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Linha de Base do projeto AIPÊ e a ODS 4 - Educação de qualidade




A Jornada de Sustentabilidade de abril destaca o início do projeto Da Periferia, a Resposta, financiado pela AIPÊ, e aplicação da Linha de Base para os mais de 200 microempreendedores inscritos no projeto, ressaltando a sua importância para que a nossa atuação siga sempre alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4: Educação de qualidade. 


O que é a Linha de Base? 


A Linha de Base é um procedimento padrão de todos os projetos da AdC. Trata-se de um encontro inicial com os empreendedores, em que um consultor da organização reúne-se individualmente com cada empreendedor, de forma online ou presencial. O encontro é utilizado para estabelecer uma conexão mais próxima e criar um vínculo com as pessoas que irão participar do projeto, conhecendo a realidade do indivíduo e do seu negócio. Outro objetivo desse processo é coletar dados importantes, utilizados para analisar o perfil dos empreendedores e avaliar o impacto da nossa atuação sobre a realidade deles. 


Para coletar esses dados, aplicamos um questionário estruturado pela Aventura de Construir em parceria com a ALTIS (Alta Escola de Negócios da Universidade Católica de Milão-Itália) e o Kellogg Institute (Estados Unidos) e consultoria de Ana M. Pelliano e dos professores Sérgio Lazzarini (Insper Metricis) e Edgard Barki (FGV). O questionário, já bem consolidado através da experiência da AdC em outros projetos, recebeu a validação e o aperfeiçoamento da Catálise Social, organização parceira no projeto AIPÊ - Da Periferia, a Resposta.


No Da Periferia, a Resposta, enfrentamos o grande desafio de aplicar a Linha de Base para mais de 218 microempreendedores, número recorde em um só projeto, sem perder a nossa principal característica: o atendimento individualizado e centralizado em cada uma das pessoas envolvidas no projeto.


A importância da Linha de Base na nossa forma de atuação: partir da realidade do empreendedor e do seu contexto. 


A Aventura de Construir desenvolve o seu trabalho a partir de um método baseado em 7 pilares. Destacamos aqui 3 deles:


  1.  Partir da realidade - Entender a realidade do empreendedor e do seu contexto é o ponto de partida para identificar as necessidades e responder de forma mais adequada.

  2. Gerar protagonismo acreditando na centralidade da pessoa - O fator humano é o motor do desenvolvimento. Para que a mudança seja alcançada e possa ser sustentável, é fundamental que as pessoas tomem consciência das próprias necessidades e riquezas, pois assim tornam-se protagonistas do seu desenvolvimento.

  3. Acompanhar o beneficiário - A AdC realiza seu trabalho acompanhando individualmente seus beneficiários, acreditando em sua liberdade, ajudando a enxergar a solução de problemas e orientando nas tomadas de decisões. Esse processo é um diferencial em relação às demais instituições que ofertam serviços similares a microempreendedores.


Considerando esses pilares, entendemos que a Linha de Base é parte fundamental desta metodologia. Com um encontro individual, os empreendedores têm espaço para falar e serem escutados. Neste espaço, somos capazes de compreender o contexto do qual eles estão partindo e também identificar as suas principais necessidades. E isso não é feito sem propósito. No projeto Da Periferia, a Resposta, por exemplo, a Trilha de


Fortalecimento (etapa do projeto em que realizamos capacitações coletivas sobre temas relevantes ao empreendedorismo) é desenhada e adaptada às principais necessidades mapeadas durante os encontros de Linha de Base.


O encontro de Linha de Base, ainda, reforça outros dois pilares do método sobre o qual atuamos: a centralidade da pessoa, que deve ser a protagonista do próprio negócio, e o acompanhamento individual dos beneficiários. É já neste primeiro momento, de início do projeto, que os empreendedores percebem que conosco terão uma jornada diferenciada. O projeto é um lugar onde eles poderão falar, trocar e construir conhecimento e não apenas recebê-lo de forma passiva. 



A importância da Linha de Base na nossa forma de atuação: a mensuração do impacto.


Para além dos objetivos de estabelecer uma conexão entre a organização e os empreendedores, de se aproximar da realidade de cada participante do projeto e de conhecer os negócios de cada um, a Linha de Base contém outra função fundamental: coletar dados.


A coleta de dados tem algumas funções fundamentais para todos os projetos. A primeira delas é conhecer o perfil socioeconômico das pessoas que atendemos.


A outra é que nos permite mensurar e avaliar o impacto do nosso projeto sobre os beneficiários envolvidos e sobre os negócios. Dessa forma, podemos ponderar se os recursos empenhados estão, de fato, gerando os resultados objetivados.


Para a coleta dos dados, é necessária a definição de indicadores de desempenho claros e mensuráveis. Ao medir resultados específicos, como aumento da receita dos empreendedores, melhoria nas habilidades de gestão ou aumento do número de clientes, podemos avaliar se estamos realmente fazendo a diferença nas vidas e nos negócios dos participantes do projeto. Isso não apenas valida o trabalho que estamos realizando, mas também nos ajuda a comunicar de forma mais eficaz o valor do projeto para os stakeholders e a comunidade em geral. 



A Linha de Base como ferramenta para uma educação de qualidade.


