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Voluntariado: O agente da transformação - Entrevista com Miriam Vale




O fim do ano é um momento de reflexão sobre o passado e planejamento para o futuro. É o momento de gratidão e acolhimento, que reflete em todos os meses seguintes. Aproveitamos esta ocasião para falar sobre voluntariado e como se doar pode fazer bem para tantas pessoas, e para nós mesmos.


Seguindo este tema, o Blog AdC de hoje conversou com Miriam Vale, doutora em Administração de Empresas, professora na FECAP e no Ibmec-SP e voluntária da Aventura de Construir.


O programa de voluntariado da Aventura de Construir tem como objetivo valorizar as competências e experiências dos voluntários para que seus conhecimentos possam ser compartilhados e colocados a serviço de jovens, microempreendedores e famílias de baixa renda. Saiba mais neste link.


Confira abaixo!


Aventura de Construir: Miriam, nos conte um pouco sobre a tua trajetória profissional e sobre sua formação.


Miriam Vale: Em 2007, me formei em Administração na USP e por meio do Comitê de Cooperação Internacional consegui fazer um período da minha graduação fora do país. Trabalhei um tempo com inteligência de mercado em um empresa de telecomunicações, migrei para o setor logístico na mesma e depois fui para o mercado financeiro. 


Eu venho da periferia, morei com meus pais em São Miguel Paulista. Sou a segunda geração que consegue fazer a graduação, e é super importante e interessante notar que quanto mais evoluímos, principalmente em educação formal, mais conseguimos galgar melhores e maiores espaços.


Trabalhei em diversas áreas em bancos com análise de crédito, tesouraria e comercial, só que faltava alguma coisa na minha vida, olhava para aquele mundo corporativo e não queria ficar lá. 


Iniciei o mestrado em Administração na Fundação Getúlio Vargas e comecei a me envolver muito. Achei o máximo o mestrado, queria estudar e seguir nessa trajetória acadêmica, porém o banco que trabalhava na época queria pagar o meu mestrado em Finanças e Economia. Mesmo assim, eu decidi seguir com o curso que escolhi. 


Não deixei o mercado financeiro, mas fui estudar as organizações do mercado financeiro como instituições. Ainda na FGV concluí meu doutorado, e nessa época ainda fiz intercâmbio na Inglaterra, passei por Harvard e depois retornei ao Brasil. 


Quando retornei comecei a lecionar na FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado) com orientação de trabalho de conclusão de curso, dando algumas disciplinas e trabalhando com a curadoria do acervo histórico da instituição. 


Em 2017, participei de um processo seletivo para ser coordenadora do programa de qualificação de exportação do governo federal oferecido pela Apex Brasil, que é uma agência de fomento à exportação e investimento direto estrangeiro com a proposta de trabalhar com a região de São Paulo. Me pediram para, junto com uma equipe de comércio exterior, qualificar empresas para que elas começassem a ir para o exterior e consequentemente vender para outros países. 


O empresariado brasileiro normalmente quer ficar dentro do país, alegando ser muito grande e que todas as oportunidades estão somente aqui. Nessa época eu e minha equipe começamos a fazer justamente a qualificação dessas empresas que não eram grandes negócios. Ajudamos a montar seus planos de trabalhos e de exportação, o que significava que elas precisam se planejar antes de entrar no mercado externo. Isso foi legal porque ajudamos a mudar os seus negócios e também a visão desses empresários, acompanhar essas empresas me fizeram super bem e queria continuar ali.


Continuei na docência e em 2018 entrei no IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) para lecionar disciplinas de graduação no primeiro semestre. Fiquei um tempo como coordenadora do centro de empreendedorismo e inovação, mas acabei saindo e ficando apenas como docente porque o programa de qualificação requisitava muito da minha atenção.


No fim o programa deu muito certo, cresceu e se fortaleceu, foi aí que me convidaram para expandir a atuação para a região metropolitana de São Paulo e São José dos Campos. A partir desse momento nasceu o primeiro contato com a Aventura de Construir.



AdC: Como foi esse contato e como você se envolveu com o nosso trabalho?


A Silvia falou comigo e pediu para que conversasse com a equipe para ajudar a orientar os empreendedores acompanhados pela AdC sobre o mercado internacional.


Essa questão do voluntariado ficou complexa pois eu tinha que encaixar essa parceria com a Aventura de Construir na agenda de coordenadora do programa de qualificação e exportação, docente no IBMEC, docente na FECAP e mãe de uma menininha de 6 anos (risos), mas foi legal porque eu consegui instruir a Raquel e o Lucas sobre esse tema do mercado externo. 


Disso nasceram várias coisas legais, uma das professoras também do IBMEC e da FECAP qualificou os empresários da Aventura de Construir, nossos técnicos conversaram com os empresários do projeto Lamberti Transforma e uma parceria para o blog da AdC com a FECAP com intermédio do professor Edson Barbeiro.


Então acho que quando pensamos em voluntariado é uma relação legal e interessante que todo mundo ganha no final das contas. Muitas vezes ficamos apenas olhando o nosso trabalho, sem saber de outras coisas que estão acontecendo ao nosso redor. Mas quando rompemos isso, vira uma relação gostosa ao ajudar outras pessoas, se torna um ciclo virtuoso no final das contas.



