazer algo de bom para si e para a sua família. Isso para mim foi um presente, uma grande honra. E eu agradeço a Sílvia por me envolver nessa aventura. Literalmente”, completa Adriano. E ele continua: “Uma das coisas únicas da AdC é, por um lado, a atenção às situações concretas e necessidades reais, e por outro, a valorização da teoria. Ou seja, a avaliação do impacto se fala há alguns anos, nós começamos isso há onze anos, em 2014, 2015, onze anos atrás. Essa é uma outra atitude da Sílvia que faz a diferença. E eu entendi que não tem coisa mais prática que uma boa teoria. Essa atenção à realidade sem imaginá-la, e a compreensão dos fenômenos, até teóricos, só vi na AdC. Daí entendemos como a AdC consegue criar tantos relacionamentos sólidos com centros de pesquisa e universidades”, destaca Adriano. Silvia ressalta que não havia uma ideia pré-concebida sobre como seria a obra. “Começamos com o tema do microcrédito, depois, seguindo a realidade, seguimos por outro caminho, tanto na missão quanto na organização. A missão era o microcrédito. Depois, com tudo que fomos vendo, virou outra coisa. Entre 2013 e 2014, descobri que existia uma organização que se chama Aliança Empreendedora que faz um trabalho similar à AdC, e pensei: então não estou louca. Para mim nunca foi um projeto, mas entender como responder à realidade e às necessidades dessas pessoas da forma melhor e mais adequada para elas. Se a maioria dos bancos oferecem microcrédito subsidiado, não precisávamos fazer. Se os empreendedores têm dificuldades em acessar o Sebrae, vamos levar o Sebrae até eles. Sempre foi uma questão de seguir a realidade que permitiu à AdC ser aquilo que é hoje. Do ponto de vista da organização, o nome e o logo não foram pensados a priori. Para que o recurso da Itália pudesse chegar era preciso ter um CNPJ e um nome. E sendo que a palavra aventura, no Brasil, significa algo que não se sabe onde vai dar, me veio a imagem de uma aventura de construir juntos. Fui inspirada pelo Padre Carron, ex-responsável do movimento Comunhão e Libertação, que veio ao Brasil nessa época e me disse: ‘Silvia, que essa obra seja uma aventura para a sua vida’. Sendo que um microempreendedor tem que crescer, e esse processo de crescimento é a aventura da sua vida: quanto mais ele cresce pessoalmente, mais cresce profissionalmente e mais perguntas vão nascer, é realmente uma aventura a construção de toda sua pessoa. É um construir da pessoa, do empreendimento, da família, da comunidade. Consultei o Marcos Zerbini e a Cleuza Ramos, da ATST, que também gostaram da ideia, e foi assim que o nome surgiu em maio de 2011. Em agosto de 2011, fui a Washington conversar com o Álvaro Manoel, do Banco Mundial, que sugeriu fazer uma apresentação da AdC para pessoas especializadas em microempreendedorismo. Ele levantou dúvidas sobre o nome: aventura é uma palavra que sugere risco. Mesmo assim, decidimos manter a marca e o logo, com quadradinhos que vão aumentando, sugerindo o crescimento e fortalecimento do negócio. Esse desenho simboliza a tentativa de dar solidez à ideia: não era uma aventura sem futuro, ao contrário”. Dentro dessa trajetória, Silvia entendeu melhor sobre a importância de sua permanência no Brasil. “Percebi que estava construindo algo que realmente respondia a uma necessidade, mas isso não foi o mais importante para querer ficar, mesmo nos momentos difíceis, e tiveram muitos. Percebi que aquilo era bom para a minha vida e me permitiu crescer mais como pessoa, dentro dos momentos bons e, sobretudo, dos difíceis. E nesses 15 anos, foi algo que foi muito bom, pois, para mim, construir tem valor. Quem cria é a própria criatura. A coisa melhor que um pai pode fazer para um filho é deixá-lo caminhar, correr, crescer. E depois, se a construção foi boa, vamos ver no futuro, não só nesses primeiros 15 anos.” A AdC se formou a partir da coragem de testar caminhos, reconhecer limites e mudar de direção quando a realidade assim exigia. As pesquisas de campo, as parcerias, as capacitações e os primeiros desafios operacionais mostraram que a contribuição mais valiosa da AdC não estava apenas no microcrédito, mas na capacidade de olhar para cada empreendedor de forma concreta, oferecendo apoio, método e presença. Ao mesmo tempo, o surgimento do nome Aventura de Construir sintetizou a identidade da obra: uma construção compartilhada, feita de crescimento pessoal, fortalecimento dos negócios, vínculos comunitários e aprendizado contínuo. Assim, a AdC consolidou seus primeiros passos como uma iniciativa aberta à realidade, sustentada pela seriedade do trabalho, pela força dos relacionamentos e pela convicção de que construir é, antes de tudo, acompanhar pessoas em seu caminho de desenvolvimento.

