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Raízes que Constroem: 15 anos da Aventura - Sustentabilidade, desafios e amadurecimento da metodologia

19 de ago.
4 min de leitura

Na sexta parte da série Raízes que Constroem, voltamos ao período entre 2015 a 2019 da Aventura de Construir. Os entrevistados refletem sobre os desafios da sustentabilidade financeira da organização, os aprendizados construídos ao longo dos anos e o amadurecimento de uma metodologia centrada no desenvolvimento humano integral. Mais do que recordar conquistas, este é um momento de olhar para os princípios que orientaram a AdC e continuam guiando sua atuação. Você pode ler a parte anterior neste link.


A entrevista reuniu Silvia Caironi, fundadora da Aventura de Construir; Rafael Mahfoud Marcoccia, jornalista e professor de Sociologia e Filosofia na FEI e diretor da AdC; Marcelo Turri, engenheiro mecânico pela Poli-USP com MBA Administração de Negócios no Insper e vice-presidente da AdC.


Marcelo Turri aponta os desafios da captação de recursos.


“Apesar de tudo o que foi feito, todas as consultorias estratégicas, táticas, operacionais e o posicionamento externo da AdC, o momento para captação era muito difícil. Vou dar um exemplo: ficamos três meses conversando com uma empresa que produz ovos para nos ajudar como OSCIP. O projeto foi aprovado como incentivado, o que permite às empresas que pagam imposto de renda dediquem até 4% para um projeto homologado na Receita Federal. Conversamos por vários meses. E no final ficamos sabendo que a empresa não pagava imposto porque seu produto faz parte da cesta básica. Pode ter sido um erro não ter tido essa visão no início. Mas independente disso, a captação é sempre um grande desafio.
Falamos muito rapidamente aqui do endowment que é um modelo que acho estratégico e bem pensado, principalmente para as empresas e famílias que querem deixar um legado, contribuindo para um fundo que está começando no Brasil. Entramos em contato com universidades, Fundação Getúlio Vargas, Unesco. Tentamos em todas as frentes. Para mim é um grande desafio, conseguir fazer o que a Silvia faz, que liga para o presidente da empresa e pergunta ‘por que você não financia um projeto nosso?’ Ela avança e chega lá”, completa Marcelo.

Rafael Marcoccia também destaca as dificuldades da captação.


“Há pouco tempo, a Silvia comentou sobre as causas que mais recebem ajuda, as que mais promovem, que mais convencem as pessoas a doar, e o empreendedorismo não era uma delas, embora tenha melhorado um pouco. Essa é uma causa que é menos evidente para receber financiamento, por isso, o trabalho de convencimento necessário com os financiadores é muito grande. Para mim, continua um grande desafio, e quando tentamos o endowment não conseguimos ganhar tração”.

Para Silvia, o que atrai os financiadores é o conhecimento da importância da causa.


“O Instituto SYN tem claro a importância da geração de renda. No caso da Lamberti, é a clareza de dar oportunidades às pessoas para as quais trabalhamos. Entendo também que eles têm uma visão prévia que faz com que tenhamos uma correspondência. Conheci primeiro o dono da Cyrela e ele me apresentou ao Aron, presidente do Instituto SYN, e daí nasceu uma amizade que tem dez anos. Conheci a Lamberti por meio de um amigo advogado italiano. Com o Instituto SYN são sete anos e a Lamberti seis.”

Refletindo sobre o período 2015-2019, na opinião de Marcelo Turri, a AdC está mais viva agora.


“Tudo parte da realidade do empreendedor que continua muito presente hoje. O empreendedor é protagonista. E nada é feito que não considere a realidade de cada um, tanto que, o início do projeto começa entrevistando cada um deles. Depois os acompanhamos individualmente até o final. A questão da realidade está sempre presente”.

“Acho bonito a questão do atendimento integral e de não criar muros. É importante lembrar que a AdC acompanha integralmente e sistematicamente os empreendedores e isso é reconhecido pelos stakeholders”, diz Silvia.

Rafael Marcoccia, completa:


“Priorizamos o desenvolvimento integral do microempreendedor, da pessoa. Uma coisa marcante desse período é que as oficinas não eram só técnicas. Uma falou sobre planetas, as estrelas, sobre astronomia. Outra abordou a beleza e outra ainda falamos sobre política. Tinha uma preocupação com todos os aspectos da vida de uma pessoa que não é só a questão do que precisa de mais urgente para alavancar o negócio, sem desconsiderar os outros aspectos que também são muito importantes. Isso em uma época em que se podia conversar de política sem ser massacrado de um lado ou de outro.
Foram uma série de formações muito bonitas. Acho a AdC viva desde o início, nesse período e ainda hoje, com escuta ativa a partir da realidade, observando a realidade escutando os microempreendedores. Por isso que cada projeto é único, singular e respeita a necessidade, o desejo do empreendedor. Obviamente, ensinando e educando. Não é uma coisa solta. É uma escuta ativa, de observar a realidade e de fato colocar a pessoa como centro, acreditar na sua capacidade, liberdade e autonomia quando tem uma oportunidade.
Então, para mim, desde sempre, esse foi o aspecto mais vivo, os empreendedores são chamados cada vez mais ao centro, e terem uma voz. Isso é o amadurecimento: colocar o microempreendedor, a pessoa, no centro de tudo. E as formações são expressão disso”. 

Segundo Silvia, essas formações foram experiências muito ricas e a origem da ideia da formação humana integral.


“Foram pessoas que davam formações sobre temas que são muito adequados aos microempreendedores, usando a razão como uma abertura à realidade. Eles vivem em condições nas quais os desafios são tão grandes que não enxergam que a vida é algo maior e não são educados a usar a razão como abertura à realidade. 

E ela completa:


“Educar a beleza, educar a razão, é uma ferramenta ampla para enxergar a realidade. A formação humana integral nasceu por isso.

As memórias desse período mostram que o crescimento da Aventura de Construir foi sustentado pela capacidade de aprender com a realidade, fortalecer relações de confiança e manter a pessoa no centro de todas as decisões. Ao consolidar sua metodologia, ampliar sua rede de parceiros e reafirmar o compromisso com o desenvolvimento humano integral, a AdC encerrou esse ciclo preparada para enfrentar novos desafios, sem perder a essência que marcou sua trajetória desde o início: construir caminhos ao lado dos microempreendedores, respeitando suas histórias, potencialidades e sonhos. 



 
 
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