AdC: Qual o diferencial que você, a partir desse contato conosco, enxergou na AdC e que te convenceu a colaborar conosco?


Miriam: Bom, primeiro que o meu contágio se deu por um colega da minha faculdade, o Rodrigo Araújo, que era o nosso coordenador aqui da unidade da Paulista. Ele já era super envolvido com o tema quando foi fazer intercâmbio voluntário na Índia pelo AEC, e me apresentou o trabalho de vocês. 


É muito bom ver que o conhecimento que foi compartilhado por meio dos projetos da AdC tem sido usado de uma forma boa. Muitos desses empreendedores não têm acesso à educação de ponta, ou não conseguem estar em universidades públicas. E o quanto eles poderiam evoluir seus negócios e evoluir como pessoas a partir desse conhecimento é algo surreal. 


Então eu acho que compartilhar esse conhecimento é uma forma inclusiva de contribuir e de retornar para a sociedade o que obtemos, sem falar do propósito que está super alinhado com o da Aventura de Construir.


Além disso, quem se envolve com voluntariado precisa ter motivação, algo que nos mova. Qual era a minha motivação enquanto estava no mercado financeiro? Um exemplo: Eu estava como gerente de banco e na época realizamos uma operação financeira com uma grande empresa para eles montarem e adquirem diversos equipamentos no porto de Santos. Após todo o processo eu fui visitar essa empresa e subi em um dos grandes guindastes que eles compraram, a minha motivação para continuar com esse trabalho foi ver que a pessoa empregada para operar uma dessas máquinas era uma mulher que recebeu qualificação para trabalhar e estava conseguindo levar o sustento para a sua filha.


Ver aquilo, aquela mudança na vida daquela mulher, não tem preço.


Quando você percebe que consegue modificar a vida das pessoas de uma forma positiva é muito legal. Esse é o propósito da educação. Vocês trabalham com essa educação e eu, no programa de qualificação para exportação, mexo com essa educação, esse foi o casamento de propósitos que aconteceu entre mim e a AdC.



AdC: Você chegou a falar diretamente com alguns empreendedores do projeto Lamberti Transforma,  quais características você destacaria dos beneficiários da AdC como pontos fortes e quais pontos acredita que precisam ser fortalecidos?


A característica principal dos empresários que “dão certo”, que seus negócios vão para frente é a vontade; quando vamos estudar isso temos algumas teorias que falam sobre a questão comportamental, existe a comprovação que a vontade de ir para a frente e fazer acontecer traz resultados positivos para seus negócios. Esse mesmo raciocínio eu uso no programa de qualificação.


Eu vejo que é o mesmo raciocínio de vocês. Perceber aqueles empresários que tem vontade de participar nas capacitações e fazer dar certo. E depois, eu acho que a grande questão para dar certo é o conhecimento. No meu caso, por exemplo, é importante fazer a classificação fiscal do produto dos empresários com quem trabalho para mandar eles para o exterior. É super importante para entender o fluxo de comércio internacional desse produto e outros pontos.


Então eu acho que a falta de conhecimento sobre seus negócios e como administrá-los é um ponto a ser trabalhado. Para eles falta a oportunidade de aprender, mas existe um potencial enorme nessas empresas.



AdC: Miriam, qual a importância do voluntariado na sua visão? Por que compartilhar e colaborar?


Miriam: Eu participo de outros projetos além daqueles com a Aventura de Construir. Por exemplo: todo semestre eu trago o pessoal do Capitalismo Consciente para conversar. Eu acho que nesses movimentos temos uma união de pensamentos, de atitudes e de propósito, em fazer o bem para o outro, e esse bem vai retornar para você. 


Além disso, eu participo de um projeto no meu bairro, no Tatuapé, com uma frente mais assistencialista. É mais difícil a gente mudar a vida das pessoas com assistencialismo, mas já é uma ajuda, um consolo. Arrecadamos alimentos, brinquedos, livros, materiais escolares e outros produtos que eles necessitam. 


Mesmo esse tipo de voluntariado é alguma coisa, é uma ajuda. Outro voluntariado que eu participei foi o Projeto Teia que é super legal. Acontece no Ipiranga e começou com um reforço escolar para as crianças vulneráveis que vivem perto do Parque da Independência. Na pandemia o foco desse projeto se transformou no assistencialismo, em arrecadações, porém agora tivemos a felicidade de poder voltar a auxiliar essas crianças que têm dificuldade na educação. Nós sabemos que além do assistencialismo é necessário também auxiliar na mudança de vida.


Você pode pensar em diversas coisas sobre o voluntariado, mas eu acho que o mais importante de tudo é entendermos que sempre tem alguém do nosso lado tentando ajudar, que não estamos sozinhos nessa iniciativa. Precisamos ter esse pensamento de auxílio não só dentro do voluntariado mas em todos os lugares que estamos. 


Seja você também um voluntário da Aventura de Construir! Saiba como no link: https://www.aventuradeconstruir.org.br/o-que-voce-pode-fazer 


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