  • Relatório de Atividades e Impacto 2025 - Aventura de Construir

    Está no ar o Relatório de Atividades e Impacto 2025 da Aventura de Construir! Em 2025, seguimos construindo pontes entre pessoas, territórios, empresas, universidades e organizações para fortalecer microempreendedores periféricos e ampliar oportunidades de transformação social e econômica. Foi um ano marcado pela escuta ativa, pelo aprendizado coletivo e pela consolidação de um trabalho cada vez mais reconhecido e conectado com diferentes atores do ecossistema de impacto. Seguimos acreditando que empreender vai muito além do negócio: é sobre autonomia, dignidade, pertencimento e construção de futuros possíveis. Cada formação realizada, cada parceria construída e cada empreendedor acompanhado representam mais do que resultados: revelam histórias de coragem, redes fortalecidas e territórios pulsando potência, criatividade e protagonismo. Neste relatório, reunimos os principais marcos, aprendizados e impactos de 2025 — frutos de um trabalho construído coletivamente, tijolo por tijolo, por quem acredita na potência das periferias. Confira o Relatório de Atividades e Impacto 2025 e conheça mais de perto as histórias, conquistas e caminhos que seguimos construindo juntos!

  • Stakeholders: o mapa de parcerias para o sucesso do seu negócio

    Na realidade do empreendedorismo periférico, ninguém cresce sozinho. Seja a fornecedora que entrega os insumos no prazo, o cliente fiel que indica seu serviço no WhatsApp ou a organização que oferece capacitação, todos fazem parte de uma rede que sustenta o seu negócio. Na gestão, chamamos esses grupos de “stakeholders” (ou partes interessadas). Entender quem são e como se relacionar com eles é o que diferencia um negócio que apenas sobrevive de um que cresce com consistência e impacto social. Mas afinal, o que são stakeholders? Segundo Edward Freeman, stakeholders são grupos ou indivíduos que podem afetar ou ser afetados pelas atividades de um negócio. Na prática, é olhar para sua empresa como uma rede de relações. Para simplificar a gestão, podemos dividi-los em: Internos: você (empreendedor), seus sócios e, se houver, seus colaboradores. Externos: clientes, fornecedores, vizinhos de bairro, instituições financeiras, órgãos públicos e organizações de apoio (como a AdC). Identificar esses atores é o primeiro passo para organizar o seu crescimento. Para quem empreende, a gestão dessas relações são essenciais, para gerar: Redução de riscos: ter um bom relacionamento com fornecedores pode facilitar negociações de prazos em momentos críticos. ​Reputação e confiança: o "boca a boca" continua sendo uma das formas mais poderosas de divulgação. Um cliente satisfeito pode se tornar um promotor da sua marca. ​Acesso a Oportunidades: estar conectado com organizações, associações e redes locais pode abrir portas para especializações e oportunidades de negócio. Como aplicar na prática? Gerenciar stakeholders não deve ser complicado. Com organização e diálogo, é possível dar passos importantes. Identifique: liste todas as pessoas e instituições que impactam no seu negócio. Inclua desde clientes frequentes à fornecedores e parceiros. Análise: quem é essencial para o funcionamento? Se essa relação falhar, o que acontece? Isso ajuda a identificar quais stakeholders são prioritários. Escute: o que seus clientes esperam? Como sua atividade impacta no entorno? Entender as percepções ajuda a evitar conflitos e melhorar sua atuação. Comunique: mantenham as pessoas informadas. Avise sobre prazos e mudanças, compartilhe conquistas. A transparência gera fidelidade fortalece seu empreendimento. A partir desses passos você consegue priorizar quem tem maior influência sobre seu negócio, quais as relações priorizar no momentos das respostas, as que demandam maior atenção para para construir relacionamento de forma contínua. No empreendedorismo, crescer também é fortalecer as relações ao seu redor. Quando você cuida dos seus stakeholders, você está, na verdade, cuidando do ecossistema onde vive e trabalha. Por Sara Mendes

  • Coletividade, parceria e construção conjunta - podcast Empreendendo da Periferia

    No novo episódio do Empreendendo na Periferia, a conversa é sobre aquilo que sustenta qualquer transformação real: coletividade, parceria e construção conjunta. Recebemos Maria de Lourdes Moraes, microempreendedora acompanhada pela AdC, e Eduardo Zdanowicz, do Impact Hub São Paulo, organização que promove o Fórum Impacta Mais. Juntos, eles refletem sobre as pontes que tornam o impacto social possível, a importância de somar diferentes trajetórias e o compromisso necessário para construir soluções conectadas aos territórios. Uma conversa inspiradora sobre alianças, escuta e protagonismo. Acesse agora e ouça o episódio completo!

  • Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Origem e fundação

    Como começou a Aventura de Construir (AdC)? Como foi sua evolução ao longo dos anos e por quais transformações passou a partir do projeto inicial para atender seu público-alvo? Essas indagações ficam mais provocadoras tanto para aqueles que participaram de sua fundação quanto para os que a conhecem agora. Com a chegada dos 15 anos da organização, surgiu a ideia de deixar um registro escrito desta história que se confunde com a trajetória da própria fundadora, a economista Silvia Caironi, que chegou ao Brasil para tocar uma obra de oferta de microcrédito para empreendedores da periferia a partir do financiamento da fundação italiana Umano Progresso, de Milão, liderada por Angelo Abbondio (1941-2022). Silvia, conta um pouco desse começo, quando a AdC nem tinha este nome: “Um amigo, Mario Molteni, que é o fundador da ALTIS e da E4Impact, respectivamente escola de negócios e organização de impacto ponte entre a Universidade Católica de Milão e universidades africanas, me falou que uma fundação queria começar um projeto de financiamento para microempreendedores nas periferias de São Paulo, em particular na periferia da zona oeste da capital paulista, em parceria com a Associação dos Trabalhadores Sem Terra (ATST) de São Paulo, liderada por Marcos Zerbini (ex-deputado estadual de São Paulo) e sua esposa Cleuza Ramos”. Nessa época, Silvia era administradora da Cáritas no Peru, que tinha um dos três maiores programas de microcrédito daquele país em 2010. Mario Molteni, conhecendo esta experiência, a convidou para liderar um programa similar no Brasil ligado à ATST. A princípio, Silvia não se interessou. Mas por amizade - e insistência de Mario Molteni - concordou em escrever um projeto. “Conversando com uma amiga economista, comecei a me empolgar com a iniciativa e com o tema. Escrevi o projeto, mandei para o Mario, e ele passou para o Abbondio da Fundação Umano Progresso”, diz Silvia. Em seguida, ela foi para a Itália de férias e se encontrou com Angelo Abbondio, head da fundação, que se propôs a financiar microcrédito no Brasil, contanto que Silvia liderasse a obra. Ela ainda estava na Cáritas, no Peru, onde ficou até novembro de 2010. Encerrado este ciclo, chegou ao Brasil em fevereiro de 2011. “Vim duas vezes antes para verificar se as condições para começar esse trabalho eram viáveis”, detalha Silvia. Aqui chegando, começou a pesquisa para a montagem de uma organização de microcrédito, na periferia da zona oeste da capital paulista, alcançando territórios onde a ATST atuava como Morro Doce, Sol Nascente, Pirituba, Turística e Vila Aurora. Neste início, Silvia agendou reuniões em várias instituições financeiras que trabalhavam com microcrédito, como o Banco do Nordeste e o Santander, onde ficou amiga de um diretor da área. Com seis meses de Brasil, e ainda estudando como abrir juridicamente a organização de microcrédito, o Governo Federal – época da presidente Dilma Roussef - lançou um programa subsidiado. Antes de passar um período na Itália – onde ficou oito meses à espera do visto para morar no Brasil – Silvia passou por Washington (EUA) para consultar pessoas especializadas em microcrédito. Felipe Mahlmeister Ribeiro, cientista social, conta como se juntou à organização que seria a AdC em 2011, quando foi criado o CNPJ da organização. “Fiquei sabendo que a Silvia estava vindo para o Brasil, e estava interessado em começar um trabalho com essa perspectiva. Naqueles anos, a economia solidária e o microcrédito estavam muito fortes, existiam muitas iniciativas no mundo inteiro, muita pesquisa acadêmica, livros sendo publicados, e eu tinha interesse em trabalhar nessa área. Conheci a Silvia, e ela me falou do trabalho que se adequou ao que eu buscava profissionalmente. Em um primeiro momento, quando ela ainda estava montando a organização juridicamente, surgiu a possibilidade de parceria com o BAMIC (Banco Mineiro de Microcrédito), OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) de Belo Horizonte (MG) que oferecia essa linha de financiamento para a região. Fizemos um acordo com eles e em 2012 fui para Belo Horizonte e fiquei alguns meses no BAMIC conhecendo a operação de microcrédito ligada ao CEDUC (Centro Educativo Virgilio Resi), para depois continuar o trabalho análogo junto com a Silvia em São Paulo. Nesse período conhecemos o BAMIC que tinha passado por muitas mudanças de gestão e precisavam organizar melhor os números, e tivemos um papel importante nesse processo”, diz Felipe. Ele voltou à São Paulo e começou a ajudar nas tarefas do dia a dia. O BAMIC estava ligado à duas organizações, a CDM e ao Centro de Biodiversidade, dentro do Ceduc Virgílio Resi, centro de formação profissional para jovens aprendizes. Após o trabalho do Felipe em BH foi possível ter mais informações sobre a difícil sustentabilidade financeira do microcrédito, pois o BAMIC operava com déficit. “É um desafio do ponto de vista da sustentabilidade financeira, porque cada empréstimo gera uma receita minúscula para o