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Empreendedorismo feminino: as mulheres partem do mesmo lugar?



Nesta jornada de sustentabilidade iremos contar a história de duas empreendedoras que fizeram parte do projeto Lamberti Acelera. Este projeto, realizado ao longo do ano de 2023, teve o objetivo de acelerar negócios existentes através de estratégias, ferramentas e tecnologias que alavancassem o desenvolvimento dos empreendimentos, culminando na entrega de um Plano de Negócio robusto de cada empreendedora.


A Aventura de Construir (AdC) realiza seus projetos levando em consideração os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) determinados pela ONU. Ademais, o mês de março é conhecido internacionalmente como o mês da mulher e, por conta disso, optamos por contar histórias de duas mulheres que inspiram suas comunidades locais, parceiros de projetos e nós, da AdC.

Vale ressaltar que ambas foram premiadas com um capital semente no ano passado, após terem seus planos de negócio escolhidos como 2 dos 3 melhores projetos realizados pela turma do projeto Lamberti Acelera.



Ligia Marta



Lígia, 58 anos, mulher preta e mãe de três filhos, começou a empreender por necessidade após ser demitida da empresa que trabalhou por 11 anos. Depois de realizar pesquisas e reflexões, optou por fazer um negócio sobre algo que ela sentia necessidade e partindo da problemática de que não se via representada em grandes lojas: a pouca representatividade da cultura negra. Assim, criou o “Mundo Negro Afro”, que produz peças de roupas para a moda afro com o intuito de renovar a arte negra. 


A empreendedora começou com um maquinário doado e aprendendo a tecer e costurar tecidos de forma autônoma, na base de tentativa e erro. Com todo seu conhecimento, talento e apoio da AdC, conseguiu se profissionalizar no ramo e está tomando novos passos em seu negócio.










Vanderly Loureiro



Vanderly, mulher preta e mãe de um filho PCD, foi criada em uma família que sempre foi muito ligada à música e à moda. Por conta disso, sempre gostou de criar e desenhar, inclusive fazendo, enquanto criança, suas bonecas com retalhos dos materiais que a mãe utilizava para costurar. Depois de realizar cursos e graduação de moda, fez pós-graduação em audiovisual, cultura e criação e MBA em Empreendedorismo Social e Negócios de Impacto.


Foi em meio a estudos, pesquisas e trabalhos que resolveu criar seu próprio negócio, da sua maneira, com sua filosofia: “À la van”, voltado à moda feita com material reciclável, peças de roupas dispensadas, elementos de reuso ou que foram considerados de vida útil finalizada. Ela tem o intuito de aproveitar diversos materiais que são descartados no dia-a-dia e trazer a importância da conscientização ambiental.




Histórias que se cruzam


As histórias das duas empreendedoras cruzam-se dentro da AdC, após ambas se depararem com o projeto através de conhecidas e amigas. Nós entramos em contato para apresentar o escopo do projeto e iniciou-se, aí, uma grande jornada a nível pessoal e profissional.





A Aventura de Construir possui um método próprio desenvolvido a partir de anos de experiência atuando com a causa do empreendedorismo periférico, co-construindo o aprendizado em conjunto com os próprios empreendedores. Nós acreditamos que é possível promover o desenvolvimento territorial inclusivo por meio do apoio oferecido a microempreendedoras da periferia. Isso, no entanto, só é possível partindo da realidade e contexto de cada pessoa, impulsionando o protagonismo, realizando um acompanhamento próximo e incentivando o trabalho em rede, para termos, de fato, uma formação humana integral.



Logo, nossos projetos vão muito além de capacitações, ferramentas e dinâmicas. Entendemos que uma empreendedora confiante e segura é a melhor pessoa para tomar as decisões de seu negócio de forma autônoma, pois é a que melhor sabe objetivos e aonde quer chegar.


Neste sentido, as duas entrevistadas trouxeram falas que mostram o impacto deste método e a importância de olharmos para a pessoa, para o ser humano. “Eu engatinhava e vocês me ensinaram a correr”, disse Lígia. “É importante acreditar que alguém acredita em nós, na gente”, disse Vanderly. 


As duas empreendedoras trouxeram exemplos práticos dos ganhos após realização das capacitações e do projeto, como a profissionalização do negócio, a possibilidade de expandi-los de forma estruturada, a importância de colocar as ideias no papel (Plano de Negócios), o aumento da organização em outras frentes da vida com a formalização do planejamento e a abertura de oportunidades.


Dificuldades 


Para além dos problemas práticos já citados ao longo do texto, como: começar a empreender por necessidade, o excesso de tarefas por terem começado sozinhas, a falta de disponibilidade para cuidar da família e a falta de tempo para estudar e tocar um negócio, existem dificuldades estruturais que permeiam a trajetória de ambas.



