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Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - As iniciativas que fortaleceram os empreendedores durante a pandemia

há 4 horas
4 min de leitura

Neste novo capítulo da série Raízes que Constroem, que conta a história da Aventura de Construir desde a sua fundação até completar 15 anos de história, voltamos à pandemia de COVID-19 e como foi fundamental a adaptação no trabalho da organização. 


Como transformar uma crise em novas possibilidades de atuação? Para a AdC, a resposta passou pela criação de parcerias, pela mobilização de recursos e pelo desenvolvimento de iniciativas capazes de responder às necessidades concretas dos microempreendedores. Durante a pandemia, a organização ampliou suas formas de apoio, aproximou diferentes atores e experimentou novos caminhos para fortalecer os negócios, sem perder de vista seu compromisso com o protagonismo das pessoas e o desenvolvimento dos territórios.


Uma iniciativa importante nessa época foi a criação do Fundo Patrimonial da Aventura de Construir, iniciativa que chamou a atenção da mídia e diversos apoios.


Também neste período a AdC fez uma parceria com o Banco de Alimentos para a distribuição de cestas básicas para os empreendedores.


“Nosso método não é assistencialismo, mas o desenvolvimento de protagonistas dentro dos territórios. Por isso pedimos ao Banco de Alimentos a distribuição de vouchers para usar nos mercadinhos das periferias, com a distribuição de mais de 500 no valor de R$ 100, e que foi um importante apoio no período, além de estreitar contato com os empreendedores e suas famílias”, destaca Silvia.

Essa distribuição engendrou novas possibilidades de conhecer as famílias dos bairros, principalmente as mais carentes. Por meio desse networking, muitos encontraram trabalho.


“O método da AdC ficou claro: partir da realidade e da centralidade da pessoa, formação de pontes, e formação da pessoa humana integral e era ainda mais evidente que partíamos da realidade”, aponta Silvia.

O Instituto de Cidadania Empresarial, organização do terceiro setor, procurou a AdC para desenvolver programas em conjunto por serem os pioneiros no trabalho on-line com os empreendedores. Em julho de 2020 iniciou-se um novo programa chamado Crescendo em Rede com microempreendedores de impacto.


“Um dos pontos focais do projeto foi o trabalho com empreendedores de todo o Brasil: o fato de ser on-line facilitou essa proposta, unindo pessoas da Amazônia e até do Peru. Todos se deram conta que o crescimento acontece em rede e não como competidores. Uma organização como a nossa tem uma responsabilidade com esse crescimento que acontece em rede”, explica Silvia.

Esse programa contou com avaliadores de peso como Mariana Almeida, superintendente da Fundação Tide Setúbal, Edgard Barki, diretor do Centro de Empreendedorismo da Fundação Getúlio Vargas, e Vivianne Naigeborin, superintendente da Fundação Arymax, entre outros. Essa avaliação foi fundamental para a distribuição do capital semente para dez empreendimentos, que variou de R$ 3,5 mil a R$ 10 mil conforme o plano de negócio de impacto social.


“Foi um momento muito relevante para a organização da AdC porque não é fácil contar com pessoas deste nível na avaliação dos negócios dos empreendedores”, aponta Silvia.

Franklin, professor titular da Universidade Federal de Manaus (AM) e coordenador do curso de Administração Pública, que ministra cursos on-line para 150 alunos, diz que a AdC propiciou um aprendizado que traz até hoje. Recém-contratado pela AdC quando começou a pandemia, conta como viveu esse período:


“Trabalhei um mês de forma presencial, e depois fomos para casa. Silvia foi atenciosa quanto ao momento que vivíamos, em relação à nossa saúde e como fazer as consultorias com os empreendedores de forma on-line. Era difícil acompanhar as finanças e os negócios de forma virtual. Aos poucos os empreendedores foram aderindo e nós fomos aperfeiçoando as atividades. Muitos avaliaram fechar seus negócios e a parceria com o Banco de Alimentos, financiado pelo Carrefour, foi fundamental. Um exemplo bem impactante, foi de uma empreendedora que tinha um faturamento de R$ 1 mil e ficou em uma situação difícil por não pagar o aluguel. Nós acionamos a área jurídica da AdC para que não fosse despejada e tudo isso gerou uma proximidade maior com ela e muitos outros a partir da entrega das cestas básicas e vouchers”, completa Franklin.

Ele lembra que um empreendedor os procurou para fazer um plano de negócios.


“Por meio da assessorias on-line, acionamos empreendedores voluntários, inclusive de outros estados, para nos ajudar, pois não tínhamos especialistas nessa área”, diz Franklin.

Com esse trabalho conjunto, o plano de negócios de uma empresa de esquadrias de janelas foi finalizado com projeção de investimentos e orientações para três anos. No primeiro ano a empresa alcançou retorno acima do esperado, fechando um contrato de R$ 3 milhões.


“Hoje essa empresa funciona com 27 funcionários, e o empreendedor entrou em contato várias vezes conosco para agradecer por tudo que fizemos”, diz Franklin.

As iniciativas daquele período mostraram que o apoio aos empreendedores poderia ir além das assessorias e capacitações tradicionais, conectando pessoas, organizações e recursos em torno de objetivos comuns. Mas a experiência também trouxe uma reflexão fundamental: como preservar, no ambiente virtual, a proximidade e a confiança que fazem parte do acompanhamento oferecido pela AdC? Essa questão nos leva ao próximo capítulo, dedicado aos aprendizados que a pandemia deixou para a metodologia da organização e à importância da formação humana integral em seu trabalho.


 
 
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