banco. Então, se você não tem um controle muito rigoroso dos números, começa a operar no prejuízo sem perceber. Muitas vezes é um pequeno prejuízo, mas se isso acontece mensalmente leva a organização à falência. E descobrimos que estavam nesse ponto”, conta Silvia. Em São Paulo, Felipe Ribeiro e o economista Felipe Mecchi, que se juntou à organização na época, começaram a pesquisa de campo com os empreendedores dos bairros periféricos. Foram vários meses entrevistando os donos de comércios, com a meta de quatro interações por dia. “Meta difícil de ser alcançada, dado que o formulário tinha 200 perguntas. Eram entrevistas muito longas. Em seguida começamos a fazer a ponte com o pessoal do microcrédito do Banco do Povo Paulista, que na época se mostrou a melhor instituição financeira para trabalhar em parceria. Eles tinham a disponibilidade de alocar um agente de microcrédito de carro alguns dias por semana para ficar rodando conosco nos bairros. As entrevistas com os empreendedores, que duravam quase duas horas, continuaram e ajudavam a identificar potenciais clientes. Entrávamos nos comércios para conhecer os donos e muitos não queriam parar o trabalho para responder, pois as entrevistas ocorriam durante o horário comercial. Com isso, caracterizamos o público-alvo e começamos a identificar quem eram os bancos que tinham interesse em trabalhar conosco: vários apareceram. O Banco do Povo foi escolhido pois tinha juro mais baixo e metodologia mais sólida, desenvolvida pelo bengali Muhammad Yunus, que criou o conceito de microcrédito e microfinanças, desenvolvido nos últimos 30 anos em Bangladesh”, relembra Felipe. Ele detalhou um pouco mais sobre a metodologia das entrevistas: “Para não atrapalhar seus negócios, eu pedia ao empreendedor manter sua rotina de vendas e enquanto ele trabalhava eu continuava ali, esperando por sua disponibilidade. Também deixava claro que, se eu perguntasse alguma coisa que achasse inconveniente, especialmente em relação ao dinheiro, não precisava responder. Mas, no geral, foi possível levantar muitas informações e eles começaram a nos conhecer, pois andávamos pelo bairro. A gente batia na porta e eles pediam para voltar na semana que vem, mas já nos conheciam, nos viam pelo bairro, almoçando em alguns bares”. Entre as memórias mais curiosas da fase de pesquisa de campo, Felipe recorda o episódio em que, no afã de cumprir a meta diária, acabou entrevistando um comerciante cujo negócio era completamente ilegal — algo que só percebeu no decorrer da conversa. “O homem vendia DVDs de videogame falsificados. Disse a ele para responder só as perguntas que podia e as outras deixaria em branco”, conta Felipe. Para ele, a situação era análoga à de uma cabeleireira que vendia produtos sem nota fiscal: em ambos os casos, havia a possibilidade de um caminho diferente. Ainda assim, ao encerrar a entrevista, concluiu que aquele não era o perfil de público-alvo da AdC. Tínhamos uma baixa expectativa no número de entrevistas. A meta era quatro por dia, mas em alguns conseguimos no máximo duas, ou uma. Tinha dia que a pessoa passava mal por causa do calor. Não fazíamos muitas visitas porque cada uma era bem profunda nos bairros de atuação da ATST, associação que começou no final dos anos 70 para trabalhar com moradia e que já beneficiou mais de 40 mil famílias da periferia da zona oeste. Com a compra do lote, entra o processo de urbanização e de regularização com a prefeitura. Nós começamos lá e o apoio da fundação italiana era para fazer algo com eles. E descobrimos que a vida desses territórios é muito dinâmica. Muita gente se beneficiou dos lotes, mas não sabia nada sobre a ATST. São milhares de casas que foram construídas pela associação, tudo documentado e inventariado. As vezes só o avô e a avó ou o pai sabiam que a origem do terreno da casa ou do ponto comercial que tinha a ATST como origem. Então vimos que a história do bairro ficou registrada apenas para alguns. Além do Banco do Povo, trabalhamos um pouco com o Sebrae. A ATST nos auxiliou com os centros comunitários, lugares em cada bairro para as reuniões e palestras. Muito da energia da AdC vem da facilidade com que a Silvia consolida relacionamentos com as pessoas, o famoso “networking”, aponta Felipe. Ao revisitar a origem da Aventura de Construir, percebe-se que a AdC nasceu de uma escuta atenta da realidade, de relações de confiança e de uma disposição concreta para responder aos desafios encontrados nas periferias de São Paulo. O projeto inicial de microcrédito foi se transformando à medida que a equipe conhecia de perto os empreendedores, os bairros, suas histórias e necessidades. Mais do que oferecer financiamento, a organização começou a construir vínculos, compreender trajetórias e reconhecer a força de territórios marcados por dinamismo, trabalho e criatividade. Assim, os primeiros anos da AdC revelam não apenas a fundação de uma instituição, mas o início de uma caminhada coletiva baseada em presença, aprendizagem e compromisso com o desenvolvimento humano e econômico das comunidades atendidas.