Sabemos que vivemos em um país com questões relacionadas ao machismo e ao racismo - onde micro agressões e repressões dificultam ainda mais o crescimento e desenvolvimento de negócios de mulheres pardas e pretas. Para além do negócio em si, a questão psicológica é fundamental de ser levada em consideração, pois além de impactar o ser humano, tais situações podem gerar dificuldades de confiança e na tomada de decisões de forma autônoma.


Ao conversar com a Lígia e a Vanderly, fica claro como elas tiveram que desenvolver uma imensa resiliência ao longo de toda vida para chegarem onde estão atualmente. Dentre várias histórias e exemplos mencionados, estão histórias como segurança de lojas olhando de perto, vendedores citando inúmeras vezes o preço duvidando da capacidade de compra delas, lojas onde não eram nem atendidas e pessoas questionando se elas não estariam “sonhando alto demais”.


“Ser uma mulher negra da periferia no Brasil, já é um desafio gigantesco, quem dirá ser uma empreendedora?”... “Desafiador pessoas lhe levarem a sério pela sua competência, ao invés de sua aparência”, disse Vanderly. “Racismo e machismo é estrutural e cultural”... “Tive que aprender a lidar com a situação”, disse Lígia.


Planos Futuros


Lígia e Vanderly preparam-se, neste momento, para dar novos passos em seus negócios, principalmente depois de terem ganho a premiação de capital semente por destaque em seus Planos de Negócios.


A primeira, após ter começado com maquinário doado, conseguiu comprar equipamentos próprios que possibilitaram o aumento da produção de peças de roupa. Em um futuro próximo, Lígia pretende comprar mais uma nova máquina e desenvolver novos produtos como canecas e chinelos com desenhos afro.


Já a segunda conseguiu estruturar o negócio com a premiação, achou uma sócia e, após realizar diversos desfiles (foi destaque no Osasco Fashion Week com um desfile inclusivo), pretende começar a vender mais produtos que permitam a consolidação de sua marca. Em um futuro próximo, pretende acabar de fazer seu site próprio, montar lojas online, colocar produtos em lojas físicas específicas e ter mais duas pessoas trabalhando com ela. Ademais, gostaria de formar pessoas em condições de vulnerabilidade para gerar impacto e retorno, como dar capacitações para mães de crianças PCD.


Trabalho no território



O método da AdC, como citado anteriormente, acredita e incentiva o desenvolvimento territorial por acreditar que o impacto gerado pode ser estrutural - carregado do micro para o macro e ajudando mais pessoas a terem oportunidades e desenvolverem seus próprios negócios.


Ao longo das capacitações e das conversas dos participantes do Lamberti Acelera, tanto a Lígia quanto a Vanderly tiveram a ideia de empreender em conjunto, dado que ambas trabalham com moda e os propósitos têm muita conexão entre si. 


A metodologia de criação de redes de cooperação é vital para o desenvolvimento territorial - geradora de impacto para a sociedade. Nós incentivamos a cooperação de forma sistêmica, e esperamos que mais projetos assim aconteçam para seguirmos gerando impacto em escala nos territórios vulneráveis.


Conclusão 


As dificuldades das microempreendedoras são inúmeras no Brasil, como podemos explorar ao longo do texto. Ao mesmo tempo, como no caso da Lígia e da Vanderly, vemos que mesmo diante de cenários complexos é possível que seus negócios sejam estruturados e acelerados - e que ideias inovadores, de impacto, aconteçam. 


Logo, questiona-se: O que é necessário para que tenhamos uma expansão do investimento em projetos de impacto social? Será que o custo de fornecer oportunidade para as pessoas crescerem é alto? É muito difícil termos um impacto nos territórios? Como podemos agir para não desincentivar negócios de pessoas que sofrem com os preconceitos enraizados em nossa sociedade e como uma escuta atenta e carinhosa pode minimizar tais danos?


São perguntas que devem ser refletidas por todo ecossistema de impacto e que devemos refletir como sociedade brasileira, sobretudo neste mês para que não passe sem gerar uma transformação.


Por fim, seguem trechos dos relatos das empreendedoras sobre o que sentem em relação ao trabalho realizado em conjunto com a AdC e a importância de fomentarmos o setor:


“A AdC representa um passo muito grande para desenterrar grandes, anônimos e invisíveis artistas das comunidades”, disse Lígia. “As vezes acreditar em um ou uma empresária, pode gerar impacto imenso na comunidade, estimula o local”, disse Vanderly.


Apoie a mais Ligias e Vanderlys neste mês de março, investindo na nossa causa!

Apoie o Fundo Patrimonial Aventura e Construir. Já, Devagar e Sempre!


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