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O fortalecimento no protagonismo da mulher empreendedora

Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a Aventura de Construir traz para o Blog AdC uma conversa sobre empreendedorismo feminino, informalidade e redes de apoio com Lilian Zimmermann, coordenadora do projeto “Vi a Mão de Empreendedoras: Germinando na Periferia de São Paulo”.

Confira abaixo!

Entre os 52 milhões de empreendedores do Brasil, 30 milhões (48%) são mulheres, segundo dados do Global Entrepreneurship Monitor 2020 (GEM), principal pesquisa sobre empreendedorismo do mundo, feita em parceria com o Sebrae.

Elas representam a grande maioria no crescimento de empreendedorismo por necessidade que, muitas vezes, permanecem na informalidade. De acordo com a pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), também em parceria com o Sebrae, 61% das mulheres empreendedoras vivem no trabalho informal. Esse número está ligado a uma das principais dificuldades na hora de se criar um empreendimento: o de se enxergar como empreendedora.

Para a maioria das mulheres, a criação de um negócio surge na necessidade de auxiliar nas despesas de casa, ou ainda, enfrentá-las sozinhas. Nesse sentido, a identidade como empreendedora fica sobreposta pela identidade de provedora da casa, no quesito financeiro, doméstico, maternal e etc.

Visando o fortalecimento pessoal e as habilidades empreendedoras, surgem projetos como “Vi a Mão de Empreendedoras: Germinando na Periferia de São Paulo”, realizado pela Aventura de Construir em parceria com a Prefeitura de São Paulo.

De acordo com Lilian Zimmermann, consultora da AdC e coordenadora do projeto, incentivos como esse são importantes “porque querendo ou não, culturalmente, a mulher já tem isso de ‘dar conta de tudo’ e fazem esses negócios informalmente para gerar uma renda extra, mesmo que trabalhem fora. Elas precisam gerar uma renda extra para pagar as contas ao final do mês”.

“Muitas são mães solos, então dificulta muito mais o fortalecimento do empreendedorismo na visão dessas mulheres. E esse passo é importante porque elas conseguem se fortalecer, organizar e crescer. Quando a gente fala do crescer é para que elas tenham o básico: o negócio se gerir, o negócio se pagar e gerar uma renda para elas, porque a maioria não tira um salário para si, um pró-labore, a maioria não faz isso. Elas veem o que vai entrando e vão pagando o que dá, vão levando assim. Então nesse sentido do empreendedorismo, é muito potente que elas consigam enxergar que podem ter uma renda extra e que podem levar os empreendimentos delas como negócios paralelos de uma forma mais rentável.”

Além da capacitação das habilidades técnicas, o projeto também visa a criação de uma rede de apoio e parcerias para o fortalecimento dessa cultura de empoderamento feminino a partir do empreendedorismo. Esse diferencial é relevante pois muitas empreendedoras realizam diversos cursos on-line e não colocam os aprendizados em prática. Para Lilian, “90% do esforço é para levar isso para vida. Se não consegue aplicar no negócio, tenta multiplicar essa informação quando estiver em uma roda de conversa com mulheres. Fala sobre isso e, às vezes, essa vivência, essa troca de experiência é o que vai gerar uma mudança no negócio, até sem perceber. Nenhum conteúdo que a gente aprende é em vão. Se não colocar em prática naquele momento, pode-se levar como conceito para alguém multiplicar e aí nasce esse empoderamento, nasce essa visão de querer que as mulheres se fortaleçam, saibam se enxergar como empreendedoras”.

Silvia Alonso, empreendedora na área de saboaria artesanal e participante do projeto, afirma: “Nós vemos um grande aumento na oferta de empreendedoras femininas, porém ainda vemos algumas restrições. Então fazer parte dessas ações agrega muito valor ao trabalho e graças a esse tipo de incentivo ao trabalho feminino, que o nosso trabalho vem sendo mais valorizado”.

Fortalecer a visão da mulher empreendedora gera uma transformação não só na pessoa, mas em todo o seu entorno. Porque geralmente ela é o ponto de referência de muitas famílias, principalmente nas periferias, e as ações potencializadoras influenciam nas perspectivas das pessoas ao redor, seja em casa ou na comunidade.

Para as mulheres que querem empreender, Lilian deixa duas dicas: “primeiro é se conhecer. Quando a gente se conhece, quando a gente sabe as nossas potencialidades e os nossos limites, a gente consegue fazer um desenho do que é possível. Ao mesmo tempo, tem que ter uma ousadia, tem que ter um tentar. Nós somos feitos, desde que nascemos, de erros e acertos. Se tu não cair, tu não aprende a ficar de pé”.

“Então, nesse sentido, a gente tem que tentar dar sempre um passinho um pouquinho maior do que a perna, mas tendo a resiliência de entender o que o outro precisa, porque empreender nasce da necessidade de alguém. Quando você empreende, tanto fornecendo um produto ou um serviço, é para suprir a necessidade de alguém, e não o que eu quero. Então é o se conhecer para também trabalhar com o que gosta mas entendendo a necessidade do seu mercado.”

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