  • A Força Transformadora do Empreendedorismo Feminino nas Periferias

    Histórias de Superação e Inspiração Neste episódio, escutamos duas mulheres que mostram, na prática, a força transformadora do empreendedorismo feminino nas periferias. Antônia Meires Barbosa, fundadora do AYRA Ateliê, e Marciele Delduque, fundadora da Rede Marianas Mulheres que Inspiram, compartilham suas trajetórias, desafios e aprendizados. Elas falam sobre temas como autonomia econômica, ancestralidade, acolhimento, rede de apoio e transformação social. A partir de experiências marcadas pela superação e pelo compromisso com outras mulheres, elas revelam que empreender vai muito além de abrir um negócio. É também um caminho de fortalecimento, liberdade e reconstrução de vidas. Assista: https://youtu.be/GQH4aC0ciGA O Podcast Empreendendo na Periferia O Podcast Empreendendo na Periferia é um espaço onde histórias reais e dicas práticas se encontram. Ele visa fortalecer o empreendedorismo que nasce das periferias do Brasil. É uma produção da Aventura de Construir, a AdC, uma OSC que atua no apoio ao crescimento pessoal e à transformação socioeconômica desse público. Nós promovemos a formação e o fortalecimento dos microempreendedores das periferias. Convidados Especiais A cada episódio, traremos convidados especiais que compartilham suas experiências, desafios e sucessos no mundo do empreendedorismo. São verdadeiros protagonistas de suas vidas, seus negócios e suas comunidades. É inspirador ouvir como eles superam barreiras e constroem seus sonhos. A Importância da Rede de Apoio Uma das lições mais valiosas que aprendemos é sobre a importância da rede de apoio. Antônia e Marciele enfatizam que, sem apoio mútuo, o caminho pode ser muito mais difícil. Elas falam sobre como suas redes de amizade e colaboração foram essenciais para o crescimento de seus negócios. Você já parou para pensar em quem está ao seu redor? Quem pode te ajudar a alcançar seus objetivos? Ter uma rede de apoio sólida pode fazer toda a diferença na sua jornada empreendedora. Empreender é Transformar Empreender não é apenas sobre lucro. É sobre transformar vidas e comunidades. As histórias de Antônia e Marciele são provas disso. Elas mostram que o empreendedorismo pode ser uma ferramenta poderosa para a mudança social. Ao criar negócios, elas não apenas melhoram suas próprias vidas, mas também impactam positivamente suas comunidades. O Caminho do Empreendedorismo O caminho do empreendedorismo é cheio de desafios. No entanto, cada obstáculo pode ser uma oportunidade de aprendizado. Antônia e Marciele falam sobre como enfrentaram dificuldades e como essas experiências as tornaram mais fortes. Você está disposto a enfrentar os desafios que surgirem no seu caminho? Lembre-se de que cada passo dado é uma conquista. Dicas Práticas para Empreender Aqui estão algumas dicas práticas que podem ajudar você a começar sua jornada empreendedora: Identifique sua paixão : O que você ama fazer? Transforme sua paixão em um negócio. Pesquise o mercado : Entenda o que seu público precisa e como você pode atendê-lo. Construa uma rede de apoio : Conecte-se com outras pessoas que compartilham seus interesses e objetivos. Mantenha-se motivado : Lembre-se do porquê você começou. Isso ajudará a superar os momentos difíceis. Aprenda sempre : Esteja aberto a aprender com suas experiências e com os outros. Conclusão Não perca nenhum episódio! Nos siga nas plataformas de áudio e nas redes sociais. Vamos juntos fortalecer o empreendedorismo nas periferias do Brasil. Apresentação de Ana Luiza Mahlmeister e Nico Dicuonzo Produção de Mattia de Stefano, Nico Dicuonzo e Vinicius Dutra Edição de Vinicius Dutra ---wix---

