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Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Os aprendizados da pandemia para a metodologia da Aventura de Construir

há 11 minutos
3 min de leitura

No novo artigo da série Raízes que Constroem, retomamos os aprendizados que a pandemia deixou para a Aventura de Construir. Mais do que adaptar atividades e desenvolver novas ferramentas, a organização precisou encontrar maneiras de preservar a proximidade com os microempreendedores em um contexto de distanciamento. Para Silvia Caironi, fundadora da AdC, esse período reforçou uma convicção que acompanha a trajetória da organização: a transformação acontece quando o apoio aos negócios também contribui para o desenvolvimento integral das pessoas.


A equipe continuou fazendo diferença na vida de muitos empreendedores. Silvia lembra particularmente de um fato que a comoveu muito. Raquel repassou uma mensagem do empreendedor Carlos Raposo, da Zona Oeste, que, internado na UTI, lembrou que, por meio da convivência com as pessoas da AdC, havia aprendido que na vida precisava lutar e ser protagonista. Ele se deu conta de que poderia sobreviver mesmo diante daquele acontecimento extremo.


“Essa é a transformação que a AdC é chamada a fazer: uma pessoa que esteve em um momento limítrofe e se lembrou de nós para lhe dar forças e lutar. Isso nos relembra a importância dos ensinamentos das assessorias e da metodologia; mostra que os empreendedores levam isso para suas vidas, deixando clara a formação humana integral, o pilar do nosso trabalho”, afirma Silvia.

A passagem do presencial para o online também revelou que muitos aspectos do relacionamento com os empreendedores, antes considerados naturais, precisavam ser trabalhados de maneira mais intencional.


“O tema da formação humana integral começou a ser algo mais formalizado juntamente com o uso da tecnologia e os tutoriais. O acompanhamento online precisava reforçar a geração deste vínculo”, diz Silvia.

A adaptação exigiu flexibilidade e disposição para rever práticas. Silvia destaca a gratidão às pessoas que trabalharam na AdC naquele período, pela abertura para repensar o que não funcionava e mudar quando necessário. As reuniões semanais se tornaram espaços para discutir as situações que surgiam e encontrar, em equipe, novas formas de agir.


Foi também nesse contexto que a organização começou a trabalhar com Mayara na produção de publicações sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Em 2021, a AdC retomou o contato com a Inter-American Foundation e estabeleceu parcerias com a Missão Paz e a Casa Venezuela. Uma reunião on-line reuniu representantes das organizações, que conversaram em diferentes idiomas. O encontro resultou na aprovação de um projeto para 2022.


A experiência também evidenciou a capacidade dos próprios empreendedores de mobilizar recursos e apoiar suas famílias. Silvia recorda a trajetória de Vagner, policial aposentado que se tornou empreendedor após a aposentadoria e passou a produzir facas artesanais. Ao aprender a classificar e divulgar seus produtos, ele conquistou novos clientes e chegou a exportar facas personalizadas.


Outra aproximação importante foi com a Catálise Social, por meio de Vinicius Picanço, professor do Insper. Em dezembro de 2019, ele havia visitado alguns empreendedores e sugerido uma colaboração mais próxima entre as organizações, com a participação voluntária de estudantes. Mais tarde, a Catálise Social apoiou o relatório de sistematização do Projeto AIPÊ, em 2025.


A preocupação em compreender os resultados do trabalho também ganhou força nesse período. Um estudo comparou empreendedores acompanhados pela AdC com outros selecionados aleatoriamente. Para Silvia, a análise mostrou diferenças relevantes entre os grupos e evidenciou a qualidade dos negócios acompanhados pela organização. Os resultados foram apresentados ao Conselho Consultivo em agosto de 2021, quando a AdC começava a celebrar seus dez anos de atuação.


Ao olhar para o legado da pandemia, Silvia destaca o aprendizado com as ferramentas digitais e a capacidade de adaptação da equipe, que conseguiu manter a eficiência em um ambiente de trabalho inteiramente novo. Mas a experiência deixou uma lição que vai além da tecnologia: acompanhar um empreendedor significa construir uma relação de confiança, reconhecer sua realidade e fortalecer sua autonomia para enfrentar desafios.


A história da Aventura de Construir é feita de mudanças, parcerias e aprendizados, mas também de princípios que permanecem. Partir da realidade, colocar a pessoa no centro e construir pontes entre empreendedores, organizações, universidades e empresas são elementos que atravessam sua trajetória. Ao completar 15 anos, a AdC reconhece nessa experiência a força de uma metodologia construída na prática, a partir dos encontros e das necessidades concretas dos territórios.


Esta foi mais uma etapa da série Raízes que Constroem, que revisita os caminhos percorridos pela Aventura de Construir e as pessoas que fizeram parte dessa história. Uma trajetória que continua a se transformar, mantendo o compromisso de apoiar o crescimento pessoal e a transformação socioeconômica. Afinal, construir futuros é um trabalho coletivo.


 
 
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