Iniciativas de Inclusão Produtiva: Protagonistas da sua própria história
- Comunicacao Aventura de Construir
- 12 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2025

Por Ana Luiza Mahlmeister
Vivianne Naigeborin tem uma longa trajetória na criação e fortalecimento de iniciativas de impacto social. Atualmente é superintendente da Fundação Arymax, que atua na inclusão produtiva de pessoas vulneráveis no mundo do trabalho e prioriza iniciativas que vão além do empreendedorismo. Nessa conversa com o Blog ESG, da Aventura de Construir, Vivianne nos conta um pouco dessa história e sua motivação: a geração de trabalho e renda é a melhor porta de saída da pobreza.
“Dar oportunidade às pessoas escolherem melhor seus caminhos e terem uma vida digna é uma das causas mais urgentes no combate às desigualdades e à pobreza”, reforça Vivianne.
Nessa lógica, as soluções para os grandes desafios sociais nascem nos próprios territórios e não de criações externas. O “aprendizado com a periferia” precede à “ajuda à periferia”. O território não precisa de porta-vozes, ou seja, os moradores detêm o conhecimento, tem suas próprias exigências, entendem seus desafios, o que funciona melhor e quais os caminhos para a geração de trabalho e renda.
“Qualquer solução de inclusão produtiva deve partir dos saberes periféricos com as pessoas que moram nesses espaços”, analisa.
Iniciativas filantrópicas e o investimento social privado podem potencializar esse protagonismo sem reproduzir lógicas assistencialistas.
“Hoje temos mais atores sensíveis a esse contexto do que há dez anos”, afirma Vivianne.
Ela destaca a importância da cocriação de soluções, sejam de recursos filantrópicos ou estatais.
“Esse investimento deve ser paciente na espera dos resultados, levando em conta o ritmo e os saberes da periferia”, destaca Vivianne.
A criação conjunta de soluções passa pelo diálogo entre sociedade civil, poder público e iniciativa privada, propondo caminhos para programas privados e políticas públicas baseadas em experiências concretas, a exemplo da atuação da Aventura de Construir. O maior desafio é mudar a lógica da ação filantrópica e das políticas públicas no desenho e implementação das iniciativas. Para Vivianne, programas criados em conjunto com os atores alvo das ações potencializa resultados.
“A intersetorialidade é fundamental para criar espaços permanentes de confiança e troca de experiências para o desenvolvimento das políticas”, afirma.
Muito desse trabalho acontece de forma isolada, em programas de filantropia dentro de gabinetes públicos e dentro de empresas, sem escuta externa.
“É importante criar espaços de confiança em que os atores possam trabalhar juntos”, destaca Vivianne.
Nesse cenário as empresas podem atuar de maneira mais estratégica, indo além da responsabilidade social, para apoiar a inclusão produtiva e o desenvolvimento territorial sustentável. O primeiro passo é entender a importância da formação de pessoas na geração de trabalho e renda, e que essa responsabilidade não é exclusiva do Estado. Por isso a importância de a empresa ser um espaço de aprendizado, dando oportunidades de formação e desenvolvimento de competências técnicas e socioemocionais.
“É papel das empresas serem mais diversas e acolhedoras abrindo espaços de aprendizagem e oportunidades”, afirma Vivianne.
Mulheres, jovens e populações racializadas são os grupos mais sub representados no mercado de trabalho, e os que encontram mais desafios para gerar renda, por isso a importância das políticas de inclusão. As mulheres, por exemplo, são as grandes responsáveis pelo cuidado do lar, doentes e crianças.
“As políticas públicas podem apoiá-las para que possam sair para trabalhar de forma tranquila, com creches para deixar as crianças e centros de convivência para encaminhar idosos, além de oferecer oportunidades de trabalhar mais próximo de suas casas, para não perder tempo com deslocamentos”, aponta Vivianne.
A importância das políticas de diversidade nas empresas, segundo Vivianne, corrige erros históricos e equaliza o mercado de trabalho. Outro grupo que deve ser priorizado é a população jovem, para que tenham mais oportunidades para entrar no mundo do trabalho a partir de uma formação mais adequada.
Na opinião de Vivianne, hoje as empresas são mais conscientes da importância da saúde mental e bem-estar dos colaboradores para diminuir a rotatividade e contar com pessoas engajadas e produtivas.
“Cuidar da pessoa é condição para cuidar do negócio", afirma Vivianne.
Sobre o papel do Ministério do Empreendedorismo para aproximar experiências, Vivianne reforça a importância de abrir espaço para que se ouça o que as pessoas da periferia têm a dizer, seus principais desafios, entre eles o acesso a crédito personalizado e a linhas de conexão com o mercado, por exemplo, por meio de programas de inclusão nas compras públicas. Outra iniciativa importante é o desenvolvimento de gestores públicos capazes de alavancar o potencial dos empreendedores.
“O Brasil sabe o potencial da periferia, da criatividade, talento e vontade de trabalhar no desenvolvimento do país, por isso a importância da resposta de todos nós para construir caminhos para que isso aconteça”, destaca.
Houve avanços nas políticas públicas e privadas no apoio aos empreendedores e isso gerou mais protagonismo.
“Vemos uma grande evolução, com empreendedores periféricos liderando conversas, mas existe ainda um grande caminho a percorrer para que o diálogo entre as diversas áreas funcione melhor”, diz Vivianne.
Ela reforça a importância de espaços de diálogo que unam gestores públicos e privados, público externo, terceiro setor e universidades para troca de experiências, acesso a pesquisas e acompanhamentos de programas, a exemplo de um Núcleo de Inclusão Produtiva, criado no Insper, em São Paulo.
“O núcleo reúne atores que atuam no tema e promove encontros que são importantes para refinar estratégias, ampliar o networking, conhecer pessoas e ideias, aperfeiçoar projetos de inclusão produtiva de pessoas em vulnerabilidade econômica, seja por meio do empreendedorismo ou do emprego em áreas urbanas ou rurais”, completa Vivianne.
acompanhamentos de programas, a exemplo de um Núcleo de Inclusão Produtiva, criado no Insper, em São Paulo.