  • Juntos se vai mais longe: Como construir uma rede de apoio que faz seu negócio crescer de verdade

    Empreender sozinho é possível. Mas raramente é o caminho mais sustentável. A maioria dos empreendedores carrega o negócio nas costas: resolve tudo, decide tudo, se preocupa com tudo. É uma força real. Mas também é um peso que, com o tempo, isola. E o isolamento, no mundo dos pequenos negócios, tem um custo alto. Construir uma rede de apoio intencional não é sobre depender dos outros. É sobre reconhecer que nenhum negócio existe no vácuo. Ele existe dentro de um bairro, de uma comunidade, de um conjunto de relações. E quanto mais saudáveis forem essas relações, mais sólida tende a ser a base do negócio. O que é uma rede intencional? Não é seguir perfil nas redes sociais nem trocar cartão em evento. Rede intencional é quando você decide, com propósito, cultivar relações com outros empreendedores, fornecedores, clientes e parceiros. Pessoas que estão no mesmo território que você e onde o crescimento de uma parte pode impulsionar o crescimento de outra. A diferença entre uma rede casual e uma rede intencional está na atitude. Na rede casual, as coisas acontecem por acaso: você conhece alguém, eventualmente aparece uma oportunidade. Na rede intencional, você age ativamente: busca conexões, propõe trocas, mantém contato, aparece quando não está precisando de nada. O SEBRAE aponta que mais da metade dos pequenos negócios no Brasil fecha antes de completar 5 anos. O isolamento do empreendedor aparece entre os principais motivos, junto com dificuldades de gestão financeira e falta de planejamento. Uma rede ativa ajuda nos três pontos: você aprende com quem já errou, divide os custos de algumas decisões e tem com quem pensar antes de agir. Colaborar em vez de competir Existe um reflexo muito comum em quem empreende: enxergar qualquer negócio próximo como concorrência. Mas a realidade é que a maioria dos negócios de um mesmo território atende públicos que se cruzam sem se sobrepor. Uma loja de roupas e um salão de beleza. Uma gráfica e um buffet. Um instrutor de academia e uma nutricionista. Esses negócios compartilham clientes, mas não disputam os mesmos reais. Quando eles se conectam, trocam indicações, fazem promoções juntas e compram insumos em conjunto, todos ganham. Esse modelo de colaboração entre pequenos negócios locais não é novidade. É o que sustenta feiras, mercados de bairro e redes de produtores há décadas. O que muda agora é a possibilidade de fazer isso de forma mais organizada e deliberada, com encontros regulares, acordos claros e objetivos compartilhados. O músico e produtor Emicida, que construiu sua trajetória dentro de uma lógica de colaboração com outros criadores, resume bem essa ideia: "Sozinho eu não teria chegado a lugar nenhum. A galera ao redor é que me fez." Emicida O ambiente ao redor do empreendedor, as pessoas, os parceiros, os clientes fiéis, é parte do que constrói um negócio que dura. O que uma rede pode fazer na prática? Quando bem cultivada, uma rede de apoio entre empreendedores locais pode gerar resultados concretos em várias frentes: Mais clientes: indicações entre negócios parceiros chegam com mais confiança do que qualquer anúncio pago. Um cliente que vem por recomendação já chega com a guarda baixa. Redução de custos: compras coletivas de insumos, embalagens ou serviços permitem negociar melhores condições com fornecedores, algo que sozinho seria difícil de conseguir. Aprendizado: conversar com outros empreendedores sobre erros e acertos acelera o processo de maturidade do negócio. Você aprende sem precisar pagar o preço do erro. Acesso a oportunidades: editais, programas de apoio e parcerias chegam com mais frequência por contato do que por busca ativa. Estar bem conectado amplia o radar. Por onde começar? Não precisa de nada complexo para dar o primeiro passo. Algumas ações simples já mudam a dinâmica: Mapeie negócios próximos que complementam o seu e proponha trocas simples: uma indicação, uma parceria pontual, uma compra conjunta. Compre local antes de buscar fora. Além de fortalecer quem está perto, você cria laços que tendem a voltar na forma de indicação e parceria. Indique sem esperar retorno imediato. Quem gera valor primeiro colhe depois e constrói reputação no processo. Participe de encontros de empreendedores do seu território, sejam os da prefeitura, de ONGs como a Aventura de Construir, ou um grupo informal que você mesmo organiza. Rede não se constrói de uma vez. Se constrói aparecendo, contribuindo e sendo consistente. O retorno raramente é imediato, mas quando vem, costuma vir de onde você menos espera. Com o tempo, você percebe que não está só vendendo. Está enraizado. E um negócio com raízes resiste muito mais do que um negócio que depende só de si mesmo. Quem do seu entorno você ainda não chamou pra conversar?