A Linha de Base é como um mapa que desenhamos para nos guiar pelos caminhos mais adequados para os empreendedores. Ao nos conectarmos individualmente com eles, entendemos suas realidades, seus principais desafios e aspirações. Essa compreensão nos permite desenhar nossas aulas, capacitações e consultoria sob medida, garantindo que o ensino seja relevante e eficaz.


Assim, a Linha de Base se torna uma ferramenta essencial para manter um alto padrão de qualidade de ensino, pois nos ajuda a adaptar nossas abordagens às necessidades específicas de cada empreendedor, promovendo uma educação mais inclusiva e eficiente, através de uma formação humanizada e integrada. 


Ao personalizarmos nossa intervenção educacional com base nas informações coletadas durante a Linha de Base, estamos contribuindo diretamente para o alcance do ODS 4.4: "Até 2030, aumentar substancialmente o número de jovens e adultos que tenham habilidades relevantes, inclusive competências técnicas e profissionais, para emprego, trabalho decente e empreendedorismo." 


Compreendendo as demandas individuais dos empreendedores, podemos auxiliá-los não apenas com conhecimentos genéricos, mas com habilidades específicas que lhes permitirão prosperar em seus negócios e contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável de suas comunidades.



Ana Paula, Yannoula e Alessandra, participantes do projeto


As histórias por trás dos dados.


À medida que coletamos dados quantitativos na Linha de Base, é crucial lembrar que por trás de cada número, há uma história rica e singular. É nessa interseção entre os dados objetivos e as narrativas pessoais que surge o valor que vai direcionar a nossa jornada empreendedora. Nos nossos encontros, as experiências dos microempreendedores e microempreendedoras ganham destaque e eles revelam os principais desafios que enfrentam, os sonhos que alimentam e as trajetórias de resiliência de suas vidas e de seus negócios.


Vamos a algumas delas!


Ana Laila, de Salvador - BA, é confeiteira há 18 anos e no seu negócio vende bolos e tortas. Para ela, uma das grandes motivações de ter criado um empreendimento é acreditar que “a favela também tem que comer bem”. Além disso, nos conta que ultimamente tem passado por muitas dificuldades e viu o projeto como uma luz, pois ela precisa de uma mão que a puxe, pois, sozinha, ela não acredita que pode conseguir. 


Geanice, de São Paulo, tem um negócio de moda plus size, onde costura roupas de “tamanhos especiais para mulheres especiais”. Ela conta que decidiu começar a fazer roupas quando foi em uma loja e se sentiu muito mal atendida devido ao seu peso e tamanho. Ela, então, foi embora e decidiu fazer a sua própria saia para a festa. A roupa foi um sucesso e todos adoraram e ali ela viu que tinha uma oportunidade de negócio. Foi assim que criou o Ateliê Filhas do Sol. Agora, participando do projeto, ela pretende expandir o seu negócio e melhorar principalmente na área do marketing e das redes sociais, onde sente que tem mais dificuldades. 


Nide, de Osasco-SP, tem um quintal orgânico na sua casa, onde planta diversas hortaliças e vende produtos como geleias, licores e sucos feitos com essas hortaliças. Muito criativa, ela se inscreveu no projeto com o objetivo de melhorar o seu foco, o controle financeiro do seu negócio e a sua precificação.


Evanio, de Cascavel, na região metropolitana de Fortaleza - CE, é pescador de lagostas e também artesão: trabalha com barro, cipó e também pinta quadros. Criou uma associação na cidade, com a participação de várias comunidades,  para ajudar outros artesãos, que não tem muito conhecimento e passam por dificuldades. Na sua casa, tem um espaço onde expõe as peças dos outros artesãos, junto com as suas e de sua esposa. O seu objetivo é levar o conhecimento dos direitos de cada um, criar um selo de garantia para que as peças não sejam copiadas e dificultar o acesso dos atravessadores. 


Aline faz marmitas congeladas para o dia a dia, não usa conservantes e nem temperos prontos. Está preocupada com o bem estar e a saúde do próximo e a qualidade da comida, mas não consegue aumentar sua produção. Com o projeto pretende adquirir conhecimento para fazer o seu negócio prosperar. Já


Antônio tem um boteco há 18 anos, uma clientela fiel e petiscos muito elogiados. Abre de quinta a domingo a partir das 17h e  agora quer começar a abrir diariamente como restaurante, mas não sabe nada do controle financeiro. Precisa e quer muito aprender e por isso ficou muito contente com a oportunidade de participar do projeto. Deisi, por sua vez, tem um negócio social. Ela e a sua empresa assessoram famílias da região de Porto Alegre que estão em áreas de ocupação, para ajudá-las a regularizarem sua situação.




Respectivamente as empreendedoras Geanice, Nide e Deisi. 


Conclusão


A Linha de Base é mais do que um ponto de partida. É um mergulho nas histórias das pessoas, revelando seus desafios, sonhos e aspirações, que representa o cerne da nossa abordagem centrada no empreendedor.


Essas narrativas fornecem uma compreensão genuína do contexto em que eles operam, informando não apenas nossas estratégias de capacitação, mas também nosso compromisso em manter um alto padrão de qualidade de ensino, alinhado ao ODS 4.


Por meio da Linha de Base, coletamos dados, mas sobretudo construímos conexões humanas e empáticas que impulsionam o sucesso e o crescimento sustentável dos empreendedores e de suas comunidades, promovendo uma mudança duradoura e significativa em suas vidas.


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