  • Simplificar para crescer: o caminho para impacto e competitividade

    Por Sara Mendes Empreender na periferia vai muito além da vontade de fazer acontecer. É um exercício diário de adaptação, leitura de cenário e tomada de decisão. Em um cenário cheio de ferramentas, tendências e promessas de crescimento rápido, a dúvida é comum: como evoluir, vender mais e se destacar sem se perder? A resposta pode estar em um movimento menos óbvio, e muitas vezes ignorado: simplificar. Como bem descreve Barry Schwartz ao analisar o comportamento de escolha, o excesso de caminhos, processos e informações dificulta a gestão do negócio e impacta diretamente o cliente. Quando tudo parece complexo, a decisão tende a ir para quem é mais fácil de entender, mais rápido de acessar e mais claro na entrega. Simplificar, nesse sentido, não é reduzir, mas organizar para gerar resultado. Conforme estudos da McKinsey & Company,quando há clareza sobre o que vender, para quem vender e como vender, as decisões ficam mais rápidas e o posicionamento mais forte, podendo aumentar as margens de lucro em 8%. Além disso, uma comunicação simples reduz dúvidas e acelera a compra. De acordo com Princípio da Facilidade Cognitiva, se o cliente entende rapidamente o que você oferece e como funciona, o caminho até a venda se encurta. Na prática, simplificar passa por três pontos principais: Direção:  entender onde o negócio quer chegar e qual é o seu diferencial hoje, seja preço, agilidade, proximidade ou qualidade. A partir disso, fica mais fácil priorizar esforços e evitar dispersão. Sentido:  a forma como o negócio se comunica. Informações básicas como produto, preço, prazo e forma de compra precisam estar claras. Se o cliente precisa perguntar muito para entender, há um sinal de ajuste. Falando sobre o poder das narrativas, a Forbes aponta que mensagens reais e simples são as que mais geram conexão e lembrança. Método:  é o que sustenta essa organização no dia a dia. Alinhado à Teoria da Mudança, ter uma proposta clara, conseguir explicar o seu valor em uma única frase, já melhora a comunicação. Reduzir o número de produtos ou serviços para focar nos que realmente vendem facilita a operação e a escolha do cliente. Além disso, organizar o atendimento gera ganho direto. Criar um fluxo simples, com etapas definidas, usar mensagens prontas para dúvidas frequentes e manter um catálogo com informações completas reduz retrabalho e melhora a experiência. O Global Brand Simplicity Index destaca que negócios que facilitam a jornada do usuário são mais recomendados e geram maior fidelidade.  O cliente precisa saber qual é o próximo passo, sem esforço. Centralizar informações, manter uma linguagem direta e simplificar o pagamento são ajustes práticos que evitam confusão e aumentam a confiança.  Por onde começar? O primeiro passo é olhar para a rotina e identificar o que consome tempo, mas não traz retorno. Em seguida, definir um foco claro, melhorar o atendimento, organizar a comunicação ou aumentar a venda de um produto específico, ajuda a direcionar as ações. Ouvir o cliente é essencial. Exercitar as práticas da Comunicação Não violenta pode ajudar, as dúvidas recorrentes e os pontos de dificuldade mostram exatamente onde o negócio precisa ser ajustado. Simplificar, muitas vezes, é responder melhor ao que já está acontecendo na prática. Por fim, coerência. Um negócio simples é aquele que cumpre o que promete, sem ruído. A competitividade hoje não está em parecer maior, mas em ser claro, acessível e confiável. Negócios que facilitam a experiência do cliente se destacam.

  • Competitividade na quebrada em 2026: como inovar, vender e virar referência

    Por Sara Mendes Edição: Paula Aguiar Barros   Todos os anos os empreendedores se perguntam “como posso ser mais competitivo, vender e lucrar mais? O texto de hoje traz algumas ideias baseadas nos conceitos da comunicação e relações públicas.   Ser autêntico A transformação digital é uma realidade dos pequenos negócios. A tecnologia está mais acessível e é usado por todos, mas o grande diferencial está em como o seu negócio a utiliza. São muitas opções: WhatsApp business, redes sociais, vendas online, entre outros. Será que postar Stories todos os dias é uma saída? A resposta é não. O caminho está em como seu negócio trabalha o conteúdo e a grande sacada está em “ser real, ser humano”.   A pergunta que deve guiar sua presença no digital não dever “como viralizar?” e sim   “como virar referência na sua quebrada?”   O primeiro passo é escolher um canal principal para concentrar essa conversa. O WhatsApp Business, por exemplo, pode organizar catálogo, etiquetas e listas de transmissão. Já o Instagram, pode ser usado com Stories diários e melhores amigos para promoções locais. O importante é manter constância e proximidade. Para dar certo é preciso mostrar bastidores, processos, erros e aprendizados. Esqueça a estética perfeita, as pessoas compram de pessoas e o que acontece no real, no dia a dia, conecta muito mais os clientes do que o “mundo perfeito”. Quando você compartilha seu processo, mostra seu trabalho diário e isso gera mais impacto, conexão e aproximação.   Além disso, aposte na clareza. Descrições simples, objetivas e organizadas ajudam o cliente a entender rapidamente o que você vende, quanto custa e como comprar. Se está fácil de entender, está mais fácil de vender.   Senso de Comunidade A comunicação e o relacionamento com pequenos grupos geram muito mais confiança e essa é uma aposta a se fazer. Dados nos mostram que negócios que mais crescem não são os que falam de forma genérica, mas sim os que constroem micro comunidades fortes, baseadas em pertencimento, autenticidade e troca real. Ou seja, pequenos negócios precisam construir uma base fiel de clientes, vizinhos e parceiros do bairro. Aqui vale criar um grupo no WhatsApp, uma lista de transmissão ou definir os “melhores amigos” no Instagram. O objetivo não é ter números altos, mas selecionar as pessoas que compram, indicam e voltam. Para isso, é fundamental você saiba quem consome seu produto ou serviço. Quanto menor o grupo que você criar, mais conectado ele será ao seu negócio. Com esse grupo estabelecido passe a fazer uma comunicação autêntica, ofereça ofertas enxutas, bem explicada, e produza conteúdo de conexão, não apenas promoção. Criar micro comunidades é fortalecer a economia local, gerar renda com propósito e transformar clientes em parceiros de jornada. A potência da periferia não é tendência, é uma realidade e que tal começar a construir essa ponte?

  • 2 horas por semana para mudar 2 vidas: participe do Voluntariado 2026 da Aventura de Construir

    Você já pensou no impacto que duas horas por semana  podem gerar? A Aventura de Construir convida você para a Reunião de Apresentação do Voluntariado 2026 , um encontro online para quem deseja transformar realidades e fortalecer pequenos negócios de periferia. Estamos em busca de 35 voluntários(as)  dispostos a caminhar ao lado de microempreendedores acompanhados pela organização, compartilhando conhecimentos, escuta e incentivo. Quando será? Quarta-feira, 11 de março 18h30 às 19h30 Online (Zoom) O que você vai encontrar nesse encontro? Mais do que explicar como funciona o voluntariado, queremos mostrar o que ele constrói na prática . Você vai conhecer: Depoimentos de voluntários que descobriram novas formas de enxergar o mundo (e a si mesmos); Histórias de beneficiários que ganharam confiança, organização e novas perspectivas para seus negócios; O passo a passo para fazer parte do time em 2026. O voluntariado na Aventura de Construir é feito de vínculos, trocas e aprendizados mútuos. São histórias que ganham novos rumos, conexões que nascem no caminho e mudanças que começam em gestos simples, mas seguem fazendo diferença todos os dias. Por que participar? Porque transformar a realidade de alguém também transforma a sua. Porque apoiar um microempreendedor é fortalecer uma família e uma comunidade inteira. Porque você não precisa de muito tempo para gerar grande impacto. Se você acredita no poder do desenvolvimento local, da autonomia e da colaboração, este convite é para você. Acesse o link e saiba como participar: clique aqui Participe da reunião, tire suas dúvidas e descubra como suas habilidades podem contribuir para construir oportunidades em 2026. 💛 Venha voluntariar em nosso time. Duas horas por semana podem mudar duas vidas, inclusive a sua.

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